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PONTOS QUE PREOCUPAM A PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA BRASILEIRA

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O produtor agrícola brasileiro participou intensamente dos atos políticos que, afinal, deram o verdadeiro sinal de que as coisas precisavam mudar. O resultado foi inequívoco. O Brasil tratou de dar o sinal de que bastava de erros e omissões que levavam o País para o buraco. A luta política foi muito clara nas posições de cada lado. Bem antagônicas e sem tapeações. Cada grupo definiu muito claramente o que pensava e o que defendia. O que pensavam, o que propunham e as cores claras de suas trajetórias, suas ideologias, seus pensamentos de forma cabal. Pode-se dizer que foi uma luta aberta, na qual cada lado deixou bem claro o que propunha, e o eleitor brasileiro não pode reclamar que foi enganado. Também de forma insofismável veio o resultado das eleições, e o País demonstrou que soube definir o que queria. Queria e quer, verdadeiramente, mudar. Este, portanto, foi o veredito das urnas.

Entre a clara decisão política que o País deu a todos e as mudanças esperadas e propostas definidas existe um profundo vale das incertezas. Somos uma democracia na qual as principais nuances da disputa foram para um cargo do Executivo, a presidência e a vice- -presidência da República. As eleições parlamentares – em que pese, a maior mudança verificada nestes últimos tempos – ainda não ficaram suficientemente definidas. A tão desejada maioria que venha dar ao Executivo a tranquilidade para realizar tudo que prometeu em sua campanha. De outro lado, a Constituição brasileira 17não alterou a formação do Poder Judiciário. Ele continua a ser composto por indicações diretas dos presidentes, praticamente por livre escolha, o que leva a situação de dificílima possibilidade de mudanças por vontade popular ou da expectativa de atendimento de imediato das propostas vindas das urnas. Daí surgem as incertezas. Vamos ou não ter as mudanças que o País, de forma inequívoca, definiu?

Onde encontraremos a tão sonhada segurança jurídica, que ficou clara na vontade popular? Como fazer a redução das máquinas do Estado gigante? Como consertar a balbúrdia econômica gerada nestes quase 30 anos de tropeços e de irresponsabilidade que levou a nossa dívida pública a vários trilhões? Como pagá-la? Para onde foram os recursos que, bem aplicados, permitiram que a nossa ciência e a nossa tecnologia fossem capazes de criar as inovações que deram não só ao Brasil, mas a todo o mundo, a nova “agricultura tropical”, altamente sustentável e competitiva que se conhece? Onde foram os nossos serviços comprovadamente eficientes de transferência de tecnologia e de extensão rural que, com o crédito rural assistido, promoveram o milagre de se fazer uma verdadeira revolução que levou o Brasil, em menos de 30 anos, a passar de um dos maiores importadores de alimentos ao maior exportador de produtos agrícolas do mundo?

Onde foi parar a mais racional política agrícola que fez com que um País em desenvolvimento se tornasse exemplo a outros países semelhantes e que logo tentaram adotar? Onde foi parar a nossa infraestrutura, cujo investimento, desde meados da década de 1980, caiu de 9% a 10% do PIB para menos de 1%? Como competir sem ela? Onde estão os recursos necessários para que o País não pare de produzir e que, além de exportarmos commodities, possamos processar e aumentar os seus valores econômicos? Como iremos atender a este chamamento para sermos os que darão tranquilidade ao futuro muito próximo da humanidade em sua segurança alimentar e que, para isso, teremos de garantir um mínimo de 41% de toda a nova demanda por alimentos? Teremos de triplicar a nossa produção. Como? O produtor brasileiro não brincou de eleições. Ele realmente participou. Com fé e determinação. E espera e deseja que a sua voz seja ouvida. Afinal, que país é este? O nosso real desejo é que cada cidadão, eleito ou não, cumpra o seu dever. De nosso lado, garantimos que iremos produzir.

Engenheiro-agrônomo, produtor, presidente-executivo da Abramilho e ex-ministro da Agricultura