Seed Point

Milho: a escolha da semente é fundamental

Muitas são as variantes a serem consideradas na definição da semente de milho. Sobretudo em relação à região em que será cultivada, mas também a considerar o investimento visto a relação custo/ benefício. Dicas oportunas com um especialista da Embrapa Milho e Sorgo

O mercado oferece atualmente uma grande diversidade de sementes de milho. Há variedades, híbridos, materiais convencionais e transgênicos. Para escolher a semente mais adequada, o produtor deve estar atento às características de cada cultivar e analisar sua própria realidade, os objetivos da lavoura e como é o sistema de produção adotado. Quando o produtor não tem o cuidado de observar a descrição do material a ser plantado, corre maiores riscos de não conseguir resultados satisfatórios com a lavoura. Ao consultar atentamente as informações disponíveis sobre as sementes e fazer uma escolha adequada à sua realidade, pode então garantir melhores rendimentos. Para saber como fazer a análise das sementes disponíveis e a opção pela mais apropriada, atenção às orientações de um especialista, o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo Ivênio Rubens de Oliveira.

Conforme ele, em princípio, é preciso sempre considerar a região onde o milho será plantado e assim saber se há semente apropriada para o local. “Pode começar por verificar se a cultivar escolhida é adaptada às condições relacionadas ao solo e ao clima da região. Nesse quesito, é importante a consulta ao zoneamento de riscos climáticos, publicação anual do Ministério da Agricultura, com estudos validados pela Embrapa, que indica quais cultivares são recomendadas para ambas as safras (primeira e segunda) em cada região. Na maioria das vezes, as empresas já inserem esta informação na divulgação de suas cultivares”, lembra. “É importante também o contato com os técnicos que prestam assistência (pública e privada) às propriedades, e que pela proximidade com os produtores conhecem o comportamento produtivo das cultivares mais utilizadas na região”.

Da mesma forma, levar em consideração o tempo de produção para o cultivo, pois há cultivares de ciclos diferentes – precoces, semiprecoces e tardias – cujas características são importantes em relação aos problemas de disponibilidade hídrica (as chuvas). Oliveira ressalta que a clareza sobre o ciclo é ainda mais importante em relação à segunda safra, perfil de cultivo com dependência maior de chuvas que ocorrem já no final do período agrícola. Nessa situação, há a necessidade de materiais que completem o ciclo cada vez mais rápido, mas sem comprometer a produtividade.

Investimento e sanidade — Outra questão é o produtor ter clara a relação custo e benefício, ou seja, saber se vale a pena um investimento superior por mais tecnologia incorporada. “Plantar milho transgênico implica investimento em tecnologia. Tem que haver planejamento para obtenção do potencial máximo que a tecnologia proporciona. Por isso, para chegar a um custo e benefícios ideais não se dispensa o manejo adequado da cultura”, esclarece o pesquisador. “Estudos demonstram que, com o milho transgênico, há redução em aplicações de defensivos e gastos com combustível, além de maior potencial produtivo. A redução dos custos operacionais e com insumos possibilita, em preparo de cultivo mínimo do solo, maior produtividade, renda líquida e relação benefício/ custo”, acrescenta. “Há situações de probabilidade de ganhos positivos de 85% com adoção da semente de milho transgênica em comparação à semente de milho convencional, pois quanto maior a produtividade, maior a renda líquida”.

A preocupação com a sanidade da lavoura também é essencial na escolha da cultivar, afinal doenças limitam consideravelmente a produtividade. “O sistema de produção no Brasil baseado no crescimento da produtividade do milho favorece o aumento da incidência e da severidade de doenças como mancha-branca, cercosporiose, helmintosporiose, ferrugem-polissora, ferrugem-tropical, ferrugem-branca, enfezamentos, podridões-de-colmo, antracnose-foliar, mancha-foliar-dediplodia e grãos ardidos em todas as regiões produtoras”, adverte Oliveira. E a importância das mencionadas doenças é variável de ano para ano e também de região para região em razão das condições climáticas, do nível de suscetibilidade das cultivares e do sistema de plantio utilizado. “A escolha da semente relaciona-se diretamente com medidas recomendadas para o manejo de doenças, tais como a utilização de cultivares resistentes, a realização do plantio em época adequada, a utilização de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas e a rotação de cultivares”, diz.

Neste sentido, Oliveira é bem objetivo: “A medida mais importante é a utilização de cultivares geneticamente resistentes, uma vez que o seu uso não exige nenhum custo adicional ao produtor, não causa nenhum tipo de impacto negativo ao meio ambiente, é perfeitamente compatível com outras alternativas de controle, sendo que muitas vezes é suficiente para o controle da doença”. Já quanto as pragas, Oliveira lembra que nem sempre o milho geneticamente modificado é a primeira medida para evitar o ataque. “O milho Bt foi desenvolvido em relação ao controle de lagartas-praga (Lepdoptera). Hoje já existem cultivares Bt para controle de coleópteros. Mas muitos dos insetospraga que podem ocorrer em uma lavoura de milho não são controlados pela tecnologia. Como exemplo, podemos citar a cigarrinha-do-milho, vetor dos enfezamentos, os pulgões, os tripes, etc. Então, é necessário saber qual é o principal problema antes de se comprar a semente”.