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OS RUMOS DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

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A 8ª edição do Abisolo Fórum e Exposição Internacional Tecnologia & Integração, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal, em Campinas/SP, no mês passado, promoveu palestras e debates sobre as perspectivas do setor e da economia

Mais de 600 congressistas e 38 empresas participaram o VIII Abisolo Fórum e Exposição Internacional Tecnologia & Integração, evento realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) no mês passado, em Campinas/SP, que promoveu palestras e debates sobre o futuro da política e economia e política do agronegócio com lideranças e especialistas nos assuntos, assim como foram abordados temas técnicas de cultivo. “Todos os assuntos abordados foram amplamente aprovados pelo público, sendo que o ponto forte do segundo dia foi o debate sobre a atualidade política e econômica, tanto que a plateia permaneceu lotada o tempo todo, com uma longa bateria de questões dirigida aos debatedores”, avaliou os debates o presidente da Abisolo, Roberto Levrero. Sobre os expositores, uma dezena de participantes a mais que na edição anterior, o dirigente lembrou que “todos se mostraram inteiramente satisfeitos com os resultados alcançados, inclusive alguns disseram que concretizaram vendas que foram três vezes superiores as da edição de 2017”.

O evento promoveu palestras com abordagens técnicas sobre o segmento nutrição e também sobre as realidades e perspectivas para o agronegócio brasileiro e a economia do País, inclusive no contexto internacional. O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP) Guilherme Casarões tratou do tema geopolítica mundial e a sua relação com o agro brasileiro. Ele destacou o aumento da população global e do consumo crescente de alimentos, principalmente nos países em desenvolvimento, e lembrou que apenas 20 nações realmente produzem alimentos. Destacou entre os consumidores a China e seu “mercado insaciável de commodities”, além da Índia quer poderá se tornar a terceira economia do mundo. Neste contexto de suprir as demandas globais por comida, lembrou que os chineses estão comprando muitas extensões de terras no Continente Africano, e que há novos exportadores, como Paraguai, Mongólia, Angola e Moçambique. “O Brasil tem boas relações com os países do mundo inteiro”, lembrou, e acrescentou que o País pode se “se inserir fácil na produção de alimentos”.

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Mendonça de Barros: o Brasil está saindo da pior recessão e crise econômica da sua história, que levou o PIB a cair 4,7% entre 2014 e 2018

Já Carlos Melo, professor do Instituto de Pesquisa e Ensino (Insper), enfocou a força do agro brasileiro no novo cenário político (Governo Bolsonaro). Neste contexto, apontou os populismos à esquerda e à direita, onde se insere “o Brasil e o seu labirinto”. E mencionou o problema dos privilégios corporativistas, assim como insegurança pública, a intolerância política e a politização da Justiça. E citou os cinco “núcleos políticos” em que está inserido o Governo Bolsonaro: ultraliberalismo econômico (Ministério da Economia), jurídico policial, o militar (segundo ele, o da “moderação”) a ala política que nunca governou antes e o que ele chamou de “arrebatamento ideológico” – ministérios da Educação e de Direitos Humanos, assim como o Itamaraty. “Nos prejudicam e nos prejudicam muito”, avaliou, referindo-se a esta ala mais ideológica. Conforme estatística dele, são 18 frentes de conflitos simultâneas no Governo. Já no agronegócio, a avaliação de Melo é que há “discrepâncias entre a força econômica e política”. E ainda lembrou que a Frente Parlamentar Agropecuária é fragmentada.

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Levrero, presidente da Abisolo: todos os assuntos abordados no evento foram amplamente aprovados pelo público

A perspectiva econômica foi tratada pelo economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, que elencou sete situações que o Brasil está vivenciando no momento. A começar, conforme ele, o Brasil “está saindo da pior recessão e crise econômica da sua história”, que levou o seu PIB a cair 4,7% entre 2014 e 2018. “Por que caímos tanto? Por que ainda não conseguimos crescer”, questionou ele. Mendonça listou vários outros problemas da economia, como a crise fiscal dos estados, a necessidade de reformas, “a começar pela da Previdência”, apontou. Neste ambiente, o economista listou o quanto os segmentos econômicos encolheram: -3,2% em serviços, -10,2% na indústria e -26% na construção civil. Enquanto isso, o agronegócio cresceu 10%. “Isso não aconteceu por acaso”, lembrou. E ressaltou a adoção no campo de conhecimento científico e de novas tecnologias. “O segmento procura produtividade e isso baixa o preço de alimentos”, lembrou.


 

Segmento de fertilizantes especiais cresce 20% ao ano

A indústria brasileira de fertilizantes especiais faturou R$ 7,6 bilhões no passado, crescimento de 19,3% sobre o ano anterior, e a previsão é de expansão de 21% neste ano. O segmento de fertilizante foliar representou 71% do total faturado, seguido pelo de fertilizante organomineral, com 12%, condicionadores de solo, com 10%, fertilizante orgânico, 4%, e substrato para plantas, com 3%. Os dados foram levantados por uma pesquisa encomendada pela Abisolo e estão no Anuário Brasileiro de Tecnologia em Nutrição Vegetal 2019, lançado no evento de Campinas. Do faturamento do setor, 83,6% foram de produtos nacionais e 16,4% de importações. Já por cultura, 47% das vendas foram para lavouras da soja, à frente de frutas, hortaliças e legumes, com 11%, mesmo percentual do milho, além de 9%, e a cana com 6%. O restante foi dividido entre citros, algodão, feijão, pastagem, arroz, reflorestamento e plantas ornamentais. O segmento é fertilizante especiais é composto por mais de 500 indústrias, registradas no Ministério da Agricultura.