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Como as agteChs estão ajudando o agronegócio

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As startups do agronegócio – as agtechs – não são mais o futuro, mas sim uma realidade, em expansão e com efeitos práticos e positivos ao setor. Destaque ao chamado Vale do Silício do Agronegócio Brasileiro, em Piracicaba/SP, com mais de 120 startups voltadas ao mundo agro

Juliana Chini, Líder de Inteligência de Marketing na @Tech/Futurista no @beAnimalsHub

A startup agtech é uma das grandes novidades do agronegócio nos últimos anos e que tem trazido o que há de mais tecnológico no mundo para as fazendas brasileiras. Uma startup é uma empresa necessariamente tem um modelo de negócios escalável para milhares ou milhões de clientes e que possa ser repetível, ou seja, seu produto ou serviço pode ser entregue para todos os clientes sem a necessidade de customização. Este tipo de empresa também precisa oferecer uma proposta inovadora e, devido ao elevado número de clientes, seus produtos e serviços são desenvolvidos com uso de tecnologias e geralmente possuem metas globais. O termo “agtech” se refere às startups ligadas a inovações focadas no setor, sendo “ag” de “agribusiness”, cuja tradução é agronegócio, e “tech” é a tecnologia. Em outras áreas, há as “fintechs” (startups de tecnologia para finanças), as “edutechs” (startups de educação) e as “foodtechs”, por exemplo.

No caso do agronegócio, as tecnologias criam produtos e serviços baseados em software ou hardware. O software pode ser um programa, plataforma ou aplicativo, que geralmente é desenvolvido para computadores, celulares, tablets. Já o hardware consiste em um equipamento físico, como um chip, um drone ou uma câmera para monitoramento de animais, por exemplo. Os softwares estão ajudando a melhorar a administração das fazendas, que agora contam com plataformas para controle, monitoramento e auxílio à tomada de decisão em todos os níveis operacionais e para todos os tipos de produção. Há programas para gestão e tomadas de decisão financeira, de pessoas, de máquinas, de animais, cultivos, entre outros que geram uma grande quantidade de dados, conhecida como big data. E por ser grande, estes dados são armazenados em nuvem, assim como já utilizamos serviços como o Google Drive, Dropbox e Icloud para guardar os nossos documentos e fotos.

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No Brasil, há centenas de startups e dezenas de hubs agtechs, e uma região vem ganhando tanto destaque e é Piracicaba/SP, hoje conhecida como o Vale do Silício do Agronegócio Brasileiro

Muitos softwares já utilizam a “inteligência artificial” que, de forma bem resumida reúne todos estes dados, realiza cálculos e traz a informação nas plataformas. Um exemplo que elucida de uma forma bem simples é um software de gestão financeira da produção que utiliza uma inteligência que analisa todos os dados de receita, custos, outras informações de mercado e te informa a lucratividade da sua operação. A maioria dos hardwares das agtechs são desenvolvidos com a internet das coisas, também conhecido como IoT. Ou seja, são equipamentos que possuem sensores que fazem a medição e a coleta dados, que são enviados por meio de uma rede ou internet. Um hardware com sensor para controle do peso de animais, por exemplo, pode ser uma balança que diariamente envia os dados constantemente durante o período que eles são monitorados. Todos estes dados também formam a big data e também podem ter uma inteligência artificial trabalhando neles.

Os hardwares costumam “conversar” com os softwares. A explicação: um software pode utilizar os dados de todos os equipamentos que estão sendo utilizados na fazenda e uma inteligência artificial pode transformar estes dados em informações importantes para apoiar a tomada de decisão dos produtores. Neste contexto, as startups agtechs estão trazendo uma verdadeira transformação tecnológica para o agronegócio brasileiro. E, junto com a sua ascensão destas houve também o crescimento do número de hubs de agtechs. Um hub de inovação é um espaço físico, mas que também pode ser digital, onde empreendedores, startups, empresas, pesquisadores, profissionais do setor público e empreendedores trabalham em um mesmo ambiente compartilhado, havendo uma grande interação, conexão e geração de novos negócios. Os hubs costumam ter uma proposta de desenvolvimento dos empreendedores, com uma agenda de cursos, encontros, prospecção e captação de recursos, entre outras atividades.

Vale do Silício do agro brasileiro — No Brasil, há centenas de startups e dezenas de hubs agtechs que podem ser encontrados de Norte a Sul. E uma região vem ganhando tanto destaque, que hoje é conhecida como o Vale do Silício do Agronegócio Brasileiro: Piracicaba/SP. Nela, estima-se que há mais de 120 startups focadas no agronegócio. A cidade é conhecida por abrigar a centenária Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o campus da Universidade de São Paulo (USP) reconhecido como uma das quatro melhores instituições de ensino superior voltadas às ciências agrárias de todo o mundo, segundo o U.S. News and World Report, Performance Ranking of Scientific Papers for World Universities 2018 (NTU Ranking). Além desta grande referência, a região hoje abriga mais de 100 startups focadas em agronegócio e cinco hubs de inovação agtechs: a EsalqTec (incubadora da Esalq/ USP), Usina de Inovação (iniciativa privada que abriga empreendedores e startups), Pulse Hub (hub de inovação da Raízen), Avance Hub (primeiro e aceleradora de startups da Coplacana, primeira iniciativa de uma cooperativa agropecuária) e AnimalsHub (primeiro hub de inovação focado em pecuária da América Latina e primeiro hub feito por startup para startup, sendo uma iniciativa da @Tech).

Com uma combinação de iniciativas tanto público como privadas que englobam institutos de pesquisa, universidades e outras instituições acadêmicas, centros e hubs de inovação e empresas privadas, Piracicaba já possui casos de sucesso de startups que hoje podem ser consideradas empresas e que almejam ser unicórnios (valor de mercado de US$ 1 bilhão). Entre elas, destaca-se a premiada Agrosmart, que otimiza o uso de água na agricultura, a InCeres, que ajuda os produtores no uso racional de insumos, e a @ Tech, que auxilia os pecuaristas no monitoramento de lucro e tomada de decisão do gado bovino.

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Juliana: o expressivo aumento de tecnologias para o agro tem atraído empresas que desejam investir, seja com investimento anjo, venture capital, private equity e/ou IPO

Estas startups possuem em comum uma ciência que começou na universidade, cruzando as porteiras do campo até o produtor com soluções inovadoras, que além de resolverem dores reais e diárias dos produtores, possuem a missão de resolver estes desafios em escala global, trazendo benefícios para a sociedade como um todo. Por este motivo, investem muito mais do que nas tecnologias disruptivas como a inteligência artificial, investem em pessoas. E, desta forma, atraem cada vez mais jovens para o agronegócio e para estas equipes inovadoras. A cidade de Piracicaba, por exemplo, tem sido cada vez mais um destino para jovens de todo o País, que desejam desenvolver inovação no campo.

O expressivo aumento de tecnologias para o agronegócio tem atraído os olhares de empresas que desejam investir, seja com investimento anjo (início da startup), com venture capital (entre o início e crescimento), private equity (entre o crescimento e a expansão) e/ou IPO (entre a expansão e maturidade). Há cada vez mais p r o d u t o r e s que realizam investimentos a n j o n a s s t a r t u p s , com o objetivo de empoderar tecnologias que resolvem às suas dores e terem um retorno financeiro com o seu crescimento. Empresas de investimentos como SP Ventures apostaram e empoderaram startups a ganharem escala.

E até quem não é do agronegócio viu que o setor irá ter uma safra recorde de inovações. Recentemente, a Positivo Tecnologia anunciou o investimento em duas startups: a @Tech, de pecuária, e a Agrosmart, uma startup de agricultura. Foi um acontecimento histórico e que marca um novo período em que o agronegócio brasileiro ganha notoriedade pelo desenvolvimento de tecnologias e inovações, colocando a produtividade e a agregação de valor em outro patamar.