Soja

Ambiente forjado para SUPREMAS produtividades

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Crie condições para que o clima (adverso) seja “driblado” e a soja renda o máximo de suas potencialidades a partir de princípios como construção do perfil de solo, nutrição mineral, qualidade de sementes, implantação da lavoura, sanidade e muito mais. Com as preciosas orientações, o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb)

Dr. João Pascoalino, coordenador técnico e de Pesquisa do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb)

A partir do momento que entendemos os desafios do sistema produtivo, a busca pelo aumento da produtividade das culturas, em especial da soja, passamos a fazer parte de um contexto maior, indo além da rentabilidade e acessando políticas públicas de segurança alimentar e sustentabilidade do agro mundial. Segurança alimentar existe quando todas as pessoas, em todos os momentos, têm acesso físico e econômico a alimentos seguros e nutritivos suficientes para satisfazer as suas necessidades dietéticas e preferências alimentares para uma vida saudável e ativa. O mundo agro está sendo e será constantemente cobrado para aumentar a produção agrícola e, até o presente momento, a produção de alimentos tem acompanhado o crescimento populacional. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), ocorrem aproximadamente 211 mil nascimentos de crianças por dia, caracterizando uma média de 180 por minuto. Continuando neste ritmo, no ano de 2050 estima-se uma população de 10 bilhões e o cenário exigirá dobrar a produção de alimentos para atender essa demanda.

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Os desafios não param e, paralelamente a isso, aumentará a demanda de grãos, fibras e bioenergia, além de que certamente haverá limitações dos recursos naturais, como continente, água e minerais, o que reforça a necessidade real de produção sustentável. Paralelamente, e na mesma ordem de importância do aumento produtivo, está a melhoria da qualidade nutricional dos alimentos, que deverá compor a lista de desafios dos produtores, consultores, pesquisadores e afins. Recentemente tem ganhado notoriedade a linha de pesquisa chamada de biofortificação, que, por meio do melhoramento de plantas e/ou manejo das culturas, passou a considerar a composição nutricional dos alimentos, deixando de focar apenas nos ganhos em produtividade.

Potencial produtivo: fatos versus oportunidade — Nesse contexto, as indagações são inúmeras: “Existe a possibilidade de atender essa demanda?”; “Quais as limitações do agro?”; e “Onde podemos chegar?”. Mas as perspectivas são boas. O Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), por meio de seu trabalho pioneiro no levantamento de produtividade de soja no Brasil, apresenta à sociedade alguns fatos, demonstrando a oportunidade de dobrar a produção de soja, podendo sair de pouco mais de 50 sacas de soja por hectare para mais de 100 sacas, partindo da premissa que se tenha realizado um correto diagnóstico do ambiente de produção, assim como a assertividade no manejo adotado, ação que permitirá a construção da produtividade safra à safra. Assim, existe a possibilidade de atender a demanda de produção de alimentos.

Contudo, as limitações existirão, mas são inúmeras as oportunidades de contorná-las. Acrescenta-se a esse cenário que o agro surpreende a cada safra, o que dificulta mensurar onde pode-se chegar. Mas é certo que o tamanho das oportunidades será diretamente proporcional às decisões assertivas do presente. O grande start está no correto diagnóstico e interpretação do “que é” e “como é” o seu ambiente de produção. É o conhecimento dos fatores clima, solo e planta e de suas respectivas derivações e interações, associadas ao correto manejo, que repercutirá em um ambiente com estabilidade, suportando condições de estresse, uma vez que garante a eficiência das plantas no aproveitamento dos recursos vitais para o correto crescimento, desenvolvimento e produtividade.

Resultados na literatura possibilitam afirmar que, independentemente das condições climáticas, ao impulsionar a eficiência do manejo é possível aumentar a produtividade. Isso caracteriza uma compensação entre clima versus manejo, onde se dribla, em parte, os estresses causados pelo clima em função da obtenção de um ambiente de maior estabilidade. Fato possível a partir do momento que se conhecer o ambiente de produção. Portanto, um bom começo é Cesb saber quais os fatores produtivos envolvidos nesta compensação para manter e/ ou aumentar a produtividade.

Construção do perfil do solo — A busca por um perfil do solo fisicamente ideal, quimicamente corrigido e biologicamente ativo é a chave para um bom enraizamento das plantas. Este seria o primeiro passo para construir um ambiente altamente produtivo, permitindo sustentar e manter as condições ideais para o crescimento, desenvolvimento e produtividade das plantas. Nesse contexto, existem quatro premissas importantes a serem consideradas para iniciar o processo de construção do perfil do solo: evitar o impedimento físico do solo, corrigir a fertilidade química em profundidade, manter o equilíbrio químico e melhorar o aspecto biológico do solo.

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A nutrição de plantas pode ser realizada através da adubação de pré-plantio, sulco de plantio, cobertura e foliar, as quatro principais formas de aplicação dos minerais

Dentro do processo de construir um ambiente de alta produção, de fato, é importante entender que a planta é um ser vivo e, para que complete seu ciclo de vida e perpetue a sua espécie — “expressar o máximo do potencial genético produtivo” — é necessário proporcionar as melhores condições para o aproveitamento dos recursos naturais: água, nutrientes, radiação solar, gás carbônico, etc. Além de oferecer os componentes essenciais em quantidade, qualidade e na época certa para que possam ser aproveitados de forma eficiente. Assim, o equilíbrio é essencial, pois uma vez que falte ou tenha excesso de qualquer componente, a planta será o reflexo da realidade que foi construída no ambiente de produção. Os cuidados para obedecer a “lógica da planta” vão além da construção do perfil do solo. Então se faz necessário atentar-se a vários outros aspectos, como nutrição mineral de planta, qualidade da semente, implantação da lavoura e proteção da planta.

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“O grande start está no correto diagnóstico e interpretação do ‘que é’ e ‘como é’ o seu ambiente de produção”, esclarece Pascoalino

Nutrição mineral: está entre os fatores de maior significância no contexto de um ambiente de alta produtividade. A resposta da planta frente ao manejo da nutrição será maior quanto melhor for construído o perfil do solo e obtida uma boa plantabilidade. Logo, pensar de forma multidisciplinar é uma conduta estratégica para obter o ponto máximo de homeostase da planta. A nutrição de plantas pode ser realizada através da adubação de pré-plantio, sulco de plantio, cobertura e foliar, que perfazem as quatro principais formas de oferecê-las nutrientes minerais. Nesse contexto, pesquisas apontam que é preciso entender a lógica de necessidade da planta, obedecendo a forma, quantidade e época do nutriente aplicado, que são princípios chaves para a maior eficiência de aproveitamento. Para o contexto de um ambiente de alta produtividade, essa conduta é obrigatória para a construção de um programa de adubação focado em alto rendimento.

Qualidade das sementes: se resume em obedecer a quatro atributos específicos: genético, físico, fisiológico e sanitário. A certificação de que todos esses atributos estão dentro dos padrões de qualidade garante uma semente de qualidade. A qualidade da semente faz-se importante no contexto produtivo, uma vez que sementes de alto padrão podem conferir vários benefícios: melhor qualidade e tecnologias de adaptação em distintas regiões; maior germinação e emergência das plântulas de maneira rápida e uniforme, conferindo melhor estabelecimento das plantas; plantas de maior vigor e com desempenho superior no campo, o qual resiste mais a situações de estresse; elevada taxa de crescimento, indicando um maior índice de área foliar e sistema radicular mais profundo, competindo de forma eficiente pelos recursos naturais; e maior potencial produtivo, chegando a índices de até 10% de aumento de produtividade.

Implantação da lavoura: o fato de obter sementes de qualidade não garante o sucesso da lavoura, pois existem outros fatores de importância equivalente que estão associados à implantação do cultivo. Entre os quais: escolha da cultivar adaptada à região, época de semeadura, tratamento de sementes e semeadora revisada e regulada, que permite distribuir as sementes de forma equidistante e em mesma profundidade. Cada prática tem sua particularidade de manejo. Um exemplo seria o tratamento de sementes, cuja sequência das aplicações dos produtos – fungicidas, inseticidas, micronutrientes e inoculantes – fazem a diferença na eficiência da prática.

Uma boa implantação é o resultado de todas as práticas citadas associadas ao correto manejo técnico, que resultará na plantabilidade recomendada, com lavouras de estande de plantas desejável e plantas uniformes, facilitando e potencializando o manejo nutricional, de proteção de plantas e da colheita. Adotar essas ações se torna primordial para ter uma lavoura de alta performance. Nesse contexto, a estratégia de lavouras bem instaladas seria seguir o preceito de que “tudo que adotar de manejo é para potencializar a produtividade”. No caso contrário, para lavouras mal instaladas, as práticas seriam adotadas a partir do pensamento de que “tudo que adotar de manejo é para amenizar a perda de produtividade”. Essa lógica caracterizará em uma lavoura de alto ou baixo investimento, respectivamente.

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Proteção das plantas — O correto manejo de plantas invasoras, pragas e doenças é primordial em lavouras de alta produtividade. Promover a proteção das plantas – no sentido de manter a lavoura livre de plantas invasoras que competem pelos mesmos recursos naturais com a cultura de interesse comercial –, manter incidência de pragas e a evolução das doenças abaixo do nível de dano econômico não é uma simples tarefa. De acordo com o Cesb, áreas de altas produtividades não permitem erros de manejo, uma vez que são mais sensíveis e qualquer manejo errado pode reduzir significantemente a produtividade.

O manejo de proteção de plantas de um campeão de produtividade é potencializar o efeito dos produtos aplicados e criar um ambiente antirresistência, que é fundamental para a preservação e longevidade da molécula do produto aplicado. Isso é possível por meio de boas práticas utilizadas para o ajuste fino do manejo, como diagnosticar, levantar e monitorar continuamente plantas invasoras, pragas e doenças; rotacionar mecanismos de ação e princípios ativos de herbicidas, inseticidas e fungicidas; utilizar produtos de procedência; monitorar frequentemente a lavoura; e manejar considerando as condições climáticas ideais.