Herbert & Marie Bartz

APRENDIZADOS NA INFÂNCIA SÃO ENSINAMENTOS PARA VIDA

Herbert

Nesta edição voltaremos no tempo, onde Herbert Bartz conta um pouco de sua vida na infância e adolescência e como lhe marcaram algumas experiências que resultaram em ensinamentos para toda a vida, especialmente a atuação dele como agricultor, cultivando plantas. Vou lhes contar um pouco de sua história para situá-los no trecho que ele contará logo a seguir. Bartz nasceu em Rio do Sul/SC em 1937. Com um ano de idade foi para a Alemanha com família para tratarem um problema cardíaco que a mãe dele possuía na época. Quando decidiram retornar ao Brasil algum tempo depois havia sido decretado o fechamento dos portos devido ao início da Segunda Guerra Mundial. Bartz, criança, vivenciou os horrores e dificuldades que uma guerra é capaz de proporcionar. No entanto, muitas são os aprendizados positivos que ele utilizou na sua vida. Uma delas, sobre uma boa alimentação e o desempenho físico e o paralelo que ele traça para o crescimento das plantas.

Herbert Bartz: “Desde as primeiras lembranças que eu me recordo de minha infância, aos 5/6 anos de idade, eu já participava nos trabalhos que fazem parte da vida rural. As colheitas de batatas, de cenouras, de cebolas, estão na minha memória como atividades que implicam em trabalhar fisicamente pesado. Como os homens estavam no front da guerra, a maioria dos trabalhos eram executados pelas mulheres e pelas crianças. Sendo esta a razão pelo qual na época os sacos de batatas, por exemplo, tinham volumes menores de 25 a 30 quilos ao invés dos 50 quilos que os homens costumavam manipular. Apesar das dificuldades devido à guerra, nesse período a comida era rica em qualidade e volume. Mesmo consumindo enormes volumes de batata, os nossos corpos eram magros e musculosos, resultado do uso da energia nas atividades que precisavam ser executados. Quando uma gripe ou resfriado nos afetava, estes eram combatidos com pedaço de pão de centeio com gordura de porco, forrado por uma meia dúzia de dentes de alho cru. Essa receita afastava o mal rapidamente.

Aprendi durante a minha infância que uma alimentação adequada mantém a saúde em estado perfeito. Anos mais tarde, já na minha adolescência, eu praticava decatlo e ginástica olímpica, que requeriam alto desempenho. E uma das verdades indiscutíveis que aprendi era o fato que para se ter uma boa condição e ter chances para uma vitória nessas atividades de extremo desempenho físico era através do consumo de 200 gramas de carne moída crua, alguns ovos crus, dentes alho e cebola. Esses alimentos formavam a base energética para que eu pudesse praticar os exercícios num período 8 a 10 horas. Essa lição e aprendizado de condicionar o corpo com uma alimentação adequada para alto rendimento formou no meu subconsciente a convicção de que uma planta para produzir depende de uma base de alimentação sólida e boa também. E nesse caso, pouco importava se o alimento era orgânico ou químico, mas a planta precisava de um volume e qualidade de nutrientes para se desenvolver e estar saudável. As experiências me ensinaram que quanto mais rico e diversa a composição de nutrientes tanto mais positiva era o desenvolvimento de uma planta.”

O depoimento de Bartz nos mostra as condições que determinam o desenvolvimento de nossas culturas: para que a planta se desenvolva saudável e consiga combater e se proteger de pragas e doenças, ela deve ter uma “alimentação” adequada, rica e diversa de nutrientes. E, assim como o nosso corpo, que quando não está em boas condições devido à má alimentação, caindo o sistema imunológica e as doenças nos atacam, as plantas reagem da mesma forma. A boa “alimentação” das plantas depende diretamente da boa qualidade do solo. Obrigatoriamente deve-se repor no solo com as fertilizações químicas e orgânicas o que a culturas anteriores retiram. Mas, principalmente, diversificar o cardápio de plantas cultivadas (culturas de cobertura e adubação verde) que irão primeiramente “alimentar” o solo e este, por sua vez, estando saudável, cheio de vida, rico em material orgânico diversificado e nutrientes provenientes da decomposição do cardápio oferecido (culturas plantadas e adubações químicas e orgânicas) oferecerá às culturas principais o aporte necessário para que se desenvolvam fortes e saudáveis.

Herbert Bartz é produtor rural e precursor do plantio direto no Brasil, e pai de Marie Bartz, bióloga, pesquisadora e professora da Universidade Positivo