Segredo de Quem Faz

A fé do pioneiro no plantio direto

Segredo

Denise Saueressig
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Em uma noite chuvosa de 1971, o produtor Herbert Bartz perdeu o sono e resolveu levantar da cama. Calçou as botas, pegou a lamparina movida a querosene e foi até a lavoura na propriedade da família em Rolândia, no norte do Paraná. A cena o deixou desolado. A água que caía forte levava embora a terra e, junto com ela, os nutrientes e parte das sementes de soja. O desconforto levou à inquietude e à busca de uma solução para acabar com todo aquele processo de degradação do solo. Alternativas foram visitadas na Europa e nos Estados Unidos, país onde Bartz conheceu a tecnologia no-tillage, depois plantio direto no Brasil. Quando passou a semear sem retirar a palha da safra anterior na sua lavoura, chegou a ser chamado de “alemão louco”. O tempo passou e provou que malucos eram os que não acreditaram na nova forma de cultivo, que mudou os rumos da agricultura brasileira e hoje é referência de prática conservacionista no mundo todo. Aos 82 anos, Bartz divide com a filha Marie uma coluna publicada todos os meses n’A Granja e deixa claro que gosta de contar histórias. Nesta entrevista, ele conversa sobre humanidade, relembra os desafios do passado e, com humildade, diz que contou com a sorte nas experiências da vida.

A Granja - O senhor foi o precursor de uma prática que ajudou a salvar a agricultura brasileira da degradação. Qual é o seu sentimento quando revive essa história?

Herbert Bartz – De uma certa maneira, acredito que contei com o fator “sorte”. As condições do clima tropical e subtropical do Brasil indicavam que era preciso andar por esse caminho. Olhando com objetividade e distância, creio que, se não fosse c...

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