Expodireto Cotrijal

Duas décadas de muita TECNOLOGIA

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A 20ª edição da feira Expodireto Cotrijal, no mês passado, em Não-Me-Toque/RS, movimentou R$ 2,4 bilhões em negócios e atraiu público recorde. Além de apresentar muitas inovações de ponta das iniciativas privada e pública, cumprindo a proposta da megafeira desde sempre

A 20ª edição da Expodireto Cotrijal, realizada na segunda semana de março, em Não-Me-Toque/RS, teve um volume de negócios quase 10% superior à do ano passado. O valor da comercialização totalizou exatos R$ 2.419.527.000,00, ou 9,59% a mais que os R$ 2,207 bilhões de 2018. Já o público de 265.600 pessoas foi recorde. Entre os visitantes, autoridades como o governador gaúcho, Eduardo Leite, e o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. “Estamos muito satisfeitos. Pelo sentimento do que ouvimos do parque, esta foi a melhor, a mais bonita e organizada Expodireto”, resumiu o presidente da cooperativa Cotrijal, Nei Mânica. O dirigente ainda destacou a recuperação completa dos estandes de expositores do parque, avariados por um temporal três dias antes da abertura do evento. “O agronegócio não tem medo de desafios. Tudo foi reconstruído a tempo”, interpretou. O evento foi realizado numa área de 98 hectares e reuniu 534 expositores.

A Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, revelou que as intenções de compras na feira subiram em relação à edição do ano passado. Nos segmentos de máquinas para grãos, o resultado foi 13% maior; no de irrigação houve um aumento de 17%; e, em armazenagem, a expansão foi de 8%. Na média ponderada, o aumento foi de 12%. Para o presidente da Câmara, Pedro Estevão Bastos, os números da feira reforçam a tendência de vendas aquecidas em 2019. “Esse resultado também reforça o pleito da Abimaq de um aporte de R$ 3 bilhões para a linha Moderfrota no ano-safra 2018/19. Recentemente, o Governo remanejou R$ 470 milhões para essa linha de crédito, faltando R$ 2,530 bilhões de aporte para atender à demanda do momento”, destacou.

E os negócios não foram animados apenas a produtores que estiveram no evento. A feira recepcionou o maior número de delegações estrangeiras em 20 edições. Representantes de 71 países circularam pelo parque, com os mais diferentes interesses comerciais, com ênfase para tecnologia em máquinas e implementos agrícolas. Evaldo Silva Júnior, um dos coordenadores da Área Internacional, ressaltou que o trabalho superou a edição de 2018 não apenas em países representados, mas também pelo grande interesse dos importadores nos negócios brasileiros e investimentos. Nas últimas edições da feira, alguns países já procuram estrutura própria.

para apresentar seus produtos e serviços e também estabelecer negócios. A Alemanha, por exemplo, presente em várias edições, já usufruiu a estrutura do Pavilhão Internacional, mas hoje possui estande próprio. “A Expodireto Cotrijal, para chegar à sua internacionalização, deu alguns importantes passos neste sentido antes de conquistar esta condição. O resultado é que hoje recebemos aqui mais de 70 países, mas podemos ampliar bastante esta participação”, afirmou Silva Júnior.

Sucessão familiar e gestão de pessoas — Entre as atrações, o Fórum Jovem Cooperativista reuniu centenas de produtores no auditório central para acompanhar palestras com foco na sucessão familiar e em oportunidades digitais. Destaque para o público heterogêneo, composto por crianças, adolescentes, jovens, adultos e também por famílias. Como a família da agricultora e associada da Cotrijal Graciele Tieze, que levou ao fórum os filhos Wellington Alan, 14 anos, e Aniely Alana, nove, que queriam ver a palestra do youtuber Diogo Elzinga. “Vale a pena fazer parte da Cotrijal, eu não troco por nada. Sempre somos bem atendidos. O Wellington participa do fórum há quatro anos. Já a Aniely vem pela primeira vez”, contou Graciele. “O meu irmão não queria me trazer, dizia que eu era muito pequena. Mas agora eu participo. O bom da cooperativa é que conhecemos todo mundo e tem esses eventos”, revelou Aniely.

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Machado, da Emater, expôs sobre os benefícios da inoculação: investimento de apenas R$ 4,50 a R$ 9,00 por hectare propicia significativos ganhos ao produtor

Já em sua palestra, o professor da Universidade de Passo Fundo/RS (UPF) Benami Bacaltchuk sugeriu aos jovens anotarem tudo o que observam e, depois, questionarem o que foi feito. O tema da explanação dele foi “A inovação nos processos produtivos e sucessão familiar”, na qual explicou que o grande desafio não é, necessariamente, o uso da tecnologia mais avançada. Bacaltchuk também ressaltou que sucessão não é herança, alertando a dificuldade que os produtores têm na gestão de pessoas, sendo necessário buscar formas de unir as novidades trazidas pelos jovens com a experiências dos pais que administram as propriedades.
Emater em múltiplas atividades — A Emater/RS-Ascar ocupou uma área de dois hectares na feira e foi procurada por milhares de visitantes em suas oficinas, demonstrações, fóruns, seminários, troca de experiências e conhecimento. A instituição dividiu suas apresentações em 16 temas técnicos, além de oferecer o Recanto Temático, espaço em que, por meio de 22 cenários, apresentou a história e a evolução da erva-mate. Entre as diversas exposições, o agrônomo Rafael Machado apresentou a importância e os benefícios da inoculação da soja. “Oito por cento do tecido da soja é composto por nitrogênio, e, se esse nitrogênio fosse ofertado de forma mineral, a cultura seria inviabilizada dos custos”, esclareceu. “Por isso a importância da inoculação, e estamos aqui comentando sobre esse processo simbiótico tão eficiente que varia de R$ 4,50 a R$ 9,00 por hectare e propicia significativos ganhos para a cultura da soja na medida em que, anualmente, o produtor faça a inoculação.” (Mais nas seções Mercado e Gente do Fito)


EMBRAPA, 50 TECNOLOGIAS NUM SÓ AMBIENTE

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A Embrapa apresentou aos visitantes meia centena de tecnologias nas mais diversas áreas e atividades agrícolas e pecuárias. De lançamentos de cultivares de trigo e de diversas outras culturas ao anúncio do sistema de produção de erva-mate Erva 20, a orientação sobre o manejo de solos e inoculação de bactérias em soja, e até o lançamento do aplicativo Pastejando, que auxilia no planejamento forrageiro, além de explicar as combinações de espécies para integração lavoura-pecuária. Estiveram na vitrine tecnológica mais de 30 profissionais de dez unidades da Embrapa.

Um desses profissionais foi o pesquisador da Embrapa Trigo, Pedro Scheeren (foto), que divulgou os detalhes da nova cultivar de trigo da instituição, a BRS Belajoia, que ganhou tal nome em função do destaque na lavoura, com plantas apresentando bom vigor no desenvolvimento inicial com coloração de verde intenso. O porte baixo da BRS Belajoia permite maior aporte de adubação nitrogenada, potencializando os rendimentos que podem chegar a 4 mil quilos por hectare. O principal diferencial da cultivar é a sanidade, com resistência às principais doenças que afetam o desenvolvimento na Região Sul, como manchas, ferrugem da folha e oídio. “A sanidade da cultivar, principalmente na fase vegetativa, pode representar uma aplicação a menos de fungicida”, descreveu Scheeren. Conforme ele, a cultivar tem resistência ao vírus do mosaico do trigo, doença frequente nas lavouras, com perdas de 50% no cultivo, e que é uma ameaça importante, visto à baixa eficiência do controle químico, o que torna a resistência genética ainda mais relevante em áreas com histórico de incidência.