Fitossanidade

A melhor solução aos NEMATOIDES do milho

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O tratamento de sementes ainda é o método mais adequado para enfrentar os danosos nematoides que atacam o cereal. Mas outras ações também são indicadas, como o uso de híbridos resistentes

Mário Massayuki Inomoto, professor da Esalq/USP

Aimportância dos nematoides na cultura do milho tem sido reavaliada nos últimos anos, como já tem ocorrido nos EUA, onde já começa a existir uma atenção com os fitonematoides que não existia há dez anos; contudo, as perdas estimadas têm sido muito variáveis: de 60 até 2 mil quilos por hectare, enquanto, no Brasil, não há estimativas de perdas. Nos EUA, o aumento da importância dos nematoides em milho tem sido atribuído a três tecnologias cada vez mais aplicadas a essa cultura: 1) plantio direto; 2) transgenia; e 3) tratamento de sementes (TS). O plantio direto favorece os nematoides pelo aumento da umidade e pela diminuição do revolvimento e da temperatura do solo. Além disso, aumenta a disponibilidade de alimento aos nematoides polífagos, pois, no plantio direto, pressupõe-se que o solo mantenha uma cobertura vegetal durante o maior tempo possível. Antes da popularização da transgenia e do TS, grandes quantidades de inseticidas eram utilizadas nos EUA para controle de várias pragas do milho. Ocorre que alguns desses inseticidas possuem ação nematicida, portanto os agricultores controlavam os nematoides sem saber ao utilizar tais inseticidas, principalmente na aplicação via solo.

É inegável que a adoção das três tecnologias foi um grande avanço para a agricultura dos EUA, do ponto de vista ambiental e da saúde humana. Então o provável aumento das perdas causadas pelos nematoides em milho deve ser considerado um efeito colateral aceitável, mas que tem de ser combatido. É possível fazer um paralelo entre os EUA e o Brasil, na medida em que o plantio direto, a transgenia e o tratamento de sementes também são tecnologias muito utilizadas atualmente em nosso País. No entanto, há diferenças que merecem ser citadas. Alguns nematoides que são muito importantes em milho nos EUA, provavelmente os mais importantes, não ocorrem no Brasil. Mas há características do Brasil que talvez acentuem as perdas causadas pelos fitonematoides, como a ausência de uma época do ano em que a atividade desses parasitas seja totalmente paralisada, o que ocorre em regiões dos EUA com inverno rigoroso.

No Brasil, os nematoides mais importantes para o milho são: Pratylenchus brachyurus, Meloidogyne incognita, P. zeae e M. javanica. Justificando seus nomes vulgares, os nematoides-das-lesões (P. brachyurus e P. zeae) causam manchas escuras, geralmente muito longas, nas raízes; e os nematoides-das-galhas (M. incognita e M. javanica), galhas nas raízes, geralmente maiores quando causadas por M. incognita e menores quando por M. javanica. Todos provocam sintomas semelhantes na parte aérea: murchamento anormal, amarelecimento e redução de tamanho, resultando, frequentemente, em menor produção.

Atualmente, o nematoide-das-lesões P. brachyurus é o mais importante, pois a sucessão soja-milho o favorece muito. Tanto soja como milho são muito favoráveis à reprodução de P. brachyurus, e não há nenhuma cultivar de soja ou milho com elevada resistência. Felizmente, existem vários produtos para TS de milho visando ao controle de P. brachyurus. Pode parecer contraditório, pois o TS foi apontado como uma das causas do aumento da importância dos nematoides do milho, e então cabe uma explicação. Anteriormente à popularização do TS para controle de pragas, grandes quantidades de inseticidas eram aplicadas no solo. Alguns desses inseticidas tinham uma pequena ação nematicida, mas o controle era significativo devido às grandes quantidades aplicadas. No TS visando ao controle de pragas, as quantidades são menores, e, portanto, o controle dos nematoides é bem pequeno.

Por outro lado, no TS visando ao controle de nematoides, são utilizados nematicidas sintéticos ou biológicos (abamectina; fluensulfone; Bacillus firmus; B. amyloliquefaciens; B. methylotrophicus; Purpureocillium lilacinum; Trichoderma koningiopsis), ou seja, produtos com grande ação contra os nematoides. Outras opções são: 1) aplicação de nematicidas no sulco de plantio mistura de Bacillus licheniformis e B. subtilis ou em cobertura (B. methylotrophicus); 2) sucessão com crotalárias resistentes a P. brachyurus (Crotalaria spectabilis; C. ochroleuca; C. breviflora); e 3) uso de milho resistente. Não há nenhum milho altamente resistente a P. brachyurus, mas há alguns híbridos moderadamente resistentes.

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Na imagem comparativa, fica claro o efeito da ação do nematoide Pratylenchus zeae no crescimento vegetativo do milho

O nematoide-das-galhas mais perigoso para o milho é M. incognita. Para seu controle, há uma série de produtos biológicos que podem ser utilizados em TS e/ou sulco de plantio: Bacillus firmus; B. subtilis; B. amyloliquefaciens; Purpureocillium lilacinum; Trichoderma koningiopsis; mistura de Bacillus licheniformis e B. subtilis. Outras opções são sucessão com amendoim (método já validado nos EUA) e milho resistente. Como ocorre com P. brachyurus, não há nenhum milho altamente resistente a M. incognita, mas há alguns híbridos moderadamente resistentes.

O nematoide-das-lesões P. zeae é capaz de se reproduzir mais intensamente no milho que P. brachyurus, mas não é tão comum, pois não se reproduz ou se reproduz pouco em plantas de famílias que não as poáceas (gramíneas). Para seu controle, as opções são: 1) TS com abamectina; 2) aplicação de T. harzianum ou mistura de B. licheniformis e B. subtilis no sulco de plantio; 3) sucessão com culturas que não sejam poáceas; e 4) milho resistente. Também para P. zeae há somente híbridos moderadamente resistentes.

Por fim, há M. javanica, que é menos perigoso para o milho que M. incognita, por se reproduzir menos. Para seu controle, a principal opção são os produtos biológicos, praticamente os mesmos já citados nas linhas anteriores, acrescido de Pochonia chlamydosporia, geralmente para TS, mas alguns para aplicação no sulco de plantio ou cobertura. Outra alternativa são os milhos resistentes, e para M. javanica há alguns híbridos altamente resistentes. Em conclusão, atualmente, o principal método de controle dos nematoides do milho é o tratamento de sementes, sendo que alguns produtos podem ser recomendados para todos os principais nematoides do milho. Algumas sucessões podem ser valiosas para nematoides específicos, e, da mesma forma, alguns híbridos, resistentes.