Agricultura Familiar

Tabaco + duas safras = DIVERSIFICAÇÃO que faz bem

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Programa Milho, Feijão e Pastagens – iniciativa do SindiTabaco em parceria com a Afubra e os governos de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – agrega uma renda significativa aos produtores do tabaco

Uma prática eficiente de diversificação nas propriedades produtoras de tabaco é o cultivo de uma segunda safra anual, com o plantio de grãos e pastagem logo após a colheita do tabaco. Com isso, os produtores Fotos: SindiTabaco obtêm duas safras no ano, otimizando os recursos da propriedade e obtendo mais renda. Por isso, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) mantém o Programa Milho, Feijão e Pastagens após a colheita do tabaco, realizado em parceria com os governos de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e diversas entidades ligadas à agricultura. Segundo o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, o setor sempre apoiou a diversificação, porém observando se as iniciativas têm potencial para oferecer renda real aos produtores.

E o programa cumpre esse papel. Em atividade desde 1985, envolve produtores de tabaco de toda a Região Sul, incentivando o plantio de culturas subsequentes ao tabaco. Além da diversificação e da complementação de renda, outros benefícios são a proteção do solo e a interrupção do ciclo de proliferação de pragas, doenças e ervas daninhas. “Pesquisa recente demonstrou que 79% dos produtores de tabaco fazem algum tipo de rotação de culturas para reduzir a proliferação de pragas e ervas daninhas, e que cerca de 50% garante renda com outros produtos além do tabaco”, lembra Schünke.

Os dados mostram que a prática da safrinha subsequente ao tabaco realmente proporciona renda extra. Em 2018, o levantamento das estimativas de renda nas regiões produtoras da Região Sul mostrou que, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, o plantio de grãos na resteva do tabaco rendeu em torno de R$ 550 milhões aos produtores. Foram cultivados 110.948 hectares de milho e 17.377 de feijão, com expectativa de rendimento de R$ 414,2 milhões para o milho e R$ 68,3 milhões para o feijão. Os produtores de tabaco cultivam também outros grãos após a colheita, com destaque para a soja, que rendeu em torno de R$ 67,5 milhões nos 18.364 hectares plantados. Em relação às pastagens para alimentação dos animais, o cultivo foi significativo, com 40.391 hectares nos três estados. A seguir, o detalhamento da diversificação por estado:

Rio Grande do Sul: 64.578 hectares de milho e 4.277 de feijão. Com produção do milho estimada em 439.130 toneladas, o total da safrinha gaúcha chegou a R$ 220 milhões. Em relação ao feijão, a safra foi estimada de 5.988 toneladas, rendendo R$ 13,5 milhões. Ainda, 18 mil hectares foram utilizados para pastagens e 8.926 hectares plantados com soja, que renderam, aproximadamente, R$ 30,8 milhões.

• Santa Catarina: 55.619 hectares, entre milho, feijão, soja e pastagens, com rendimento estimado de R$ 190,7 milhões. A safrinha catarinense teve o plantio de 35.097 hectares de milho e 4.915 de feijão. Com produtividade média do milho estimada em 7,6 toneladas por hectare, o volume foi de 266.737 toneladas, e o total da safrinha de milho chegou R$ 152 milhões. Em relação ao feijão, a produtividade foi estimada em 2,6 toneladas por hectare, com safra de 12.779 toneladas e estimativa de R$ 24,9 milhões. O levantamento apontou, ainda, mais de 12 mil hectares de pastagens e 3.394 hectares de soja, com rendimento aproximado de R$ 13,8 milhões.

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O presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, explica que o setor do tabaco sempre apoiou a diversificação, mas observando se as iniciativas têm potencial para oferecer renda real aos agricultores

• Paraná: 1.273 hectares de milho e 8.185 hectares de feijão. Com produtividade média do milho estimada em 7,8 toneladas por hectare, o volume chegou a 87.929 toneladas, e o total da safrinha paranaense foi estimado em R$ 42,2 milhões. Em relação ao feijão, a produtividade foi estimada em 2 toneladas por hectare, com safra de 16.370 toneladas e R$ 29,9 milhões. Além disso, 10 mil hectares foram utilizados para pastagens e 6.044 hectares plantados com soja, com possibilidade de rendimento de R$ 22,9 milhões.

Parceiros — O Programa Milho, Feijão e Pastagens reúne a estrutura de campo das empresas associadas ao SindiTabaco e de técnicos das entidades apoiadoras, que oferecem assistência técnica e capacitação com o objetivo de divulgar as vantagens do plantio da safrinha e incentivar a diversificação. São parceiros, além dos governos dos três estados e a Afubra, também a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Fetag/RS), a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catariana (Fetaesc), a Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado Paraná (Fetaep) e o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).