Palavra de Produtor

CAPTURA DA RENDA AGRÍCOLA

Palavra

Engenheiro-agrônomo, produtor de soja, milho e gado em Nova Maringá/MT, especialista em Administração de Empresas, autor do livro Reflexões de um Alemão Cuiabano

O avanço de pesquisas, tecnologias, produtividade agrícola e comunicação em tempo real não significou, em nenhum momento, desde 1974, que a renda agrícola parou de cair. É um mistério o silêncio profundo que permeia a representação política da agricultura nesse tema tão importante. A mais relevante causa da expulsão do campo – ou seja, a renda – não é foco da luta na defesa de milhares de pessoas que, anualmente, são eliminadas das atividades agrícolas pela absoluta incapacidade de fazer frente aos custos de produção e à renda das populações urbanas. Um sinal evidente é a reduzida transição geracional, restando, no campo, uma população envelhecida. De outro lado, é necessário expurgar dessa análise os grandes conglomerados/ empreendimentos, que têm dinâmica própria numa inserção global e que pela escala lhes confere outro patamar de produtividade econômica. Milton Santos, renomado geógrafo, os inseria na denominada “agricultura científica globalizada”, lastreada em uma base eminentemente mercantil. Assim, os pequenos e médios empreendimentos sofrem por não poderem contar com esses meios/mecanismos para captar recursos financeiros, adquirir insumos no exterior, blindar os custos de produção com proteção cambial, comprar posições em bolsa. Enfim, é o voo da galinha.

A crise do sistema financeiro global, em 2008, fez principalmente os bancos centrais dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão emitirem trilhões de dólares, inundando os mercados com recursos a juros negativos, o que levou os rentistas globais a aplicarem em bolsas como a de Chicago, a...

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