Agribusiness

CAFÉ

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Lessandro Carvalho - [email protected]

Mercado aprofunda perdas com tranquilidade no abastecimento

O mercado internacional do café teve um março de intensificação das perdas. Os preços do café arábica na Bolsa de Mercadorias de Nova York aprofundaram as baixas e se distanciaram da linha de US$ 1 à libra-peso. No dia 25, NY fechou com o contrato maior em 94,25 centavos de dólar por libra -peso, acumulando baixa de 4,3% no mês. A tranquilidade no abastecimento global segue com o fator fundamental baixista, que tem feito o mercado testar níveis cada vez mais baixos. O mercado vive período de superávit na oferta contra a demanda, e, assim, há um peso permanente sobre as cotações da commodity. As incertezas nos mercados financeiros pelo mundo prejudicam uma recuperação do café nas bolsas de futuros. O mercado físico brasileiro de café seguiu fraco e com pouca atividade ao longo de março. O produtor até mostra mais interesse, mas adota uma postura cautelosa, aguardando alguma melhora na cotação para tentar fechar suas posições. Preocupa a morosidade das vendas antecipadas da safra brasileira de 2019. As exportações brasileiras continuam bem aceleradas, com embarques de 3,40 milhões de sacas de 60 kg em janeiro (verde + solúvel), um incremento de 37% em relação a igual período de 2018. A receita alcançou US$ 449 milhões, subindo 13% na comparação com fevereiro de 2018.


ALGODÃO

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Rodrigo Ramos - [email protected]

Pluma brasileira ganha competitividade

A combinação de altas expressivas na Ice Futures US e do dólar frente ao real permitiram que as cotações domésticas do algodão se elevassem e, mesmo assim, melhorassem a competitividade em relação à fibra norte-americana. No FOB exportação de Santos/SP, a fibra fechou cotada a 78,46 centavos de dólar por libra-peso no dia 21 de março, apenas 2,3% superior ao contrato spot em Nova York. “Esta é a menor diferença apresentada desde 17 de julho de 2018”, lembra o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. Há um mês, estava 9,4% acima, e, há um ano, 11,9%. No CIF de São Paulo, a indicação média ficou em R$ 2,92 por libra-peso também no dia 21 de março, acumulando ganhos de 1,13% ante o mesmo período do mês passado. “A alta em relação ao mês anterior confirma a interrupção da escalada de baixa que os preços do algodão apresentavam desde o início deste ano”, pondera o analista. “Com um grande excedente de produção em relação ao consumo, a paridade de exportação serve como balizadora para a formação de preços. No início de janeiro, o produto brasileiro estava 13% acima do norte-americano. “Então era normal que ocorresse um ajuste ao nível de paridade com o mercado externo”, explica Bento. “Vale lembrar que os negócios no disponível seguem bastante lentos, com os agentes focados na colheita e no escoamento da soja.”


ARROZ

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Rodrigo Ramos - [email protected]

Dólar e Chicago sustentam grão gaúcho

A alta do dólar frente ao real e dos preços do arroz na Bolsa de Mercadorias de Chicago trouxe suporte para os preços domésticos do cereal ao final da quarta semana de março, mesmo com o avanço da colheita. A cotação média da saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, foi cotada a R$ 39,54 no dia 21 de março, ante R$ 39,14 na semana anterior. A colheita da safra 2018/19 segue em evolução no Estado. Tinham sido colhidos, até aquele momento, 349.744 hectares, ou 35,5% do total semeado de 984.081. A produtividade média gaúcha é de 7.971 kg/ha. A região produtora da Planície Costeira Externa era a mais adiantada em área colhida, com 55.989 ha (49,6%) e produtividade de 7.608 kg/ha, seguida pelas regionais da Fronteira-Oeste, com 146.442 ha (48,6%) de área colhida e produtividade 8.192 kg/ha; Campanha, 40.754 ha (29%) de área colhida e produtividade 7.614 kg/ ha; Planície Costeira Interna, 40.132 ha (28,9%) de área colhida e produtividade 7.828 kg/ha; Zona Sul, 43.122 ha (27,7%) de área colhida e produtividade 8.169 kg/ ha; e Depressão Central, 23.305 (17,2%) de área colhida e produtividade 7.959 kg/ha. O engenheiro-agrônomo Vagner Martini dos Santos, responsável pela Coordenadoria Regional do Irga, destaca as condições climatológicas favoráveis como principal fator que contribui para o avanço da colheita.


TRIGO

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Dylan Della Pasqua- [email protected]

Mercado ainda estável, avaliando oferta externa

O mercado de trigo se aproximou do encerramento de março e, consequentemente, do primeiro trimestre do ano com volume de negócios baixo. A liquidez seguia reduzida principalmente porque houve um alongamento dos estoques por parte dos moinhos nacionais, bem como devido a uma baixa disponibilidade do produto no âmbito doméstico, obrigando as indústrias a buscarem o cereal no mercado externo. Dessa forma, os moinhos estão buscando aquisições pontuais, mais atrativas no mercado interno, como vem ocorrendo, enquanto também fazem a aquisição adiantada do produto, para entrega futura, aproveitando momentos de maior atratividade, tendo em vista as oscilações cambiais e de preços no mercado internacional, que aumentam os custos de importação. Para os preços domésticos, o mercado segue bastante estável, já que há baixa liquidez do produto, minimizando os incentivos gerados pelo mercado. Além disso, apesar de, inicialmente, o dólar trazer espaços para elevações do produto nacional, as paridades já se encontram bem ajustadas e sem maiores possibilidades de recuperação, mesmo neste período de entressafra e com a proximidade de seu pico. Para os próximos meses, a indústria avalia com preocupação a disponibilidade do trigo até o encerramento desta temporada. Os estoques, atualmente, são suficientes para chegar ao meio do ano, para moinhos de grande porte.


MILHO

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Dylan Della Pasqua - [email protected]

Mercado interno assume safrinha cheia e procura exportação

O mercado interno observou as ótimas condições da safrinha 2019 em março e decretou a convergência mais rápida dos preços internos para uma matemática de exportação. O câmbio ainda com uma boa curva para os próximos meses, a Bolsa de Chicago com preços levemente melhores e a intenção de venda melhorada no mercado interno ajudaram a reiniciar os fluxos de exportação, principalmente em localidades em que a comercialização estava mais lenta. Paraná e Mato Grosso do Sul haviam negociado muito pouco para a safrinha 2019. O movimento melhorou satisfatoriamente. Nos demais estados, a surpresa é a demanda para a safrinha 2020, já com negócios avançando. O mercado interno apresentou uma rápida mudança de ambiente na segunda quinzena de março. Cooperativas e comerciantes do Paraná e de Mato Grosso do Sul aceleraram as vendas de milho disponível e da safrinha 2019. Essa mudança de ambiente trouxe uma inversão completa na curva de preços, mesmo que ainda haja 60 dias de clima pela frente para definir a produção da safrinha. O contexto parece lógico, mas não se esperava que fosse tão rápido e contundente. Por um lado, os dois estados são os que ficaram com posições de estoque elevados oriundos de 2018, pelo fato de terem realizado exportações discretas no ano passado. O receio de uma safra de verão pequena e preços em alta pode ter gerado essa contenção para estoques da safra velha.


SOJA

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Dylan Della Pasqua - [email protected]

USDA corta projeção de estoques dos EUA em 2018/19

O relatório de março do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu sua estimativa para os estoques finais norte-americanos de soja na temporada 2018/19. A previsão para a produção foi mantida, estimada em 123,7 milhões de toneladas. Os estoques finais em 2018/19 estão projetados a 24,5 milhões de toneladas, contra 24,76 milhões em fevereiro. O mercado trabalhava com um número de 24,44 milhões de toneladas. O USDA indica estimativa de exportação para 2017/18 de 1,875 bilhão de bushels, repetindo os dados de fevereiro. A estimativa para o esmagamento foi elevada de 2,09 bilhões para 2,1 bilhões de bushels. O relatório projetou safra mundial de soja em 2018/19 de 360,08 milhões de toneladas – o número anterior era de 360,99 milhões. Os estoques finais foram elevados de 106,72 milhões de toneladas para 107,17 milhões. O mercado esperava por estoques finais de 106,3 milhões de toneladas. A projeção do USDA aposta em safra norte-americana de 123,66 milhões de toneladas, repetindo o relatório anterior. Para o Brasil, a previsão é de 116,5 milhões, abaixo das 117 milhões previstas em fevereiro, porém superando a estimativa do mercado, de 115,4 milhões. A previsão para a Argentina foi mantida em 55 milhões de toneladas. O mercado apostava em número de 55,2 milhões.