Palavra de Produtor

NOVO TEMPO

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Rui Alberto Wolfart

Ações do Governo Federal, ainda que pontuais, permitem visualizar retomada a um Projeto de Nação. Espera-se que o País esteja saindo de um longo período de submissão a uma ideologia e a interesses econômicos de terceiros países. Internamente, o povo foi saqueado em seus direitos fundamentais. O momento é de virada de chave. Em recente artigo, Affonso Celso Pastore definiu claramente o quadro brasileiro: “As nações fracassam porque suas instituições favorecem soluções extrativistas, e não as inclusivas”. E disse mais: “O capitalismo de cooptação não teria existido se não fossem favorecidas as instituições políticas e econômicas extrativistas que levaram à explosão da corrupção”. Entenda-se: extrativismo – método predador de extração; inclusiva – garantir a todos os benefícios que o desenvolvimento é capaz de proporcionar.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 23, consagra: “Todo homem tem direito ao trabalho (...)”. É momento da quebra de “verdades”, a exemplo da questão das populações indígenas, que, mesmo sendo constituídas por cidadãos brasileiros, são consideradas hipossuficientes pela Funai e por outros organismos públicos. O grito pelo fim dessa tutela veio no Primeiro Encontro de Indígenas Agricultores do Brasil, realizado em 13 de fevereiro, na Reserva Parecis/ MT. Declararam, com todas as letras, que a manutenção de suas populações e culturas passa pela liberdade econômica, que o viver de migalhas governamentais as faz fracas e dependentes, e que esse é o germe para a sua destruição e morte enquanto sociedades estruturadas. Essa manifestação dos líderes indígenas é derivada de uma longa luta encabeçada por tantos, entre eles, o cacique João Garimpeiro e o intelectual e poliglota indígena Daniel Cabixi.

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O discurso pregresso dos “não índios” foi desconstruído nesse encontro, o qual contou com a presença dos ministros Ricardo Salles e Tereza Cristina, além de tantas outras autoridades, as quais fizeram pronunciamentos de fé na mudança de políticas públicas para esses indivíduos. Esse momento significou o reencontro do Estado com o seu povo e suas aspirações. Mas toda a sociedade brasileira é regida pela Constituição Federal de 5 de outubro de 1988.

Todavia, são necessárias muitas ações do Executivo e do Legislativo no âmbito infraconstitucional, como na questão da renda agrícola ilustrada no quadro nesta página. É clara a perda de valor real da produção primária desde o último pico ocorrido em 1974. A população rural empobrece a cada ano que passa.

Engenheiro-agrônomo, produtor de soja, milho e gado em Nova Maringá/MT, especialista em Administração de Empresas, autor do livro Reflexões de um Alemão Cuiabano