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MÃO DE OBRA rural: cara, rara e especializada

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A sucessão rural e a mão de obra no campo passam pelos mesmos problemas. O agronegócio moderno exige trabalhadores especializados + treinados + permanentemente reciclados. E os jovens rurais preferem empregos nas “maravilhosas” cidades, enquanto os urbanos não querem saber de trabalho na agricultura e na pecuária. De 2012 a 2017, o aumento do salário médio real no campo foi 7% acima da inflação, e, nas cidades, a queda bateu em 4,6%

Engenheiro-Agrônomo Decio Luiz Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja

Um estudante de doutorado que trabalha comigo é filho de pais que eram proprietários de um sítio localizado no sertão da Paraíba, os quais geraram muitos filhos. Assim que atingiam a idade de frequentar o Ensino Médio, os filhos saíam de casa, para onde não mais voltavam após cursar a universidade. Um graduou-se em Zootecnia, outro, em Veterinária, outros, em Administração, Direito etc. Quando o pai não aguentou mais o sol inclemente e a busca sem sucesso de trabalhadores rurais, nenhum dos filhos aceitou administrar a propriedade. Foi aconselhado a vendê-la. Também não conseguiu. Para evitar perda total, doou-a ao irmão, lindeiro do sítio. Essa história não é única ou original, repete--se nas diferentes regiões do Brasil, especialmente onde aglomeram- se pe-quenas propriedades, que, por sua natureza, demandam mais mão de obra por unidade de área, e que tem dificuldades de automatizar as atividades no campo. Assim, sucessão rural e mão de obra no campo passam a ser problemas siameses, de grande vulto.

A população economicamente ativa (PEA) no Brasil é estimada, pelo IBGE, em 56%. Nos últimos cinco anos, a taxa de desemprego variou entre 9% e 12%, ou seja, de cada 100 cidadãos que procuram em...

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