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CAFÉ Safras aponta comercialização 2018/19 do Brasil em 68%

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Lessandro Carvalho - [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2018/19 (julho/junho) chegou a 68% até 14 de janeiro. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. Em dezembro, a comercialização avançou em quatro pontos percentuais. As vendas estão atrasadas em relação ao ano passado, quando 71% da safra 2017/18 estava comercializada até então. A comercialização está também abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 72% para esta época. Com isso, já foram comercializados 43,42 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2018/19 de café brasileira de 63,7 milhões de sacas. Segundo o consultor Gil Barabach, as vendas por parte dos produtores perderam fôlego no último mês de dezembro e estavam lentas no início de janeiro. As vendas de arábica avançaram de forma mais compassada, com o produtor comprometendo 65% da safra. O percentual comercializado continua abaixo do mesmo período do ano passado (69%) e também aquém da média para o período (71%). Já as vendas de conilon alcançam 77% da safra, abaixo de igual época do ano passado (78%), mas acima da média de cinco anos (75%). A produção deve reduzir neste ano, sinalizando ficar entre 50,48 milhões e 54,48 milhões de sacas beneficiadas, devido à influência da bienalidade negativa nos cafezais.


ALGODÃO NY e dólar interrompem tendência de baixa do algodão no Brasil

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Rodrigo Ramos - [email protected]

A combinação de alta no mercado internacional e de valorização do dólar em relação ao real permitiu que os preços domésticos interrompessem a tendência de baixa ao final da terceira semana de janeiro. No dia 17 de janeiro, a média no Cif de São Paulo ficou em R$ 2,95 por libra-peso, alta de 0,7% em relação à véspera. Em relação a igual momento do mês anterior, ainda havia retração de 1,99%. Em um ano, houve elevação de 5,36%. A Bolsa de Nova York (ICE Futures) para o algodão fechou com preços mais altos no acumulado da terceira semana. Notícias de que o governo norte-americano está debatendo a possibilidade de suspender tarifas de importação da China para acalmar os mercados deram sustentação ao algodão e a outras commodities. Isso pode atenuar a preocupação com os conflitos comerciais entre os dois países. Com bons volumes negociados de forma antecipada, os vendedores seguem pouco flexíveis em relação às suas pedidas. No Mato Grosso, por exemplo, segundo o Imea, os produtores já negociaram 90,21% da safra 2017/18. Em dezembro, esse número era de 86,56%. Em igual período do ano passado, 90,11%. Da safra 2018/19, a comercialização chega a 66,57%. Em igual período do ano passado, era de 63,39%. Em dezembro estava em 65,27%. A produção do Mato Grosso está projetada em 1,590 milhão de toneladas.


ARROZ Preço esboça leve reação com possíveis perdas na safra gaúcha

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Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional, encerrou a terceira semana de janeiro com leve recuperação nos preços. Conforme o analista de Safras & Mercado Gabriel Viana, os players começam a precificar as perdas na safra nova causadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul. Na média do estado, o preço da saca de 50 quilos do arroz irrigado em casca ficou em R$ 40,09 no dia 17, alta de 0,12% em uma semana e 8,2% superior a janeiro de 2018. “O recuo da ponta compradora, seja por questão estratégica ou pelo período de recessos nas indústrias, varejos e demais compradores, faz com que o mercado brasileiro viva um período de instabilidade para os preços do arroz”, explica o analista. “No geral, o mercado tem o sentimento de que, com a redução da produção da safra nova, os preços devam voltar a subir, ainda que sem muita intensidade, nas próximas semanas”, prevê Viana. Quando se leva em conta a sazonalidade do mercado de arroz no País, março e abril são os meses com menores preços no ano. Conforme relatório da Emater, predomina, no Rio Grande do Sul, a fase de desenvolvimento vegetativo, com 68% das lavouras, e floração, com 25%. A cultura apresenta desenvolvimento normal e adequado, e condição fitossanitária boa, excetuando-se áreas onde ocorreu alagamento pelo transbordamento de rios e arroios, especialmente na Fronteira-Oeste e na Campanha.


TRIGO Lado da oferta segue pouco flexível para negociar

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Gabriel Nascimento - [email protected]

Após a quebra da safra brasileira de trigo em 2018, a tendência para o restante do ano comercial é de alta nos preços, visto que não haverá trigo nacional de qualidade para suprir a demanda interna. Segundo analistas de Safras & Mercado, haverá necessidade de elevar o volume de importação. A Argentina, principal fornecedor, deve ter crescimento nos seus excedentes exportáveis. Os custos de importação estão elevados, levando em conta a alta dos preços no mercado argentino e a valorização do dólar em relação ao real. Para o grão brasileiro, a tendência é que, além da boa parcela de baixa qualidade escoada ao mercado internacional, outra parte será negociada no Brasil. Grandes volumes já foram importados, e não devem haver mais exportações representativas. Os moinhos seguem recebendo volumes expressivos de cereal importado, o que permite que se coloquem em uma posição defensiva quando se trata de negociações no âmbito doméstico. No Paraná, o comprador consegue oferta de quem precisa liberar espaço para acomodar a safra de verão nos armazéns. No Rio Grande do Sul, os lotes com a qualidade prejudicada pelo excesso de chuvas foram, em grande parte, colocados no mercado internacional. A percepção de que haverá escassez de oferta interna faz com que os vendedores com cereal de qualidade superior estejam pouco flexíveis em suas pedidas.


MILHO Plantio da safrinha tem início recorde em 2019

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Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho está registrando um início de plantio recorde para a safrinha em 2019, com cerca de 11,5% da área estimada de 11,187 milhões de hectares até o dia 18 de janeiro, contra 2% no mesmo período de 2018. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, esse ritmo intenso nas atividades de cultivo, especialmente nos estados do Paraná e Mato Grosso, se deve à estiagem registrada nas lavouras de soja em dezembro, que fizeram com que o ciclo produtivo da oleaginosa fosse antecipado em, pelo menos, dez dias. Molinari sinaliza que, com baixos preços previstos para o segundo semestre e com custos produtivos em elevação, a expectativa é de que a segunda safra seja cultivada com baixos níveis de tecnologia por parte dos produtores nesses estados. Por outro lado, em estados como Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul, a expectativa é que os níveis de tecnologia sejam mantidos nas lavouras. Com um ciclo de cultivo precoce, os riscos climáticos são menores. Mas, em um ano neutro entre os fenômenos La Niña e El Niño, no qual os modelos não conseguiram apontar uma estiagem combinada de altas temperaturas para a safra de verão, é preciso que os produtores estejam ainda mais focados no clima, com o risco de um corte de chuvas Média dos preços do milho entre abril e maio. “Um plantio antecipado pode reduzir o risco climático, mas não é garantia de uma boa produção”, alerta.


SOJA Em ano desafiador, guerra comercial e estiagem merecem atenção

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Dylan Della Pasqua - [email protected]

O ano promete ser desafiador ao produtor brasileiro de soja. No lado da produção, a expectativa é de mais uma grande safra, com a área plantada na temporada 2018/19 – ano comercial 2019/20 – recorde de 36,4 milhões de hectares (+4%). As produtividades esperadas são um pouco inferiores às da safra anterior na maior parte dos estados, visto que o clima, em 2017/18, promoveu recordes produtivos em diversos estados. E os problemas climáticos enfrentados em dezembro de 2018 no PR e no MS também impactarão negativamente na produtividade média do País. A questão envolvendo a guerra comercial entre EUA e China deve continuar como fator central para o mercado em 2019, definindo rumos de Chicago, prêmios e câmbio. A imposição, por parte da China, de uma tarifa de 25% sobre a soja norte-americana bagunçou o mercado no segundo semestre de 2018. As compras chinesas foram deslocadas para os portos brasileiros, o que trouxe uma grande elevação nos prêmios de exportação e preços no Brasil. Neste cenário, os prêmios brasileiros deverão recuar ainda mais, enquanto Chicago tende a voltar a trabalhar em patamares mais elevados. “Havendo acordo, as exportações brasileiras, em 2019, deverão ser menores que as registradas em 2018, com a China voltando parte de sua demanda para os EUA”, afirma o analista de Safras Luiz Fernando Roque. E o dólar tende a ser novamente o fiel da balança.