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A 8 ABERTURA DA COLHEITA DO MILHO NO RIO GRANDE DO SUL

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Tenho tido a oportunidade de, como presidente-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), praticamente participar de quase todas as aberturas oficiais da colheita do milho promovida pela nossa Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho), antes realizada pelo nosso querido companheiro Claudio de Jesus e, neste ano, pelo Ricardo Meneghetti. Com o prestígio do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, da Secretaria da Agricultura, da Emater/RS, da Embrapa e dos órgãos estaduais e privados de pesquisa. E também com a colaboração de diversas empresas e produtores rurais. Confesso que, neste ano, voltei ao Rio Grande do Sul com enorme satisfação pelo que pude presenciar nesta 8ª Abertura Oficial da Colheita do Milho, em Santo Ângelo.

Em primeiro lugar, a participação atenta e ativa dos nossos produtores da região sulina que vieram de longas distâncias para participar ativamente nos debates prévios promovidos pela Apromilho e pela Festa Nacional do Milho (Fenamilho). As questões ali colocadas e quase sempre aparteadas pelos produtores presentes demonstraram claramente o grande interesse em ampliar, de forma objetiva, a produção de milho do Rio Grande do Sul, ainda hoje dependente de importações de estados vizinhos ou de outros países. Em segundo lugar, o meu entusiasmo por realizar mais uma colheita em produtores que, com a irrigação, obtiveram produtividade acima de 240 sacas por hectare, o que é, sem dúvida, um recorde nacional. Em terceiro lugar, a minha satisfação pelo que ouvi no ato da colheita com as afirmações de produtores, líderes, entidades associativas, líderes políticos e do próprio governador, que, num pronunciamento sério e muito tranquilo, procurou não esconder as dificuldades pelas quais passa o governo no Rio Grande do Sul, no entanto, apontando, de forma clara e com muita firmeza, os caminhos que pretende seguir na recuperação econômica, social e produtiva, de forma a recolocar o seu estado no caminho do desenvolvimento produtivo e sustentável. Ele afirmou, de forma inequívoca, saber que o grande potencial do Rio Grande do Sul é a sua agropecuária. Creio que inspirou grande conconfiança neste início de sua gestão, afirmando ter sido esta a primeira visita que faz à uma região produtiva depois de sua posse.

Da mesma forma, os prefeitos e as lideranças políticas ali reunidas não deixaram de demonstrar o seu conhecimento seguro com o apoio prometido à ação governamental. De forma idêntica, as empresas produtoras de insumos, nas cadeias para a produção de milho não deixaram de manifestar o seu interesse e as suas ações para cumprir a importante missão de abastecer toda aquela região dos insumos necessários a essa evolução. O que mais gostei foi o comprometimento de todas as autoridades ali presentes num foco que considero principal, que é o aumento da produção de grãos – e, com eles, o milho – no Rio Grande do Sul, pela irrigação.

Tenho acompanhado, nesses últimos anos, a evolução da irrigação de grãos no Rio Grande do Sul. Vi que seus últimos governantes, tanto da esfera estadual como da municipal, têm colocado a irrigação como ponto principal para o aumento não só da produtividade, mas, principalmente, para viabilizar a segunda safra em muitas regiões e a terceira safra, mesmo que seja a última com uma cultura de inverno (aveia, cevada, trigo ou pasto irrigado). Tenho presenciado que essa irrigação vem se desenvolvendo em todo o estado, com ênfase na Região das Missões, hoje, grande centro produtor do Rio Grande do Sul. O que mais tem me despertado é que essa irrigação está sendo realizada com muita competência pelos produtores gaúchos, usando as diversas tecnologias mais avançadas na irrigação. Ali, já tive oportunidade de ver até a subirrigação, inclusive através de canos porosos entre 30 e 40 centímetros de profundidade, nos quais também está se colhendo o milho acima de 240 sacas por hectare. Insisto em dizer que isso já está acontecendo no Rio Grande do Sul, importante território agrícola e pecuário brasileiro.

As afirmativas do governador e de todas as lideranças foram sempre no sentido de facilitar e apoiar, com os instrumentos que detêm um grande avanço no uso dessa tecnologia, que, se puder ser estendido a todo território nacional, conseguirá dobrar ou, praticamente, triplicar a produção na mesma área em que hoje cultivamos (menos de 8% do nosso território), e sem a necessidade de derrubar uma árvore sequer, em qualquer dos nossos biomas. Entendi, claro, que o gaúcho está convicto que essa é a forma mais barata, rápida e viável (dentro das condições difíceis pelas quais passa economia brasileira), e que nos dará a necessária competitividade de produtos no mercado internacional, que o Brasil poderá entregá-los em melhor qualidade, menor preço e constância na oferta. Vejam, essa é, hoje, a grande expectativa que o mundo coloca na capacidade produtora brasileira, na certeza de que o nosso País, com sua nova agricultura tropical sustentável, é o único capaz de garantir a segurança alimentar de um mundo demandador nestes próximos 30 anos.

Por último, o que mais me alegrou foi que, na obrigação de uma viagem, nas terras gaúchas, de quase sete horas por estradas de rodagem asfaltadas ou não, vi com emoção que aquelas terras, especialmente da região missioneira, quando pela primeira vez a visitei, só havia pastos naturais com a predominância (do capim-barba-de-bode) de péssima qualidade. E, agora, nessa visita, 45 anos depois, vejo essa região totalmente plantada, segundo os meus amigos da família Bebe, o agricultor aqui já está plantando até nos vasos de flores de suas esposas para não perder nenhum espaço e dar a essa terra – hoje, generosa – o que ela mais quer: produzir alimentos. Parabéns, gaúchos! Vocês, mais uma vez, estão na frente.

Engenheiro-agrônomo, produtor, presidente-executivo da Abramilho e ex-ministro da Agricultura