Milho

O AMBIENTE de preços para 2019

O mercado vive um novo tempo nos últimos dois anos, cujas mudanças no universo político alteram os preços. E a provável alta safra americana, a boa safrinha brasileira e o câmbio deverão complicar a cotação do milho

Paulo Molinari, consultor de mercado de Safras & Mercado

Acaracterística do mercado de commodities é de utilizar o perfil sazonal dos seus quadros de oferta e demanda mais os fatores econômicos para definir uma trajetória de preços. Entretanto, a velocidade das informações e a maior facilidade para investidores adotarem decisões de compra e venda nas bolsas de commodities vêm tornando essa atividade um pouco mais abrangente do que simplesmente for observado nos quadros fundamentais. Porém, está se vivendo um novo tempo nos últimos dois anos, de fortes mudanças nos ambientes políticos interno e externo, os quais podem alterar profundamente os preços das commodities daqui para frente. O ano de 2019 é diferente, com outras variáveis, inclusive políticas, que podem trazer trajetórias distintas em relação a 2018.

Este ano tem um perfil diferente se comparado a 2018. Não há um processo eleitoral interno para gerar volatilidades cambiais agressivas como no ano passado e produzir ambientes especulativos mais positivos para os preços internos. Um sucesso nas mudanças de política econômica trará o investidor internacional novamente a ativos brasileiros, ou seja, entrada forte de capitais. O segundo ponto é a guerra comercial entre Estados Unidos e China, a qual não tem data para terminar, mas já estabelece uma tendência bastante clara, ou seja, o corte de área plantada com soja nos Estados Unidos em 2019. Muito provavelmente, esse corte abrirá espaço para alguma elevação do plantio com milho. Sem considerar fatores de clima, haveria um segundo semestre de 2019 com boa oferta mundial e dificuldades para que os preços do milho na Bolsa de Chicago encontrem espaço para altas. Apenas um corte de produção por clima poderia mudar este ambiente internacional.

América do Sul — No ambiente interno, há essa definição de safra de verão na América do Sul, que foi surpreendida pela estiagem em dezembro. O ponto central é de que o milho dispõe de um quadro de safra de verão mais ajustado ao nível de demanda do primeiro semestre, e isso facilita uma composição de preços melhores no primeiro semestre. Nessa combinação de fatores, ou seja, safra norte-americana com tendência de um melhor plantio e potencial de produção maior, safrinha plantada em uma ótima janela e potencial favorável de produção e um câmbio podendo apontar para valorização devido ao sucesso do novo Governo brasileiro, implica preços mais problemáticos para o segundo semestre no mercado brasileiro. Somente uma quebra nos Estados Unidos e/ou um câmbio com forte desvalorização no Brasil poderia reverter essa expectativa.