Agribusiness

CAFÉ Preços reagem e superam US$ 1,20 a libra-peso em NY

Agribusiness

Lessandro Carvalho - [email protected]

Os preços do café arábica subiram ao longo de outubro na Bolsa de Nova York (Ice Futures), que baliza a comercialização internacional. A queda do dólar contra o real no Brasil, em meio ao cenário de eleições presidenciais, e correções técnicas levaram o mercado a avançar da faixa de US$ 1 a libra-peso para mais de US$ 1,20 (até 23/10). No Brasil, as cotações também subiram acompanhando esse movimento da bolsa. Segundo o consultor de Safras & Mercado Gil Barabach, “o movimento de alta é liderado por fundos, que buscam reduzir o tamanho de sua exposição vendida. O dólar em baixa, especialmente frente ao real, ajuda a dar suporte às cotações do arábica na bolsa nova-iorquina”.O consultor afirmou que “trata-se de um movimento corretivo, após as perdas exageradas anteriores, que levaram a cotação do café abaixo da linha de 100 cents na Ice”. Ele destaca que essa atividade, por enquanto, não tem consistência fundamental. Por isso, o mercado ainda está vulnerável a mudanças bruscas de comportamento, superada a realocação da carteira dos fundos. Os fundamentos seguem baixistas diante da ampla oferta global, superavitária em relação à demanda. Há tranquilidade no abastecimento em ano de safra recorde no Brasil, com outras importantes origens entrando agora, ao final de 2018, também com grandes safras. No mercado físico brasileiro de café, o movimento de alta ganhou intensidade, seguindo as altas externas.


ALGODÃO Brasil perde competitividade com dólar mais baixo

Agribusiness

Rodrigo Ramos - [email protected]

Com o dólar ainda muito volátil e acumulando seguidas quedas frente ao real, que se valorizou com o cenário eleitoral, os preços do algodão vão se tornando menos competitivos no mercado externo. Conforme o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, com a atratividade do mercado externo reduzindo, os agentes do lado da venda passaram a flexibilizar as pedidas e a focar no âmbito interno. “Isso levou algumas indústrias a aproveitar o momento para voltar às compras”, completa. “No entanto, de olho na relação dos preços domésticos frente às indicações externas, os compradores ainda relutam em assumir uma postura mais agressiva para recompor estoques, pois acreditam em preços mais atrativos”, pondera. Corrobora para essa postura a fraqueza que se verifica no lado da demanda de produtos têxteis no País diante das incertezas políticas e econômicas.

A safra em pluma na temporada 2018/19 está estimada entre 2,084 milhões e 2,320 milhões de toneladas, avanço de 3,9% a 15,7% na comparação com as 2,005 milhões de toneladas indicadas na safra 2017/18. Os números fazem parte do primeiro levantamento da Conab para a safra 2018/19. A produtividade está estimada em 1.639 quilos em pluma por hectare, ante 1.708 quilos na temporada 2017/18. A área plantada está estimada entre 1,271 milhão e 1,414 milhão de hectares, elevação de 8,2% a 20,4% na comparação com os 1,174 milhão de hectares da safra passada.


ARROZ Mercado gaúcho perde força e começa a cair em outubro

Agribusiness

Rodrigo Ramos - [email protected]

Os preços do arroz gaúcho, principal referencial nacional, caíram em outubro. “O fim do ciclo de alta nas cotações se dá pelo forte movimento de queda do dólar frente ao real, além da diminuição das compras por parte das indústrias e de exportadores”, explica o analista de Safras & Mercado Gabriel Viana. O preço médio no RS era de R$ 44,74/saca de 50 quilos em 23 de outubro. Em relação a igual período do mês anterior, a retração era de 2,65% (saca a R$ 45,86). Na comparação com igual momento de 2017, o avanço era de 22,62% (R$ 36,41). A safra brasileira em casca, em 2018/19, está estimada entre 11,044 milhões e 11,854 milhões de toneladas, recuo de 8,4% a 1,7% na comparação com as 12,064 milhões em 2017/18. Os números são da Conab.

A produtividade está estimada em 5.989 quilos/hectare, ante 6.119 quilos em 2017/18. A área, em 2018/19, está estimada entre 1,856 milhão e 1,976 milhão de hectares, retração de 6,4% a avanço de 0,2% na comparação com os 1,972 milhão da safra passada. O RS deverá colher uma safra em casca de 7,736 milhões a 8,385 milhões de toneladas, recuo de 8,6% a 0,9% ante 2017/18 – 8,460 milhões de toneladas. Santa Catarina, segundo maior produtor, deve colher entre 1,094 milhão e 1,105 milhão de toneladas, queda de 5% a 4% sobre 2017/18 (1,151 milhão). Mato Grosso deverá ter uma safra 2018/19 de 344,5 mil a 459,8 mil toneladas (-29,7% a 6,2% sobre 2017/18, de 490,2 mil toneladas).


TRIGO Clima desfavorável preocupa agentes no Sul do Brasil

Agribusiness

Gabriel Nascimento - [email protected]

O mercado de trigo está atento ao clima, que se mantém desfavorável à cultura na reta final da safra. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, a manutenção das chuvas no Paraná atrasou os trabalhos de colheita. Apesar do bom avanço nos últimos dias de outubro, algumas regiões registram atraso. Há possibilidade de maiores perdas, além das já confirmadas. No Rio Grande do Sul, era esperado novo avanço significativo no final de outubro, com melhora parcial do clima, entretanto, perdas de rendimento e qualidade em algumas das regiões não são descartados. O Departamento de Economia Rural (Deral), do Paraná, informou que a safra 2018 deveria registrar uma produção de 2,959 milhões de toneladas, com área de 1,096 milhão de hectares.

Conforme boletim da Emater gaúcha, as chuvas recorrentes e os dias nublados traziam apreensão aos produtores, que receavam perdas em qualidade do produto com a maior exposição do grão em maturação à umidade ambiente. Foi ainda observada a ocorrência de doenças, que tendem a diminuir a produtividade das lavouras e a depreciar a qualidade dos grãos colhidos. Até 18 de outubro, a colheita chegava a 10% da área, com produtividades em torno de 2,9 toneladas por hectare e qualidade entre regular e boa.


MILHO Pressão de venda por parte de tradings derruba preços

Agribusiness

Arno Baasch - [email protected]

O mercado de milho chegou ao final de outubro com um movimento de queda nos preços. Para o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, as alterações cambiais com a expectativa de vitória de Jair Bolsonaro trouxeram mudanças na comercialização. Durante outubro, houve uma valorização do real, o que acabou contribuindo para uma retração nos preços em portos e no mercado doméstico, gerando entraves à exportação pelas tradings. Ele destaca que, apostando em preços maiores no mercado interno nos meses finais do ano, muitas tradings optaram em deixar de exportar entre julho e agosto. “As exportações até foram bem em setembro, mas, com a mudança do câmbio e a apreciação do real frente ao dólar em outubro, muitas tradings, agora, encontram dificuldades para negociar o milho, por conta da queda agressiva nos preços.”

Para ele, a demanda interna nos próximos meses não será suficiente para absorver todos os volumes que deixaram de ser exportados. “Será preciso dar um escoamento ao cereal na exportação, mesmo que a preços mais baixos, diante da necessidade de liberação dos espaços nos armazéns para o ingresso da safra nova de soja em janeiro”, sinaliza. Por outro lado, entende que esse movimento de baixa nos preços poderá ser reduzido a partir do começo de 2019, pela dificuldade na contratação de fretes para o escoamento do cereal a longas distâncias, devido à prioridade da soja.


SOJA Safras eleva estimativas de produção para 121 milhões de toneladas

Agribusiness

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A produção brasileira de soja em 2018/19 deverá totalizar 121,056 milhões de toneladas, com aumento de 1,4% sobre a safra da temporada anterior, de 119,42 milhões. A previsão é de Safras & Mercado. Com as lavouras em início de plantio, Safras indica aumento de 3,4% na área, que deverá ficar em 36,382 milhões de hectares. Em 2017/18, o plantio ocupou 35,802 milhões de hectares. O levantamento indica que a produtividade média deverá passar de 3.409 quilos/ hectare para 3.344 quilos. Os produtores estão demonstrando um pouco mais de segurança neste momento, por isso houve aumento da estimativa de área para alguns estados. “A boa safra do ano passado e os preços elevados da oleaginosa são o principal fator de incentivo ao aumento da área de soja”, explica o analista de Safras Luiz Fernando Roque.

As exportações deverão totalizar 79 milhões de toneladas no ano comercial 2019/20 – de fevereiro de 2019 a janeiro de 2020 –, mesmo volume estimado para 2018/19. Safras indica esmagamento de 40 milhões de toneladas em 2019/20 e de 41,8 milhões de toneladas em 2018/19, recuo de 4% entre uma temporada e outra. “Sem um acordo entre EUA e China, as exportações devem continuar muito fortes na nova temporada (safra 2018/19). Tal fato irá ‘enxugar’ a oferta do mercado interno, apertando os estoques, mesmo com a tendência de uma nova safra recorde”, explica o analista.