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As MÁQUINAS para colheita das sementes

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A regulagem de uma colhedora para minimizar as perdas e os danos aos grãos é uma tarefa complexa, pois, ao se reduzir a agressividade da trilha, aumentam-se as perdas. E vice-versa

Doutores Emerson Fey, professor adjunto de Agronomia do Centro de Ciências Agrárias (CCA), e Flavio Gurgacz, professor adjunto de Engenharia Agrícola do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas; Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)

As colhedoras de grãos possuem sistemas com mecanismos para corte, alimentação, trilha, separação, limpeza, armazenamento e distribuição de resíduos. Quanto ao sistema de trilha, as colhedoras podem ser classificadas quanto ao fluxo de material em dois tipos:

• Colhedora de fluxo radial e separação por saca-palhas: na qual o material colhido flui perpendicularmente ao eixo de um conjunto de cilindro trilhador e côncavo, e a separação ocorre pela agitação da palha nos saca-palhas.

• Colhedora de fluxo axial: o material colhido flui paralelamente ao eixo do conjunto de cilindro trilhador, também chamado rotor, e côncavo, ocorrendo a trilha na primeira parte e a separação por ação centrífuga na parte final.

Ainda existem colhedoras com sistemas híbridos que utilizam partes dos dois sistemas, como, por exemplo, um sistema de cilindro e côncavo com fluxo radial para trilha e um sistema de fluxo axial para separação. Os demais sistemas, como limpeza, transporte e armazenamento de grãos, geralmente, possuem os mesmos princípios de funcionamento e componentes, variando apenas algumas particularidades, como dimensões, formas de acionamento etc. Algumas considerações sobre os dois sistemas de trilha devem ser observadas para a escolha de cada sistema, no momento da aquisição de um equipamento de colheita.

No sistema de fluxo radial, os grãos Leandro Mariani Mittmann são trilhados em uma pequena parte da circunferência do cilindro. Nesse ponto, que corresponde à área radial do côncavo (em torno de 110°), a trilha deve ser intensa para que os grãos sejam destacados da parte vegetativa das plantas. Após a trilha, o material que sofreu atrito e compressão, formando uma espécie de “colchão de palha”, segue para o sistema de separação, composto por um separador chamado batedor, que tem por função desfazer esse “colchão de palha” e possibilitar a separação dos grãos trilhados anteriormente, por um mecanismo chamado de saca-palhas. Esse mecanismo transporta o material de forma livre sobre um conjunto de calhas oscilantes, que tem por função agitar a palha e promover a separação dos grãos soltos em meio à massa da palha. Em geral, esse tipo de sistema tem baixo consumo de potência de acionamento e bom desempenho, quando o material colhido apresenta baixo teor de umidade e o volume não é muito elevado.

Já nos sistemas de fluxo axial, o envolvimento do rotor pelo côncavo é maior, e a trilha ocorre pela passagem de material por várias vezes (voltas) sobre o côncavo. Logo após a trilha, o material flui pelo sistema de separação que é uma continuação do conjunto mecânico (rotor), e a separação dos grãos trilhados ocorre pela movimentação da palha promovida pelo movimento de rotação do rotor, que força o material sobre a grelha do sistema de separação (força centrífuga para separar os grãos da palha). Esse tipo de sistema, geralmente, é mais eficiente na separação dos grãos em meio à palha com maior teor de umidade e volume, porém consome maior potência de acionamento.

Figura 1 - Diagrama de uma colhedora de fluxo radial

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Em um ensaio de campo realizado com uma colhedora axial e outra radial, na colheita de soja (safra 2017/18), com baixo teor de umidade (10%), foram coletadas amostras no bandejão e no tanque graneleiro, e comparadas com amostras (testemunha), cujos grãos foram colhidos e trilhados manualmente, antes da passagem da colhedora sobre a parcela (Figura 3).

Figura 2 - Esquema de uma colhedora de fluxo axial

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Agressividade aos grãos — Os dados mostram maior porcentagem de grãos quebrados, principalmente no sistema radial em relação à testemunha, mostrando que a maior agressividade de trilha radial reflete na qualidade dos grãos colhidos, tanto na produção de sementes quanto na de grãos. Ainda é possível verificar acréscimo na porcentagem de grãos quebrados desde o bandejão até o tanque graneleiro, o que nos faz refletir sobre os efeitos que os mecanismos internos das colhedoras, como helicoides transportadores, elevadores de pás de grãos limpos e retrilha podem causar nos grãos, principalmente quando o sistema de trilha proporciona danos latentes aos mesmos. Para reduzir os danos aos grãos colhidos, é importante ressaltar alguns aspectos sobre configuração e regulagem de cada tipo de colhedora para reduzir a porcentagem de danos, uma vez que as colhedoras avaliadas não sofreram intervenção (regulagens e/ou configurações) antes da realização das amostragens:

Figura 3 - Porcentagem de grãos quebrados de soja colhidos com dois tipos de colhedoras (axial e radial) em ensaios de campo em Maripá/PR, safra 2017/18

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a) Alimentação uniforme do sistema de trilha com a cultura a ser colhida pela plataforma de corte e canal alimentação (elevador de palhas), pois, dessa forma, o atrito e a compressão do material para a trilha será constante; quando a alimentação é desuniforme, a entrada de maiores quantidades de material em pulsos aumenta o atrito e a compressão, podendo aumentar a porcentagem de danos às sementes;

b) Utilização do côncavo adequado para a colheita da cultura naquelas condições; os côncavos, tanto das colhedoras de fluxo radial quanto das de fluxo axial basicamente, se diferenciam em relação ao número de barras, ao tipo de barras (chatas ou redondas), ao espaço entre os arrames ou grelhas para a passagem de grãos e palhiço (palhas e resíduos de tamanho pequeno) que irão diretamente para o sistema de limpeza; quanto maior o número de barras (barras mais próximas), as barras são chatas (possuem arestas), menor o espaço entre arrames e maior a altura das barras em relação aos arrames, mais agressiva é a trilha e, consequen-temente, maior é o risco de danificar as sementes; considera-se que a trilha esteja funcionando bem quando aproximadamente 80% dos grãos são separados da palha e apenas 20% ou menos dos grãos são separados da palha pelos sistema de separação (batedor e saca-palhas ou rotor axial);

c) Redução do fluxo de grãos para a retrilha ao mínimo possível, pois cada vez que grãos retornam à trilha (cilindro radial ou rotor axial) ou mesmo para uma retrilha independente montada final do próprio elevador de retrilha, os grãos sofrem impactos mecânicos durante o “reprocessamento”;

d) O ajuste do número de voltas que o material realiza durante a trilha e a separação no rotor axial também in-terfere nos danos às sementes, nos quais um número maior aumenta a eficiência de trilha, mas pode também causar maiores danos.

Em resumo, não é uma tarefa simples regular a colhedora para que as perdas e os danos sejam mí-nimos, pois, geralmente, a condição ótima para um aspecto e contrária do outro, ou seja, quando se reduz a agressividade da trilha, aumentam-se as perdas de grãos, e vice-versa. Para dificultar ainda mais, a variação da temperatura e a umidade relativa durante o dia de colheita variam muito, e outros ajustes poderão ser necessários.


Gente da semente

Safra 2018/19 marca entrada da Basf em sementes

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As sementes de soja Credenz e de algodão Fiber Max agora fazem parte da Basf, marcas adquiridas em agosto. E, para refletir o escopo expandido de seus negócios agrícolas, a Basf renomeou a Divisão de Proteção de Cultivos para Divisão de Soluções para Agricultura. “Essa aquisição marca uma nova fase para a empresa e demonstra o compromisso de longo prazo da Basf com o legado da agricultura brasileira. Com sementes de soja e algodão, o nosso portfólio fica mais completo, e podemos participar de todas as fases do cultivo”, conta José Munhoz Felippe, vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da Basf no Brasil.


SLC Sementes agora também atende ao mercado

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A SLC Agrícola, fundada em 1977 pelo Grupo SLC, é uma empresa produtora de commodities agrícolas, focada na produção de algodão, soja e milho, e, hoje, é uma das maiores empresas produtoras de grãos e fibras do mundo. Conforme Ricardo Oliveira, gerente de Novos Negócios SLC Agrícola, a SLC Sementes é uma nova marca pertencente à SLC Agrícola, que, em 2013, começou a produzir sementes de soja para o próprio cultivo, e, em 2018, com o sucesso da iniciativa, passou a destinar essa produção de sementes à comercialização junto ao produtor brasileiro, buscando sempre contribuir com os princípios de qualidade e eficiência no negócio agrícola.


“A ABRASS ESTÁ EMPENHADA NO COMBATE À PIRATARIA DE SEMENTES DE SOJA"

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Leonardo Machado, secretário executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass)

O que é a Abrass e quem a entidade representa?

A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass) é uma sociedade civil de fins não econômicos que tem por objetivo representar os multiplicadores de sementes de soja, defendendo seus reais interesses. Tem como alicerce principal a união de seus associados. Foi criada em novembro de 2011 e, desde a sua criação, tem empreendido ações concretas para a valorização da atividade de multiplicação de semente de soja no País. O maior patrimônio da Abrass são os associados, distribuídos em dez estados e no Distrito Federal, onde, juntos, representam cerca de 70% de toda a produção de sementes de soja do Brasil. O trabalho está alicerçado estrategicamente através de Comissões Temáticas, criando frentes específicas de trabalho com participação dos diretores, associados e consultores técnicos especializados: Alinhamento com Obtentores Vegetais; Biotecnologia; Legislação, Contratos e Políticas Governamentais; Boas Práticas na Produção de Sementes e Tratamento Industrial de Sementes.

Quais são as ações da Abrass contra a pirataria de sementes, sejam ações judiciais e de orientação aos produtores?

Desde 2016, a Abrass está empenhada no combate à pirataria de sementes de soja. Para acabar com esse mal no setor, a entidade divulgou a campanha nas redes sociais, em seu site e no de parceiros, de modo a atingir o maior número de agricultores e cortar esse mal pela raiz. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou uma nota na qual alerta que a pirataria de sementes de soja é crime, de modo que não medirá esforços para que a Polícia Federal abra investigação aos denunciados. A semente de uso próprio é um direito do agricultor e pode ser feita desde que cumpra todos os requisitos legais e acompanhe preenchimento correto da Declaração de Inscrição de Área para Produção de Sementes para Uso Próprio (Anexo XXXIII).

O que você teria a dizer a produtores que ainda levam a suas lavouras sementes não certificadas?

Sementes não certificadas significam sementes sem garantia de procedência e de qualidade, e sem assistência técnica. A falta de comprovação de pureza varietal ou que a cultivar oferecida é realmente a apresentada é uma característica do mercado ilegal. Atualmente, estima-se que, pelo menos, 30% da safra brasileira de soja seja semeada com sementes ilegais, um dado alarmante para a agricultura nacional, já que traz riscos fitossanitários enormes e prejudica a produtividade das lavouras. A semente comercializada por um produtor de sementes certificado, além de atender a todos os requisitos obrigatórios de qualidade e sanidade, atende, também, aos requisitos edafoclimáticos das diferentes regiões de plantio. Esse diferencial não é garantido pelas sementes de uso próprio ou, principalmente, pelas sementes piratas, uma vez que estas não levam consigo a garantia de origem e podem obrigar o produtor a utilizar variedades de ciclo mais tardio, o que pode ocasionar grandes perdas, como as causadas pela ferrugem da soja.