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EFICIÊNCIA EXTRA NA ADUBAÇÃO

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A expressão do potencial produtivo das culturas depende, entre muitos outros fatores, de uma nutrição equilibrada e adequada às necessidades da planta. Nesse trabalho, realizado a cada nova safra, o produtor pode contar com aliados importantes, além da adubação tradicional. São técnicas e produtos diferenciados que acompanham a evolução dos processos da agricultura moderna e que podem favorecer a rentabilidade ao final da colheita

Denise Saueressig
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As inovações que partem de demandas do campo e dos laboratórios de instituições de pesquisa e de empresas são aliadas do processo de desenvolvimento constante da agricultura. Técnicas e produtos diferenciados são complementos a práticas tradicionais e fórmulas conhecidas num cenário em que a prioridade deve ser a rentabilidade e a sustentabilidade da lavoura.

O mercado disponibiliza, de forma cada vez mais frequente, soluções em nutrição que vão além da adubação convencional. É o caso, por exemplo, dos chamados fertilizantes especiais ou de eficiência aumentada. Por definição, esses produtos apresentam, em sua composição, tecnologias que visam garantir melhor aproveitamento dos nutrientes, redução dos processos de perdas, diminuição de doses utilizadas, aumento da eficiência agronômica, otimização da operacionalidade no sistema de produção e incremento de produtividade, detalha o pesquisador Rafael Gonçalves Vilela, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão (Fundação Chapadão), no Mato Grosso do Sul.

O especialista recorda que, no passado, o surgimento de formulações que apresentavam mais de um nutriente em um único grânulo representou um grande avanço no mercado, diminuindo problemas com segregação e garantindo maior uniformidade na distribuição dos nutrientes. “Hoje, as empresas fornecem não só formulações personalizadas à necessidade do produtor, levando em consideração a mistura de macronutrientes em um único grânulo, mas também a possibilidade de inserção de micronutrientes impregnados nesses mesmos grânulos, recobrimento do fertilizante com polímeros para liberação gradativa de nutrientes, tratamento de adubos nitrogenados com inibidores de nitrificação e de urease, uso de substâncias húmicas em fertilizantes fosfatados e potássicos, entre outras, cujas características introduzidas, por encapsulamento e recobertura dos grânulos, caracterizam fertilizantes de eficiência aumentada”, descreve.

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Vinicius Benites, da Embrapa Solos: produtor deve adotar manejo adequado e atentar para os insumos que tenham eficácia comprovada cientificamente

Atenção para o desempenho — Os fertilizantes de eficiência aumentada fazem parte de um movimento de mercado percebido, especialmente, nos últimos dez anos, analisa o pesquisador Vinicius Benites, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Solos. Esse tipo de inovação, na opinião do especialista, é, muitas vezes, motivada pelo marketing, e não propriamente pelos resultados científicos, gerando uma carteira de produtos denominados premium. “O produtor deve ter cuidado com a oferta existente. Em muitos casos, o desempenho não é melhor, e o custo é mais alto. É importante trabalhar com um manejo adequado e com bons profissionais, e atentar para os produtos que tenham eficácia comprovada cientificamente”, defende.

O pesquisador Heitor Cantarella, do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura de São Paulo, concorda e alerta que o aconselhável é prestar atenção às práticas mais usuais da lavoura. “É preciso avaliar o custo adicional com o uso desses produtos e relacionar com os benefícios. O ideal é que o produtor tenha um registro da evolução da fertilidade do solo ao longo do tempo para adotar medidas preventivas e guiar o manejo em longo prazo”, afirma.

A análise do solo, princípio básico e sempre recomendado, pode informar, por exemplo, se determinado talhão está acumulando nutrientes acima ou abaixo da necessidade. “Assim, é viável fazer as correções com precisão, pensando na fertilização convencional ou até na utilização de um insumo com alguma característica especial”, menciona. Uma análise de solo com macro e micronutrientes, prossegue o pesquisador, tem custo acessível, em torno de R$ 30,00 a R$ 50,00, e pode ser feita por centenas de laboratórios habilitados.

IAC mantém uma série de pesquisas sobre os fertilizantes de eficiência aumentada. Segundo Cantarella, os estudos incluem os insumos de liberação controlada e aqueles que contêm aditivos. “Além dos aspectos produtivos, é importante focar na questão ambiental. Fertilizantes com inibidores de urease, que podem reduzir as perdas de nitrogênio, consequentemente ajudam a diminuir a emissão dos gases causadores do efeito estufa. Esse fator é estratégico para o Brasil, que assumiu, na COP21, o compromisso de redução das emissões”, frisa, referindo-se à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada em Paris, em 2015.

Fatores para tomada de decisão — Considerando que insumos voltados à correção e adubação do solo representam mais de 35% do custo total de produção na lavoura, antes da adoção de qualquer tecnologia, o produtor precisa entender quais são as limitações encontradas em seu sistema e, principalmente, nas condições do solo. Também é fundamental a percepção da exigência nutricional da cultura, a disponibilidade hídrica e o momento adequado para a aplicação. “Da mesma forma, informações sobre a composição desses produtos e acesso às curvas de liberação dos nutrientes em um determinado espaço de tempo são necessárias para a correta tomada de decisão e posicionamento dessas tecnologias”, orienta o pesquisador Rafael Vilela.

O especialista observa que, dentro da principal demanda de fertilizantes, o fósforo é o elemento mais requisitado em todo o manejo de adubação, fator que está associado à predominância de solos ácidos e à pouca disponibilidade desse nutriente na maior parte das áreas agricultáveis. “Em solos com essas características, a eficiência dos fertilizantes convencionais é baixa, com aproveitamento de 15% a 30% de todo o fósforo aplicado. Essa situação sinaliza a necessidade do emprego de práticas eficazes para o melhor aproveitamento do elemento, reduzindo a quantidade do nutriente aplicado e gerando menor impacto ambiental, como, por exemplo, o uso do sistema plantio direto e a adoção de fertilizantes com liberação lenta e/ou controlada”, constata.

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Heitor Cantarella, do IAC: estudos que envolvem fertilizantes especiais também consideram aspectos ambientais devido à redução das emissões de gases do efeito estufa

A liberação lenta, explica Vilela, confere aos fertilizantes a possibilidade de fornecer ao meio nutrientes de forma gradativa, porém este é dependente de fatores climáticos, não sendo possível a determinação real da quantidade liberada em um espaço de tempo. “No entanto, os fertilizantes de liberação controlada apresentam como vantagem a informação do total de nutrientes liberados ao meio em um intervalo de tempo conhecido”, diz.

A importância da pesquisa — Segundo o pesquisador da Fundação Chapadão, Arquivos IAC ainda existe, no setor, uma série de questionamentos a respeito da real eficiência desses produtos com grânulos protegidos, muito em decorrência da grande variabilidade de solo, clima, qualidade do revestimento empregado, dose e época de aplicação ideal para absorção das plantas. “Esses fatores, somados à situação econômica do País, dificultam a maior adoção dessas tecnologias. No entanto, o surgimento de novas indústrias e as pesquisas geradas vêm movimentando o mercado especialmente nos maiores polos agrícolas, onde o emprego desses produtos é gerenciado de forma personalizada, conferindo maior assertividade com adoção de práticas da agricultura de precisão”, complementa.

Na opinião do especialista, as pesquisas com fertilizantes especiais serão intensificadas, não só contemplando o uso de adubos sólidos, mas também tecnologias para maximizar o aproveitamento dos nutrientes via foliar com fertilizantes líquidos. Entre os estudos realizados pela Fundação Chapadão, Vilela cita o experimento feito com uso de fertilizante fosfatado revestido com polímeros na cultura da soja. Mesmo com a redução de 50% na quantidade de P2O5, a proteção dos grânulos garantiu a mesma produtividade de grãos comparada ao uso de fertilizante convencional em que houve o fornecimento de 100% de P2O5. Na área em que foram aplicados 80 quilos por hectare do fertilizante convencional, a produtividade foi de 58 sacas por hectare, enquanto, no talhão que recebeu o adubo revestido, foram utilizados 40 quilos do insumo, e o rendimento foi de 59 sacas por hectare.

Outro trabalho envolveu a adubação nitrogenada na cultura do milho considerando a demanda precoce da planta pelo nutriente. Foi constatado um incremento de 18 sacas por hectare com o fornecimento incorporado no sulco de semeadura, utilizando 60% do N com fonte convencional em mistura com 40% com fonte protegida. No manejo padrão, 100% de ureia convencional foi aplicada em superfície quando o milho encontrava-se nos estádios de desenvolvimento V2 e V4.

Mercado em expansão — A Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) representa parte desse setor, que, em 2017, faturou R$ 6,36 bilhões e tem estimativa de crescimento de 12% para este ano. Apesar de um cenário no qual ainda predominam as incertezas, é possível dizer que o segmento continuará em ascensão em 2019, considera o presidente da Abisolo, Roberto Levrero. “Ainda é cedo para fazer uma previsão mais estruturada, mas não seria imprudente prever um crescimento em torno de 10%”, declara. Além da maior adoção pelos produtores, parte desse incremento se deve ao investimento em pesquisa e desenvolvimento realizado nos últimos anos e que tem ficado, em média, entre 4% e 6% do faturamento da indústria.

O crescimento do setor, segundo o presidente da Abisolo, também pode ser justificado pela relação custo-benefício dos produtos. “Podemos citar como exemplo o investimento médio do produtor de soja na aplicação dos produtos via folha, que é de cerca de R$ 70,00 por hectare. Já o ganho de produtividade pode ficar entre três e cinco sacas adicionais por hectare”, relata. “Já a utilização de um fertilizante organomineral via solo pode representar economia de até 20% no aporte de macronutrientes primários. E o investimento médio por hectare em organominerais é muito parecido com o do fertilizante tradicional”, continua.

Soja na liderança — Como principal cultura do País, a soja representa 44% das vendas do mercado, que ainda tem o milho, o café, as hortaliças, os citros e a cana-de- -açúcar como destaques de consumo. Do total da receita do segmento representado pela Abisolo, os fertilizantes foliares correspondem a 70,8%; os organominerais, 11,9%; os condicionadores de solo, 9,8%; os fertilizantes orgânicos, 4,3%; e os substratos para plantas, 3,2%.

A indústria de fertilizantes para aplicação via folha, aponta Levrero, conseguiu agregar muita tecnologia em seus insumos, especialmente aqueles com impacto na produtividade, na sanidade e na qualidade. “Avançou bastante também nas questões de compatibilidade em mistura nas caldas de pulverização e na concentração de ingredientes ativos que viabilizam a aplicação de menores doses por hectare, com a mesma eficiência agronômica”, acrescenta.

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Rafael Vilela, da Fundação Chapadão: fertilizantes de liberação controlada têm como vantagem a informação sobre os nutrientes liberados ao meio em um intervalo de tempo conhecido

O setor tem conseguido avanços importantes em relação aos marcos regulatórios, mas há desafios, conforme cita o presidente da Abisolo. Entre eles, os temas relacionados à tributação, como a renovação do Convênio nº 100/97, do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). A normativa, que reduz a base de cálculo do ICMS para o trânsito interestadual de insumos agropecuários, vence em abril de 2019. A indústria defende a continuidade do convênio para que não haja impacto sobre o preço dos produtos.

Intercâmbio para inovação — A Rede FertBrasil, iniciativa que envolve estruturas de pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologias em fertilizantes, atua, desde 2009, sobre soluções e processos que possam contribuir para o aumento da eficiência e introdução de novas fontes de nutrientes na agricultura. Participam do projeto cerca de 130 pesquisadores de mais de 20 unidades da Embrapa em parceria com 73 instituições de pesquisa e extensão, e 22 empresas privadas do setor.

Uma das tecnologias mais recentes lançadas no âmbito da Rede FertBrasil é um fertilizante nitrogenado com aditivos inibidores de urease incorporados aos grânulos, processo que ajuda a reduzir as perdas causadas por lixiviação e por volatização. Estudos indicam que essa perda é de cerca de 40% do total do fertilizante nitrogenado aplicado no campo. Macronutriente primário, o nitrogênio é elemento fundamental para a produtividade das plantas, e a ureia é o fertilizante mais utilizado na agricultura mundial como fonte de nitrogênio devido ao seu menor preço por unidade e elevada concentração do nutriente. O produto diferenciado, que foi desenvolvido e testado pela Embrapa Solos e pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), poderá ser fabricado e comercializado por meio de parceria com empresas interessadas.

Alternativas estratégicas — O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, mas depende das importações para atender à demanda. Segundo dados da Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (Ama Brasil), em 2017, 88% das fontes nitrogenadas foram adquiridas de outros países. “Também importamos mais de 50% do fósforo e mais de 90% do potássio. Precisamos, cada vez mais, avaliar alternativas que são estratégicas para o nosso sistema produtivo. Isso inclui os orgânicos, os organominerais, o reaproveitamento de nutrientes secundários, a viabilização da recuperação de resíduos, inclusive os urbanos e industriais, e a identificação de fontes de materiais que existem aqui no Brasil”, salienta o pesquisador Vinicius Benites.

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Desenvolvido pela Embrapa e pela UFRRJ, fertilizante orgânico N-verde é produzido a partir da leguminosa gliricídia e teve eficiência atestada de 10%

O especialista cita outra tecnologia também desenvolvida pela rede e que resultou num fertilizante organomineral produzido a partir de resíduos de cama de frango. “Além de colaborar para a sustentabilidade da agricultura, reduzindo o uso de químicos nas lavouras, esse tipo de produto ainda colabora para ajudar a resolver uma questão ambiental, que é a destinação correta desses resíduos”, destaca.

Nitrogênio verde — Em mais um trabalho voltado a produtos diferenciados, pesquisadores da Embrapa Agrobiologia e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) desenvolveram um fertilizante orgânico rico em nitrogênio. Chamado de N-verde, o insumo é produzido a partir da gliricídia, leguminosa rústica e perene com grande capacidade de geração de biomassa e que permite poda até quatro vezes ao ano. O projeto que resultou na fabricação do adubo está em etapa de análise de custos de produção, e a expectativa é de que o insumo possa chegar ao mercado, via cooperativas ou indústrias, num prazo entre dois e cinco anos, revela o pesquisador Ednaldo Araújo, da Embrapa Agrobiologia. Segundo o especialista, que coordena os trabalhos sobre o N-verde, o objetivo é tornar o produto compatível com a realidade do campo. “Esperamos que seja mais barato que a torta de mamona, que tem valor cerca de 400% acima da ureia e é uma das alternativas para fonte de nitrogênio em sistemas de agricultura orgânica, nicho que cresce 20% ao ano no Brasil e que merece mais recursos para continuar em expansão”, assinala.

Além da utilização em lavouras orgânicas e convencionais, o N-verde tem potencial para uso em agricultura urbana e paisagismo, já que não emite odor, caso da cama de aviário, por exemplo. Para facilitar a aplicação e a adequação a máquinas distribuidoras, o insumo foi desenvolvido em forma de grânulos e pellets. Estudos de campo indicaram resultados positivos em hortaliças folhosas, milho e feijão. A eficiência atestada foi de 10%, ou seja, de cada 100 quilos aplicados na planta, a absorção é de dez quilos no primeiro ciclo. Segundo Araújo, existe a possibilidade de um índice ainda maior nos ciclos seguintes devido ao efeito residual.

Trabalho com precisão — Na Fazenda Santa Rita, em Campinas do Sul/RS, o produtor Araguen Antônio Vansetto segue práticas criteriosas que guiam o uso de insumos especiais nas áreas cultivadas em 1.612 hectares. O sistema é todo trabalhado com rotação nas safras de verão e de inverno ocupadas com lavouras de soja, milho, feijão, centeio, aveia preta e aveia branca. A criação de gado de corte ocupa outros 80 hectares no verão. No inverno, parte das áreas de lavoura é manejada em integração lavoura-pecuária. “As condições da nossa região, que é um pouco mais quente e não costuma ter incidência de geadas precoces, permitem também o cultivo da safrinha de soja. Assim, conseguimos fazer 2,5 safras ao ano”, enumera Vansetto.


Ambiente em equilíbrio

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Um sistema planejado de forma abrangente, com a adoção de práticas e de insumos que se complementam, direciona o trabalho do engenheiro-agrônomo e produtor Rogério Vian (foto), em Mineiros/GO. Há sete anos, depois de conhecer experimentos, ele optou por utilizar em suas áreas o pó de rocha, que atua como um condicionador de solo. O início foi num talhão de 52 hectares. “No primeiro ano de observação na soja e no milho, percebi uma melhoria na sanidade das plantas e um custo menor para garantir essa condição”, recorda.

Há três anos, o insumo foi integrado aos 600 hectares da propriedade onde Vian planta soja, milho e outras culturas, como algodão, sorgo e feijão orgânico. No ano passado, também uma parte da soja produzida foi orgânica e comercializada com certificação. Da área total, 400 hectares foram cultivados com variedades de soja convencionais, produção que foi comercializada com bônus de R$ 10,00 pela saca.

O produtor elogia as características do pó de rocha, que, segundo ele, tem em torno de 70 elementos químicos na sua composição. “É quase uma tabela periódica, um verdadeiro self service para a planta se abastecer do que precisa. O silício, por exemplo, é o que ajuda a conferir mais resistência às plantas”, detalha. “Além dos benefícios agronômicos e ambientais, o uso da rochagem privilegia as matérias-primas e os recursos que temos disponíveis na região”, acrescenta. Apesar da redução significativa no uso da adubação química, o produtor ainda precisa fazer complementações ao sistema, como é o caso do milho, que recebe ureia para o aporte de nitrogênio, elemento que não é encontrado no pó de rocha.

Vian faz questão de frisar que a rochagem é apenas parte de um sistema trabalhado integralmente. Segundo ele, é preciso estimular o ambiente para criar as condições propícias para os efeitos positivos dos nutrientes. Isso é conseguido com práticas como o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio e de inseticidas biológicos e o cultivo de um mix de plantas de cobertura. “A monocultura é insustentável. É necessário manter a biodiversidade para imitar a natureza. Chego a utilizar até nove espécies de plantas de cobertura no mesmo sistema”, assinala.

Rentabilidade é a palavra-chave — O produtor conta que conseguiu reduzir em 70% a utilização de defensivos químicos em suas áreas. Já a diminuição de custos é calculada em 50. Com uma produtividade média de 60 sacas por hectare na soja, Vian ressalta que não almeja recordes na lavoura, mas sim resultados cada vez mais positivos sobre a rentabilidade, que aumentou 50% nos últimos cinco anos.

Aos produtores que têm interesse em utilizar o pó de rocha, o aconselhável é analisar a formação do solo e estudar, com o auxílio de profissionais capacitados, o tipo de rocha que poderá ser utilizada. Para trocar experiências e conhecimento a respeito de técnicas diferenciadas nas lavouras, Vian, que também diretor regional da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), participa do Grupo de Agricultura Sustentável (GAS), iniciativa que reúne, em listas de discussão e eventos específicos, em torno de mil participantes em diferentes regiões.


Entender o solo e as plantas é o grande desafio em um sistema em que a busca pela rentabilidade sustentável é incessante, considera o produtor, que é técnico agrícola e administrador de empresas. Entre as rotinas adotadas na propriedade, ele cita, além da rotação de culturas, a alternância também de cultivares de ciclo adequado à janela de plantio, o uso de sementes com procedência e qualidade garantidas e ferramentas da agricultura de precisão.

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Produtor Araguen Vansetto, de Campinas do Sul/RS: utilização de aminoácido ajuda a reduzir o estresse das plantas a fatores como altas ou baixas temperaturas

Um dos recursos utilizados é um software que realiza a análise foliar para determinar a quantidade e quais os nutrientes necessários ao melhor desenvolvimento das plantas. “Faço o diagnóstico da folha num ano para corrigir no outro. Assim como a análise de solo, que é georreferenciada e estratificada, com amostras de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm em grid de um hectare”, indica.

Entre os insumos especiais aplicados nas suas áreas, Vansetto menciona o ácido L-glutâmico, aminoácido que, segundo ele, colabora para diminuir de maneira considerável o estresse das plantas a fatores como altas ou baixas temperaturas. A análise precisa das folhas vem sendo adotada há cerca de seis anos nas lavouras. Nesse período, o produtor percebeu incremento de 30% no rendimento da soja. “Para cada R$ 1,00 investido, tenho R$ 2,00 de retorno”, calcula. Atualmente, as médias de produtividade ficam entre 70 e 80 sacas por hectare na safra de soja, e entre 50 e 60 sacas por hectare no período da safrinha. “O potencial genético das culturas está distante do que conseguimos hoje. Para os próximos dez anos, temos como meta produzir 18 toneladas de milho e seis toneladas de soja por hectare”, revela.