Na Hora H

FINALMENTE AS ELEIÇÕES NO SEGUNDO TURNO JÁ ACONTECERAM

Na

ALYSSON PAOLINELLI

Quando esta edição estiver circulando, já teremos eleito um presidente e mais 14 governadores. A não ser em alguns casos – nos quais parece as coisas já estarem definidas –, muita surpresa poderá ter acontecido. Para mim, o que mais me preocupa é esta definição daquilo que chamei de encruzilhada, na qual a opção vai sair em manter esta cambada que vem infelicitando o País há mais de 20 anos ou escolher o desconhecido, uma verdadeira incógnita para quem conhece a administração pública. Seja quem for, temos é que acreditar que a força da democracia não está só em quem se elegeu. Especialmente num país como o Brasil, onde os 36 partidos políticos que não existem mais morreram, mas esqueceram de cair, e ainda corremos o risco de que sobrevivam alguns cadáveres, infelicitando o grande país que nos pertence.

Acabei de fazer uma viagem de longos 12 dias nos EUA, onde pude conviver com chefes de grandes empresas de porte multinacional, com especialistas renomados do mundo inteiro, com as instituições mais fortes e detentoras, pela sua capacidade, de grande parte do poder na terra do Tio Sam. Convivi, também, com administradores e executivos de instituições internacionais, e de todos a pergunta era sempre a mesma: “O que vocês vão fazer para que o Brasil continue a representar para o mundo uma segurança de alimentação e produção de energia renovável para um mundo carente em que vivemos? Vocês têm de continuar a ser tudo isso que representaram nesses últimos 40 anos, para que o mundo possa ter certeza que não faltará aquilo que mais desejam: alimentos, energia renovável, meio ambiente saudável e paz social, tão desejada”.

Confesso que essa pergunta vinda em quase todos os diálogos que mantive me preocupou. E me preocupou muito, porque também retruquei com a mesma ênfase que me perguntavam o que os EUA esperam também das suas próximas eleições, para deputados federais, senadores e até alguns governadores. Vi que, da mesma forma com que estamos aqui, eles lá se preocupam muito pelo que poderá acontecer se as previsões eleitorais de lá também se confirmarem. Todos estão preocupados.

Mas notei que nenhum deles está temeroso. Na verdade, o processo democrático de lá permite até alguns erros, que muitos verificaram que já cometeram. Mas a organização política amparada, de fato, num bipartidarismo ancorado em princípios básicos bem definidos de cada lado dita para o cidadão norte-americano como proceder em suas organizações, e, aí sim, elas são fortes, poderosas e capazes de mudar rumos e corrigir erros que por acaso sejam cometidos.

Como escrevi na edição anterior, uma recomendação quase telúrica de que a democracia no Brasil só poderá se fortalecer se as nossas instituições – especialmente as produtoras e geradoras de riquezas – estejam fortes e bem preparadas para enfrentar os percalços e até mesmo os erros que surjam em seus caminhos. Tenho, a cada dia mais, a certeza que a democracia é o melhor sistema de governo que ainda existe, mas para que ela possa ser aquilo que dela esperamos temos de cumprir a nossa missão. Essa nossa missão não está só no voto. Este é, sem dúvida, um ato simbólico, no qual somos capazes de dizer o que queremos, mas, entre isto e a verdadeira democracia que desejamos, tem muito mais a se fazer. Sem dúvida, nas grandes democracias, quem estiver organizado, faz. Quem não estiver, recebe feito. Muitas vezes, mal feito, como aconteceu com o Brasil nesses longos últimos 20 anos.

Entendo que chegou a hora de, especialmente a classe rural, acomodada como sempre foi, não ficar apenas esperando que venham de cima as grandes decisões, pois, na maioria das vezes, representamos apenas os “burrinhos” do presépio natalino, com suas cabeças já acostumadas apenas balançando para dizer amém. Chegou a hora, nesta encruzilhada em que vivemos, de tomar uma decisão: deixar de ser “burrinhos” de presépio, tomar nossas atitudes em defesa do setor, que é, sem dúvida, para o Brasil, a grande fonte de riquezas geradas dos recursos naturais que Deus nos deu, e que precisamos torná-los produtivos e em riquezas palpáveis e que cheguem a todos os cidadãos brasileiros.

Desculpe-me por estar insistindo e repetindo esse verdadeiro chavão, que, agora, na hora da encruzilhada a qual tomamos, há um caminho ainda desconhecido. Sejamos nós mesmos os defensores e formadores da direção e dos caminhos que teremos de prosseguir. Esta é, sem dúvida, a nossa vez. Esta decisão depende menos do complicado quadro político, econômico e social em que vivemos. Quem se organiza, faz; quem não se organiza, recebe feito. Chegou a nossa vez! Este é o recado.

Engenheiro-agrônomo, produtor, presidente-executivo da Abramilho e ex-ministro da Agricultura