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Campo melhor conectado via SATÉLITE

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O serviço de banda larga de Internet via satélite a partir de uma nova faixa de frequência, a banda Ka, leva conexão de alta qualidade a lugares remotos e transmite mais dados por segundo. O sinal chega do céu, sem rede física – e sem interferência

Luiz Otávio Vasconcelos Prates, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Telecomunicações por Satélite (Abrasat) e do Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações por Satélite (Sindisat)

O agronegócio é o principal impulsionador da economia brasileira. Neste ano, a participação do setor no PIB nacional deverá ser de 23%, gerando mais de 93 mil vagas de emprego. Mesmo sendo essencial e apresentando números tão robustos, o agronegócio vinha sofrendo com a baixa qualidade de serviços de conexão à Internet banda larga. Quer dizer, sofria. Nos últimos anos, chegou ao Brasil a Internet banda larga via satélite, um serviço que está revolucionando a maneira como o agronegócio conduz seus processos e se integra à economia mundial. A partir de 2016, novas operações em escala nacional começaram a ser disponibilizadas aos consumidores brasileiros.

Essas novas operações via satélite se beneficiaram da evolução dessa tecnologia espacial, com plataformas mais potentes e mais eficientes, transmitindo mais dados por segundo e com o uso de uma nova faixa de frequência, a banda Ka (conhecidos como HTS - High Throughput Satellite). O serviço de banda larga via satélite tem ajudado a levar conexão de alta qualidade para grande parte do Brasil porque utiliza o satélite como plataforma de transferência de dados direto para residências e empresas. Não há a necessidade de instalação de rede física (como fios e cabos) tanto em cidades quanto em áreas rurais. O sinal vem do céu, direto do satélite, sem interferência.

É importante registrar que boa parte do agronegócio já consegue se conectar à Internet por meio das redes 3G e 4G, que cresceram muito no Brasil nos últimos anos. De acordo com pesquisa realizada pela Strider, empresa que desenvolve soluções tecnológicas para a agricultura, dois em cada dez produtores rurais brasileiros possuem conexão 3G. Porém, em algumas regiões, a qualidade do sinal pode ser ruim ou inexistente mesmo com o esforço incessante das operadoras em ampliar o sinal do celular. As razões podem ser várias, como a distância da antena para o usuário, o baixo número de antenas ou mesmo pela quantidade excessiva de usuários por antena. Há ainda a questão do alto custo de implementação de infraestrutura terrestre para as operadoras. Trata-se de uma enorme barreira de entrada. Algumas localidades são economicamente inviáveis para a tecnologia terrestre face à demanda que existe naquele ponto específico do País porque, além da grande extensão territorial, algumas regiões têm baixa densidade demográfica.

Como funciona — O sistema de Internet banda larga via satélite é muito simples: o usuário assina o serviço, escolhe o tipo de plano e solicita a instalação de um kit composto por uma pequena antena parabólica, que captura e envia o sinal para um satélite geoestacionário, e de um modem (que também funciona como um roteador) fornecido pela empresa. A partir da habilitação do equipamento, o usuário passa a ter conexão com o mundo, não importa se reside em um vale, montanha ou planície, sítio ou fazenda, utilizando computador fixo, tablet ou celular. O serviço atinge quase todo o País, e as operadoras dizem que até 95% do território.

A conexão à Internet em alta velocidade era o que faltava para o agronegócio. As novas tecnologias têm tido um importante papel no aumento da produtividade e gestão do campo. A cada dia surgem startups na indústria, trazendo não só inovação como também novos olhares para o negócio. Crescem as pesquisas e os investimentos em novas soluções tecnológicas, conhecidas como Agrotech, Agtech, Agricultura Digital ou de Precisão.

A agricultura inteligente é um novo passo na evolução da agricultura. Trata- se agora, principalmente, da obtenção, gestão e transformação de grandes quantidades de dados em insumos para decisões rápidas e assertivas. Por exemplo, com sensores conectados em toda a área de uma vasta plantação, é possível monitorar a umidade, a incidência de sol, se o solo está com a quantidade adequada de nutrientes etc., permitindo ao empresário rural mudar sua estratégia de maneira rápida e otimizar sua produção. A indústria mundial da agricultura inteligente cresceu 6% em 2016, movimentando mais de U$ 10 bilhões, com previsão de crescer quatro vezes mais até 2026.

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“O serviço de banda larga via satélite tem ajudado a levar conexão de alta qualidade para grande parte do Brasil porque utiliza o satélite como plataforma de transferência de dados”, esclarece Prates

Histórico — A tecnologia de satélites de comunicação é utilizada no Brasil como plataforma de rede desde 1969. A evolução dos últimos anos tornou possível a sua utilização para dar acesso à Internet a todos os locais do País. Desde então o setor apresentou enorme expansão. As operadoras de comunicações por satélite já investiram no Brasil cerca de US$ 4,5 bilhões para produzir, lançar e operar 15 satélites brasileiros, cujas posições orbitais foram licitadas e adjudicadas pela Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel).

Tal investimento resultará em um aumento significativo em capacidade de transmissão no País. A Associação Brasileira das Empresas de Telecomunicações por Satélite (Abrasat) – entidade que reúne todas as operadoras e provedoras de serviços via satélite no Brasil – calcula que, uma vez operacionais, esses novos satélites ampliarão a capacidade em mais de 100 Gbps, aumentando enormemente a oferta de Internet em um país carente de conectividade devido à vasta extensão territorial e à falta de adensamento urbano em muitas regiões. A boa notícia é que as redes de dados dos satélites serão integradas e complementares às redes móveis e possibilitarão o lançamento de uma série de novos serviços como IoT (Internet das Coisas) e M2M (comunicação máquina-a-máquina). Nesse cenário, produtos e serviços hoje inimagináveis como drones e tratores autônomos para o uso no agronegócio poderão ser não só possíveis como se integrarão naturalmente à paisagem ao lado dos rebanhos e culturas agrícolas. Para saber mais, www.sindisat.org.br