Agricultura 4.0

COMPUTAÇÃO EM NUVEM PARA A AP

Agricultura

Um dos grandes desafios para a agricultura de precisão (AP) tem sido o domínio de softwares capazes de analisar dados agrícolas georreferenciados, chamados de Sistemas de Informações Geográficas (SIG). De fato, até hoje não existe uma unanimidade dos usuários de AP de qual SIG apresenta as melhores aplicações/soluções para a AP. Na verdade, muitos defendem o que cada um dos softwares melhor realiza em termos de análise computacional de dados do campo. Só para se ter uma ideia, em nossos laboratórios de informática da Fatec Shunji Nishimura estão disponíveis mais de 30 programas computacionais de análise de dados georreferenciados para a AP.

O que acontece é que a grande maioria destes softwares (SIG) nasceu ou foi desenvolvida para a cartografia, geodésia, geologia, desenho, engenharia, arquitetura, entre outras áreas que demandam dados georreferenciados ou posicionamentos precisos no terreno. Muito poucos deles nasceram ou foram desenvolvidos para a prática da AP e, mesmo aqueles que tiveram essa origem, utilizam a plataforma complexa daqueles desenvolvidos para as outras áreas da engenharia.

Então, quando utilizamos esses programas, nos deparamos com o fato de que até sua interface não está customizada para os usuários diretos da agricultura, como produtores, agrônomos, tecnólogos e técnicos agrícolas. Muitos deles requerem até conhecimentos profundos de programação computacional, ou o conhecimento avançado de cálculos matemáticos, como a geoestatística, para que os dados sejam transformados em mapas temáticos de análise de dados agrícolas.

Contudo, são SIG altamente avançados e que carregam uma série de funções matemáticas de análise espacial capazes de fazer qualquer tipo de transformação de dados em informações, desde que o usuário tenha domínio computacional suficiente para transformar dados do campo em ações na agricultura.

A grande tendência que estamos vivendo atualmente é a chamada “Computação em Nuvem” (cloud computing). Ela está levando a capacidade computacional disponível para o usuário a condições quase que ilimitadas pelo conceito da disponibilização de recursos de computação sobre demanda, através da internet, a partir de centros de processamento de dados (data centers) espalhados pelo mundo. Neste modelo, aplicações (softwares), espaço em disco e diversos serviços de computação podem ser customizados e consumidos sem a necessidade de aquisição ou a manutenção de grande capacidade computacional pelo usuário final.

Na prática, isso significa que não haverá mais a necessidade de um grande computador nas mãos do usuário para que este possa coletar dados do campo, processar, obter as informações e tomar as decisões em agricultura de precisão. Valerá mais a capacidade de processamento e o acesso à internet, como temos visto nos novos PC à venda hoje em dia e a menor custo. Também significa que o usuário poderá consumir os recursos de processamento e armazenamento de acordo com a sua necessidade, reduzindo muito os custos e o tempo computacional exigido para o trabalho. Como os softwares e bancos de dados estão armazenados em data centers espalhados pelo mundo, há possibilidade de se fazer os estudos até em pequenos dispositivos, como smartphones, sem a necessidade de um desktop. Até mesmo no futuro, isso poderá ser realizado no próprio computador de bordo das máquinas agrícolas, eliminando a preocupação do usuário em manusear dados, minimizando erros humanos nessa fase.

Esse movimento já é possível ser observado visto que os detentores daqueles SIG avançados para desktop já estão disponibilizando versões mais simples e customizadas para os dispositivos móveis ou mesmo trazendo soluções de processamento em portais na internet (sites), bem customizados, acessíveis e fáceis de serem utilizados para a prática da agricultura de precisão. A grande dúvida está relacionada à segurança dos dados e informações que são de propriedade do usuário. Essa segurança deve ser garantida pelos fornecedores dos serviços em nuvem e passar por regulamentação.

Engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Produção Vegetal, pesquisador em Nematologia Agrícola e de Precisão em Proteção de Plantas, professor e diretor da Fatec Shunji Nishimura