Agribusiness

CAFÉ

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Fábio Rübenich - [email protected]

COMERCIALIZAÇÃO DA SAFRA 2017/18 CONTINUA ATRASADA

A comercialização da safra de café do Brasil 2017/18 (julho/junho) chegou a 71% até o dia 17 de janeiro, dado que faz parte de levantamento de Safras & Mercado. Naquele mês, a comercialização avançou em cinco pontos percentuais. As vendas estão atrasadas em relação ao ano passado, quando 78% da safra 2016/17 estava comercializada até então. No entanto, a comercialização está à frente da média dos últimos cinco anos, que é de 70% para a época. Com isso, já foram comercializados 35,71 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2017/18 de café brasileira de 50,45 milhões de sacas.

Segundo o consultor de Safras & Mercado Gil Barabach, a comercialização da safra de café não evoluiu muito no último mês porque o produtor seguiu em postura defensiva. “Os baixos preços acabaram afastando os vendedores, e a nova queda em janeiro o frustrou ainda mais, já que estavam apostando na virada do ano para uma mudança no comportamento do mercado”, disse Barabach. “O fato é que o cenário global, de abastecimento tranquilo para o comprador, impede uma reação nas cotações internacionais do café, e no cenário doméstico também. Alguns produtores, mais curtos de caixa, já começaram a mudar a atitude, voltando a sondar o mercado a procura de alguma oportunidade. Mas no geral, os negócios seguem lentos”, completou o analista. Em janeiro, a Conab divulgou seu primeiro levantamento para a safra 2018/19. A produção, agora sob influência da bienalidade positiva e com uma expectativa de boas condições climáticas, deve situar-se entre 54,44 e 58,51 milhões de sacas de 60 quilos, com uma variação entre 21 e 30%, superior à do ano passado, quando atingiu 44,9 milhões de sacas.


ARROZ

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Gabriel Nascimento - [email protected]

PREÇOS REDUZEM PARA O MENOR PATAMAR DESDE OUTUBRO

Em plena entressafra, os preços do arroz em casca seguem recuando e atingem os menores níveis desde de outubro. Na média do Rio Grande do Sul, a saca é cotada a R$ 36,46, o que corresponde a um recuo mensal de 2,54% e anual de 26,66%. Segundo o analista de Safras Elcio Bento, esse movimento baixista pode ser creditado basicamente à maior presença do lado da oferta, tanto interna quanto externa. “No primeiro caso, muitos produtores seguraram parte da safra velha acreditando num momento mais atrativo para negociar no pico da entressafra. Como esse movimento não ocorreu, a proximidade da colheita leva à necessidade de vender visando à abertura de espaço nos silos para o armazenamento da safra nova”. Conforme ele, em relação à oferta externa, a pressão deve-se ao ingresso da colheita paraguaia. “Na contramão dos demais países do Mercosul, os produtores do Paraguai elevaram a área plantada em quase 10%, devendo colher 930 mil toneladas do cereal (base casca)”, explicou. Com um consumo próximo a 30 mil toneladas e, tendo virado a temporada com estoques de 155 mil toneladas, o saldo exportável beira a 1 milhão de toneladas.

Bento disse, ainda, que esse segundo fator certamente foi o que frustrou a expectativa dos vendedores nacionais, visto que uma fonte barata e relativamente abundante disponível em janeiro tende a anular os picos de alta que costumavam ocorrer no retorno das indústrias ao mercado no início do ano. “A pressão vem de cima. Os grandes atacadistas se balizam pelo preço do beneficiado importado. Para não perder espaço nas gôndolas, a indústria nacional reduz seus preços e pressiona o produtor por preços mais baixos”.


ALGODÃO

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Dylan Della Pasqua - [email protected]

COTAÇÃO DOMÉSTICA SOBE 10% NO INÍCIO DO ANO

A alta nos preços internacionais do algodão deu sustentação às cotações internas da fibra em janeiro. As tradings, que possuem grande parte da commodity a ser negociada no País, mantêm as pedidas por volta de R$ 2,80/libra-peso no Cif , valor cerca de 10% superior ao de dezembro. “Esse produto pode ser colocado no exterior ou no mercado interno. Assim, para garantir o abastecimento durante a entressafra, as indústrias nacionais precisam se ajustar a essa realidade internacional”, explica o analista de Safras Elcio Bento. A alta nos preços internacionais mantém a competitividade do produto brasileiro. Isso fica explícito no Índice Cif Bremen, que compara o preço das principais regiões exportadoras seria colocado em Bremen/Alemanha. A fibra brasileira é indicada a 96,00 cents de dólar, no mesmo nível da indicação do espanhol, mas, abaixo dos 96,25 cents dos países africanos, dos 96,50 da fibra dos Estados Unidos e dos 97,75 da Grécia e Índia.

No início do ano, o preço brasileiro (94,00 cents) foi superior a todas as demais origens, com exceção da Grécia. A leitura que se faz desses números é de que a alta no mercado doméstico era um ajuste à alta verificada no âmbito global. Em janeiro a margem para ajuste já era muito pequena, o que deve resultar numa redução do ritmo de alta interna. No início de ano, o quadro é bem favorável aos preços internos. Há uma demanda, ainda que moderada, que encontra um vendedor bem retraído. Com a possibilidade de exportação, a oferta de produto de qualidade é pequena e garante a sustentação das cotações.


TRIGO

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Gabriel Nascimento - [email protected]

PONTAS DO MERCADO SE APROXIMAM, MAS LIQUIDEZ É LENTA NO BRASIL

As pontas do mercado brasileiro de trigo começam a apresentar alguma aproximação. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, a liquidez, no entanto, ainda é baixa, apesar de apresentar certa melhora. “A comercialização do trigo brasileiro é lenta e são registrados apenas negócios pontuais”. Os produtores seguem firmes nas suas pedidas, porém, muitos cedem e vendem a preços não tão atrativos para abrir espaço em seus armazéns. Um fator que dificulta a liberação dos estoques é o desinteresse do lado comprador em fechar negócios com entrega imediata, uma vez que este, de um modo geral, está bem abastecido. “A indústria busca negócios atrativos, sem necessidade de reposição no momento, por estar com estoques para aproximadamente 60 dias”, ainda assim, conforme Pinheiro, os compradores tentam fechar negócios agora para antecipar a oscilação de preços durante a colheita da safra de verão. “A dificuldade logística no período encarece o valor final do produto”, explicou.

A recente desvalorização do dólar frente ao real é um fator favorável aos preços do trigo nacional. Por outro lado, a entrada da safra argentina, com oferta abundante, compete com o grão brasileiro. Ainda assim, a atual cotação da moeda norte-americana faz do trigo interno uma opção atrativa no mercado. O Conselho Internacional de Grãos (CIG) elevou sua projeção para a safra global de grãos em 2017/18. Para o trigo, o órgão inter-governamental aumentou sua previsão para a produção na temporada em 8 milhões de toneladas, para 757 milhões. Segundo um adido do Usda, a produção de trigo do Canadá deve ficar em 29,984 milhões de toneladas na temporada 2017/18. Em 2016/17, a safra totalizou 31,729 milhões de toneladas. O consumo total em 2017/18 deve decrescer ante 2016/17, de 10,382 para 8,1 milhões de toneladas.


MILHO

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Arno Baasch - [email protected]

MERCADO ESPERA DIFICULDADES NA COMERCIALIZAÇÃO

O mercado brasileiro de milho deve enfrentar dificuldades na comercialização ao longo de fevereiro. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, houve um atraso de cerca de 30 dias na colheita da safra de soja, o que deve fazer com que os produtores concentrem maiores atenções ao escoamento da oleaginosa nas próximas semanas, por conta da melhor liquidez na comparação com o cereal. Além disso, a alta dos fretes (por conta da grande demanda por caminhões voltadas à soja) e a falta de espaços nos armazéns e portos devem contribuir para inibir o fluxo de escoamento do cereal para longas distâncias nas próximas semanas.

Para Molinari, neste período conturbado, será quase impossível colocar milho de Goiás e Mato Grosso em destinos como Nordeste, Minas Gerais e São Paulo. “A demanda dessas praças terá de ser realizada com milho da colheita local, em lugares próximos e de acesso fácil. O mesmo ocorre com o Sul do Brasil. O fluxo de milho do Paraná e Mato Grosso do Sul para Santa Catarina e Rio Grande até poderá ocorrer, mas somente com preços Cif mais altos”, alerta. Nas exportações, Molinari acredita que o ano comercial 2017/18 será finalizado com embarques entre 32 milhões e 32,5 milhões de toneladas de milho, abaixo da meta prevista de 35 milhões de toneladas. “A retenção no segundo semestre gerou uma perda de negócios na exportação. Com isso, a safra 2018 de milho está iniciando com um estoque interno da ordem de 20 milhões de toneladas”, sinaliza.

Nas exportações, Molinari acredita que o ano comercial 2017/18 será finalizado com embarques entre 32/32,5 milhões de toneladas, abaixo da meta prevista de 35 milhões. “A retenção no segundo semestre gerou uma perda de negócios na exportação. Com isso, a safra 2018 de milho está iniciando com um estoque interno da ordem de 20 milhões de toneladas”, sinaliza.


SOJA

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Dylan Della Pasqua - [email protected]

APESAR DA REAÇÃO EXTERNA, PRODUTOR INICIA 2018 RETRAÍDO

O mercado brasileiro de soja iniciou o ano com preços voláteis e poucos negócios, apesar da recuperação dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. Os produtores seguem retraídos, aguardando por referenciais melhores e dando início à colheita da nova safra. A reação no mercado internacional começou com o relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), que trouxe algumas surpresas. A previsão para a safra americana foi reduzida e os estoques de passagem estão estimados agora em um patamar abaixo do que o mercado esperava. Foi o suficiente para garantir o início de uma série de nove sessões consecutivas de alta em janeiro. O movimento ganhou força com as renovadas preocupações com o potencial produtivo da Argentina, mesmo com as recentes chuvas, e em razão de sinais de demanda aquecida pela soja americana. Além disso, a queda do dólar frente a outras moedas favorece as exportações americanas, completando o quadro positivo.

Mas reações mais consistentes dos preços futuros são limitadas pelo cenário fundamental de médio prazo. Mesmo com o corte, a safra americana foi a maior da história. No Brasil, as lavouras se desenvolvem bem e não há motivos, por ora, de não se prever uma safra cheia. Mesmo com o clima seco, a produção argentina ainda é projetada em bons níveis. O contraponto aos ganhos externos foi a desvalorização do dólar frente ao real, que chegou a operar abaixo de R$ 3,14. Além da pressão externa, o dólar se enfraqueceu diante do real pelas questões políticas. O resultado do julgamento do ex-presidente Lula foi bem recebido pelo mercado, que interpreta como muito difícil a candidatura do principal nome petista.

O relatório de janeiro do Usda reduziu a sua estimativa de safra de soja americana em 2017/18, surpreendendo o mercado, que apostava em manutenção da estimativa. A produção foi reduzida de 4,425 bilhões de bushels, o equivalente a 120,43 milhões de toneladas, para 4,392 bilhões ou 119,53 milhões de toneladas. No ano anterior, a produção ficou em 116,9 milhões de toneladas. O mercado apostava em número de 120,43 milhões de toneladas. Os estoques finais em 2017/18 estão projetados em 470 milhões de bushels, ou 12,79 milhões de toneladas.