Biodiesel

BIOCOMBUSTÍVEBIS iodiesel: B10 movimenta as lavouras

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A ampliação de 8% (B8) para 10% (B10) de biodiesel na mistura com o diesel mineral vai demandar 5,4 bilhões do biocombustível feito de óleos vegetais e gordura animal em 2018. Uma grande oportunidade às lavouras. No caso da soja, serão 17 milhões de toneladas de grãos transformados no produto – ou 15% da safra

Donizete Tokarski, diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio)

Seguindo a tendência mundial de substituição dos combustíveis fósseis por renováveis, a partir de março, todo o diesel comercializado no Brasil será B10. Ou seja, contará com a mistura de 10% de biodiesel, um biocombustível produzido a partir de óleos vegetais, residuais e gorduras animais, como o sebo bovino. A evolução do B8 para o B10 deve elevar em 29% a produção de Case biodiesel em 2018 em relação ao ano passado, O volume deve chegar a 5,4 bilhões de litros, frente aos 4,2 bilhões de litros de 2017. Com isso, o Brasil se consolida como o segundo maior produtor e consumidor de biodiesel, atrás apenas dos EUA. A seguir, alguns efeitos socioeconômicos e ambientais do aumento da demanda por biodiesel:

Soja (principal matéria-prima): as estimativas para a safra 2018 são de uma safra de cerca de 110 milhões de toneladas. A produção de biodiesel da cultura no ano deverá ser de 3,7 bilhões de litros, o que representa, aproximadamente, 17 milhões de toneladas do grão dedicados ao biodiesel (cerca de 15%).

Potencial de geração de empregos: estima-se que serão gerados 47 mil empregos diretos e indiretos ao longo de toda a cadeia produtiva, inclusive com a retomada de empreendimentos que estão parados. Segundo estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em comparação ao diesel fóssil, a capacidade do biodiesel de gerar empregos é cerca de 113% maior. Já em relação ao PIB, o potencial é 30% maior.

Balança comercial - importação de diesel fóssil: a preços atuais, a produção e o consumo de 5,4 bilhões de litros de biodiesel em 2018 equivale à economia de cerca de US$ 2,8 bilhões na balança comercial brasileira, pois cada litro de biodiesel substitui um litro de diesel de petróleo.

Potencial de transferência de renda para a agricultura familiar: desde sua criação, um dos pilares do programa de biodiesel é a inclusão social através do selo “Combustível Social”, concedido pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (vinculada à Casa Civil da Presidência da República) aos produtores de biodiesel que adquirem matéria-prima da agricultura familiar e asseguram assistência e capacitação técnica. O selo é o maior programa de transferência de renda para o segmento no Brasil. São 38 usinas que detêm o selo. Em 2016, mais de 72 mil famílias forneceram matérias-primas e receberam assistência técnica e insumos. O valor alcançou R$ 4,3 bilhões em 2016. Esse número deve ser superior em 2017 (ainda não divulgado) e ainda maior em 2018.

Industrialização da soja e segurança alimentar: A ampliação do uso do biodiesel vai estimular o processamento interno de soja. Com as sucessivas safras recordes de soja, o Brasil possui capacidade de ampliar o percentual de processamento para produzir mais óleo e farelo para incrementar a produção de alimentos. O aumento do consumo de óleo para biodiesel viabiliza a expansão da produção de farelo para a cadeia proteica, que é a verdadeira demanda crescente da alimentação global; dinamiza a produção de proteínas estendendo a oferta às demais cadeias derivadas de proteínas animais: bovinos, aves, suínos, ovos, lácteos, peixes e derivados. Produzir mais biodiesel significa gerar mais segurança energética e também segurança alimentar.

Diversificação de matérias-primas: o Brasil conta com uma inigualável possibilidade de matérias-primas para produção de energia renovável, que, com uma visão de longo prazo de investimentos para diversificação atrelada a preservação ambiental e redução de emissões de gases de efeito estufa, pode tornar a produção ainda mais sustentável. Dentre as possibilidades de matérias-primas para o biodiesel, além do óleo de soja, estão as gorduras animais, óleo de fritura usado, palmáceas nativas como a macaúba, e as microalgas.

Essa diversificação tende a ganhar força com o RenovaBio que, ao considerar todo o ciclo de vida da produção, valoriza as matérias-primas com maior índice de descarbonização.

Impactos logísticos: ampliar o uso do biodiesel significa contribuir com a interiorização e verticalização da produção. Além das externalidades processociais e ambientais, o aumento para B10 resultará em benefícios econômicos mais imediatos, já que a necessidade de importação de óleo diesel será menor, e o aumento no volume necessário de biodiesel para suprir a demanda nacional movimentará a economia nos setores de produção e transporte e contribuirá para racionalização da logística, já que as usinas de biodiesel estão espalhadas pelo interior do País em todas as regiões, enquanto as refinarias de petróleo estão situadas majoritariamente na faixa litorânea. Além disso, com a perspectiva de crescimento da demanda de diesel, o País precisará importar mais combustível fóssil, utilizando uma infraestrutura portuária que está no limite. O biodiesel, combustível limpo e sustentável, será importante para mitigar essas limitações.

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Tokarski, da Ubrabio: com o B10, o Brasil se consolida como o segundo maior produtor e consumidor de biodiesel, atrás apenas dos Estados Unidos

Redução de emissões de CO2: entre 2005 e 2017, 54 milhões de toneladas de CO2 foram evitadas, o equivalente ao plantio de 395 milhões de árvores, o suficiente para ocupar uma área como a Bélgica. Ao final de 2018, serão 63,2 milhões de toneladas de CO2 evitadas, ou 462 milhões de árvores novas.