Congresso das Mulheres

Gestão COMPETENTE e vitória contra preconceitos

Congresso

Entre as atrações da segunda edição do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, foi apresentada uma pesquisa esclarecedora sobre o perfil das mulheres produtoras de todo o Brasil

As mulheres que atuam no agronegócio já romperam com os estereótipos e preconceitos. São gestoras competentes, trabalhadoras motivadas e bastante conciliadoras, pois transitam entre o campo e a cidade com a mesma facilidade que harmonizam carreira e família. Essas foram algumas das conclusões da pesquisa “Todas as Mulheres do Agronegócio”, encomendada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e elaborada pela empresa de pesquisa Ipeso e divulgada no 2º Congresso Nacional da Mulheres do Agronegócio – Liderança Globaliza- César Cinato da, Empreendedora e Integrada, realizado em São Paulo, em outubro. O levantamento revelou também que muitas exercem uma segunda atividade, demonstrando o quanto são empreendedoras. Ao mesmo tempo, as entrevistadas disseram que buscam uma renda extra fora da propriedade para não abrirem mão da paixão pelo campo. O estudo constatou também que as mulheres do setor são resilientes e não se contentam com a posição já conquistada e querem ir mais longe.

A maioria das 862 entrevistadas disse estar preparada para as posições de liderança – já conquistada por muitas – e que se interessa também por aprimorar conhecimentos sobre gestão empresarial, gestão de pessoas e finanças. A pesquisa revela um retrato atual e caracteriza um momento histórico do agronegócio brasileiro: a plena inserção feminina nas atividades executadas antes, dentro e depois da porteira, com o protagonismo tão sonhado pelas mulheres do campo há décadas. E, a julgar pelas características encontradas nesta pesquisa, em pouco tempo este estudo estará obsoleto, pelo dinamismo das mulheres do agronegócio e pela força de trabalho que já representam.

Entre os dados do levantamento, destaca-se que 49,5% das entrevistadas atuam em propriedades classificadas como minifúndio; 26,1%, em pequenas propriedades; 13,5%, em médias; e 10,9%, em grandes fazendas. Por tipo de atividade: 73,1%, trabalham dentro das fazendas; 13,9%, nos elos da cadeia produtiva após a fazenda; e 13%, “antes da porteira”. Em relação ao tipo de atuação, 73% das mulheres trabalham nas atividades dentro da propriedade rural, 3,7% atuam em cooperativas, 3,4% operam na área de insumos, 3% são fornecedoras de produtos ou serviços para a cadeia do agro, 2,8% são do comércio, 2,3% estão em segmentos ligados a governos e 2,1% trabalham em atividades nos vários segmentos da agroindústria. Quanto à posição ocupada no negócio, a maioria, 59,2% das entrevistadas, é proprietária ou sócia, 30,5% são funcionárias ou colaboradoras e 10,4% são gestoras, diretoras, gerentes, coordenadoras ou atuam em funções administrativas.

Apesar de o levantamento ainda detectar algum preconceito em relação a atuação das mulheres no campo – pois 44,2% delas sentiram preconceito sutil, enquanto 30% acusam preconceito evidente –, um grupo grande (61,1%) disse não enfrentar nenhum problema de liderança por ser mulher. Um percentual menor (9,4%) destacou que não foi levada a sério, enquanto 8% afirmaram que sentiram desconfiança de outras pessoas com relação a sua habilidade no cargo; 11,7% perceberam dúvida do seu conhecimento; e 8,8% notaram desconfiança em relação a sua capacidade de negociar.

Opção pelo campo — Na questão sobre as razões de escolher trabalhar na agropecuária, a pesquisa revelou que 36,2% das mulheres disseram ter optado pelo agronegócio por gostar da vida no campo, 34% afirmaram que já possuíam integrantes da família atuando na área, 15,6% já eram proprietárias ou sócias de propriedade rural e 10,7% foram para o campo por ver na atividade uma oportunidade de trabalho. Em relação à divisão das tarefas domésticas, a pesquisa constatou que 42,7% disseram que elas são divididas com os demais integrantes da família, enquanto 20,9% responderam que os familiares ajudam um pouco. Apesar de a maioria (64,1% das entrevistadas) não desejar ter filhos, 73,1% das que possuem filhos afirmaram que gostariam que os filhos continuassem com as atividades no agronegócio.

Sobre as perspectivas e o comportamento das mulheres do campo, o levantamento constatou que elas são conectadas com a maioria das modernas ferramentas de comunicação. Entre os principais instrumentos de comunicação, 92,9% utilizam o Facebook; 95,1%, o WhatsApp; 68,8%, o YouTube; 54,8%, o Instagram; e 65,3%, o Messenger. A respeito dos assuntos sobre os quais as mulheres do campo mais gostariam de aprofundar seus conhecimentos, destacam- se temas relacionados com a formação profissional e ao trabalho: gestão de pessoas (56,8%); gestão empresarial (54,5%); finanças (33%); e negociação (27,3%). Elas afirmaram se interessar também por gastronomia (25,8%), tecnologia (20,1%), bolsa de valores (21,5%) e viagens (21,6%). E sobre as principais preocupações da mulher do campo, os temas mais relacionados foram estabilidade financeira (56,2%), sua saúde (53,6%), família (46,7%), equilíbrio entre vida familiar, profissional e social (38,4%), o futuro dos filhos (32,8%) e sua realização profissional (30,7%). Já sobre ambientes ou atividades que lhe dão maior satisfação, as respostas predominantes foram: família (73,2%), viagens (57,9%), trabalho (45,2%) e filhos (40,8%).

O levantamento entrevistou 862 mulheres de todas as regiões, foi realizado nos meses de junho e julho, possui margem de erro de 3,3% e um nível de confiança de 95%. A amostra de pesquisadas contemplou mulheres que trabalham em atividades classificadas como “antes da porteira”, ou seja, todas as atividades incluídas na cadeia de suprimentos e serviços que atendem as propriedades rurais. Contemplou ainda as mulheres que atuam dentro das propriedades rurais e também aquelas que operam “depois da porteira”, nos negócios ligados a transporte, armazenagem, industrialização, distribuição e comercialização de produtos agrícolas.