Palavra De Produtor

O CAMPO JÁ FAZ MUITO E PODE FAZER MUITO MAIS

Palavra

Walter Horita

A primavera chegou e trouxe, como esperado, as chuvas para iniciar o plantio da primeira safra de verão do ano agrícola 2017/2018, no Brasil. Algumas regiões iniciaram já em setembro, outras, em outubro, e todas finalizarão até o fim de dezembro. Tudo o que já estava minuciosamente planejado começou a ser executado pelas mãos de milhares de agricultores por todo o País. Coisa bonita de se ver: tratores, pulverizadores e plantadeiras revisados, adubo formulado, na quantidade certa para cada cultura; semente devidamente tratada e protegida para garantir os primeiros dias em contato com o solo; agroquímicos estocados para serem utilizados, na hora certa, no combate das ervas daninhas, das pragas e das doenças.

Alegra-me ver a terra preparada, seja com arados e grades, ou em sistema de plantio direto, técnica disseminada nas lavouras do Brasil. Esse substrato sobre o qual exercemos a nossa atividade é, sem dúvida, um dos principais fatores de produção, ao lado da água. Mas o melhor da agricultura será sempre o agricultor, que se aprimora a cada ano, não somente pelo ganho que espera ter, mas, principalmente, pela paixão em plantar, cultivar e colher, desejando superar sempre suas melhores marcas.

Pelas previsões para este verão não deverá ocorrer nenhuma anomalia climática. Isso indica que poderemos ter mais uma grande safra. E olha que será difícil superar a última, de 240 milhões de toneladas. Mas o produtor rural é otimista por natureza, e tanto não descarta bater o recorde, como trabalhará para tal. Em nosso favor, temos conhecimento e tecnologia; precisamos apenas da ajuda da natureza: sol e chuva na hora certa. Na safra 2000/2001, cravamos a então almejada marca de 100 milhões de toneladas de grãos. Agora, 16 safras depois, chegamos aos expressivos e já mencionados 240 milhões de toneladas. Por todos os prismas que se analise, trata-se de algo surpreendente.

É fato que houve incremento na área plantada, mas o crescimento da produção foi, proporcionalmente, muito maior, e ele se dá mais em consequência do aumento da produtividade que da expansão territorial das lavouras. O produtor brasileiro tem conseguido produzir mais por hectare porque investe muito em pesquisa e inovação e utiliza maciçamente a tecnologia. Isso passa pela adoção de equipamentos modernos, fertilizantes e corretivos de solo, agroquímicos e sementes de qualidade, melhoramento genético e biotecnologia.

Hoje começam a entrar em campo, em velocidade vertiginosa, os adventos tecnológicos da nova “revolução verde”. São inovações não apenas agronômicas, como de gestão, sobretudo, na área de monitoramento e controle. No universo dos hardwares e softwares, a ordem é convergir e integrar tecnologias em soluções simples, com interface amigável que, não raras vezes, cabem na palma da mão. Elas processam os mais diversos dados, desde os meteorológicos até os financeiros, e utilizam intensamente imagens de drones – invenção, que, aliás, tem sido, ao lado da Inteligência Artificial (IA), a grande estrela desse admirável mundo novo no campo.

O que, no fundo, todas essas ferramentas fazem é ajudar o agricultor a tomar decisões. A depender do processamento dessas informações – e aproveitando ao máximo o potencial das novas tecnologias – teremos muito mais capacidade de bater as nossas próprias marcas em produtividade e produção. Plantamos pouco mais de 60 milhões de hectares na última safra, o que representa, aproximadamente, 7% do território brasileiro. Temos margem para expandir, obedecendo à legislação ambiental. Sem delongas, estamos em plenas condições de ser o maior produtor de alimentos, fibras, florestas plantadas e energia do planeta.

Apesar da nossa notória eficiência na produção para suplantar os efeitos nocivos da falta de infraestrutura, e nos colocar em paridade aos principais concorrentes, argentinos e americanos, preocupam-me os movimentos ideológicos contrários ao desenvolvimento da agropecuária brasileira, que fazem questão de denegrir a nossa imagem. Sinto uma melhora na percepção do setor perante a opinião pública, nos últimos anos, mas precisamos de mais. Precisamos mostrar a ela a verdade: que o agronegócio tem importância e traz benefícios para a economia, a sociedade e o meio ambiente, o que o define como sustentável.

Só poderemos continuar em atividade e aumentando a produção agrícola brasileira, para o bem de todos, se tivermos um ambiente mais previsível e de segurança jurídica, que nos dê conforto e tranquilidade para exercermos nosso trabalho. Tanto quanto as inovações tecnológicas, é disso que o agro necessita para seguir batendo recordes.

Produtor rural, engenheiro de Produção Mecânica e sócio-proprietário do Grupo Horita