Agribusiness

 

CAFÉ

EXPORTAÇÕES TOTAIS TÊM RECUO DE 1,2%

Lessandro Carvalho - [email protected]

As exportações totais brasileiras de café, somando verde e industrializado (torrado e moído e solúvel), ficaram em 23.421.955 sacas de 60 quilos no acumulado dos oito primeiros meses do ano. Isso representa um declínio de 1,2% no comparativo com igual período de 2014, quando os embarques totais foram de 23,716 milhões de sacas. A receita é de US$ 4,087 bilhões no total, incremento de 1% no comparativo com janeiro a agosto de 2014 (US$ 4,047 bilhões). Nos dois primeiros meses da temporada 2015/16 (de julho de 2015 a junho de 2016), as exportações chegam a 5,688 milhões de sacas, queda de 7,2% contra igual período de 2014/15 (6,129 milhões). A receita no acumulado julho e agosto é de US$ 917,754 milhões, diminuição de 20% contra igual intervalo de 2014 (US$ 1,147 bilhão).

A comercialização da safra de café do Brasil 2015/16 (julho/junho) está em 44% da produção total estimada, relativa ao final de agosto, dado de Safras & Mercado. Com isso, já foram comercializados pelos produtores 22,33 milhões de sacas, tomando-se por base a projeção de Safras & Mercado de uma safra de 50,4 milhões de sacas. A comercialização está adiantada contra a média dos últimos cinco anos para este período, que é de 39%. Em 2014, o mês de agosto terminou com 44% da safra comercializada. Houve, ainda, avanço de sete pontos percentuais na comercialização da safra 2015/16 em relação ao final do mês de julho. Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, o repique na Bolsa de Nova York e a disparada do dólar fizeram as cotações do café subirem acima de R$ 500 a saca para as melhores bebidas ao longo de agosto, o que trouxe o vendedor ao mercado e garantiu uma melhora no fluxo comercial.


ARROZ

MERCADO GAÚCHO SEGUE COM PREÇOS EM ELEVAÇÃO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de arroz acumulou alta de 3,4% na primeira quinzena de setembro. No mercado gaúcho, referência nacional, a saca de 50 quilos era cotada a uma média de R$ 36,63, a maior desde 24 de fevereiro. “Esse era um comportamento esperado e que foi postergado devido à não presença do Governo para garantir fôlego financeiro aos produtores e à consequente sobreoferta gerada pela necessidade de venda no pós-colheita”, explica o analista de Safras & Mercado Élcio Bento.

Com a demanda voltando a se ajustar à oferta, o lado vendedor passou a ter vantagem na “queda de braço” para a formação de preços, e o mercado iniciou uma escalada. “A pergunta que se faz neste momento é até que ponto as cotações têm forças para se elevarem”, frisa. No lado fundamental, com uma produção de 12,450 milhões de toneladas, contra 12,125 milhões de toneladas da safra passada, não haveria justificativa para grandes recuperações. No entanto, com o dólar operando acima de R$ 4,00, o arroz brasileiro passou a ser competitivo no mercado externo e a aquisição nos parceiros do Mercosul tornou-se cara.

Na Bolsa de Chicago, referência para a formação de preços extra-Ásia, a saca do grão em casca era cotada a US$ 13,88, com alta de 0,4% em relação ao mesmo momento do ano passado. Convertida para a moeda brasileira, cotada a R$ 3,85/dólar no dia 14 de setembro, corresponderia a R$ 53,42/ saca. No mesmo período do ano passado, a taxa cambial era de R$ 2,33/dólar, e a cotação da bolsa de Chicago era de R$ 32,20/ saca. Ou seja, os preços internacionais, em reais, acumulam valorização de 65,9% em relação a igual momento do ano passado. A média de preços no Rio Grande do Sul (R$ 36,63/saca) é 31,43% inferior à cotação atual na Bolsa de Chicago.


SOJA

BRASIL DEVE ULTRAPASSAR AS 100 MILHÕES DE TONELADAS

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A produção brasileira de soja em 2015/16 deverá totalizar 100,538 milhões de toneladas, aumento de 5,3% sobre a temporada anterior, de 95,496 milhões. A previsão é de Safras & Mercado. No relatório anterior, divulgado em julho, a estimativa era de 99,809 milhões de toneladas. Com o plantio a ser intensificado nos próximos dias, Safras indica aumento de 3,8% na área, que ficaria em 32,921 milhões de hectares. O levantamento indica que a produtividade média deverá passar de 3.025 quilos/ hectare para 3.069 quilos.

O Mato Grosso deverá colher 29,210 milhões de toneladas, com um aumento de 5% sobre a temporada anterior. A safra do Paraná está estimada em 17,868 milhões de toneladas, superando em 4% a produção obtida em 2013/14. No Rio Grande do Sul, a previsão é de uma elevação de 3%, totalizando 15,606 milhões de toneladas. A expectativa é de novo recorde para a produção nacional, rompendo a barreira de 100 milhões de toneladas. “Na comparação com os números de julho, houve revisão na produtividade de alguns estados e também aumento na projeção de área de Goiás, ocupando mais espaço anteriormente destinado ao milho”, resume o analista de Safras & Mercado Luiz Fernando Roque.

O relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) surpreendeu ao elevar a projeção de safra americana em 2015/16. A estimativa para os estoques finais foi reduzida. A safra norte-americana está estimada em 3,935 bilhões de bushels, enquanto o mercado apostava em 3,838 bilhões. O Usda indicava em agosto produção de 3,916 bilhões de bushels. Os estoques ficaram estimados em 450 milhões de bushels, enquanto o mercado esperava 396 milhões. No relatório anterior, a previsão era de 470 milhões de bushels. Para 2014/15, o Usda reduziu a sua estimativa de 240 milhões para 210 milhões de bushels, enquanto o mercado apostava em 228 milhões.

Segundo o Usda, as exportações em 2015/16 deverão somar 1,725 bilhão de bushels, repetindo o número de julho. O esmagamento está projetado em 1,87 bilhão, contra 1,86 bilhão do ano anterior. A produtividade foi elevada de 46,9 bushels para 47,1 bushels por acre. O relatório projetou safra mundial em 2015/16 de 319,61 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era 320,05 milhões. Os estoques finais foram reduzidos de 86,88 milhões de toneladas para 84,98 milhões, abaixo do esperado pelo mercado, de 86,5 milhões.


ALGODÃO

MERCADO DOMÉSTICO TEM POUCOS NEGÓCIOS

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão encerrou a primeira quinzena de setembro com fracas vendas no disponível. “Há pouca pressão de oferta, ainda em virtude do grande número de contratos que os cotonicultores e traders têm que cumprir”, explica o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. Conforme o analista, as fábricas estão querendo pagar o preço mais baixo do que o praticado no Esalq. “Dados divulgados também chamam a atenção, pois a venda no varejo tem diminuído fortemente, e alcançou seu pior patamar desde 2002”, acrescenta.

O preço do algodão no Cif São Paulo era de R$ 2,32 por libra-peso em 16 de setembro. Quando comparado ao mês anterior, havia ganhos de 6,42%. Comparado ao ano passado, acumulava alta de 38,10%.

No cenário internacional, destaque para o relatório de setembro de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), do dia 11.

O Usda estimou a produção global de algodão em 108,74 milhões de fardos para a temporada 2015/16, ante os 108,99 milhões de fardos indicados no mês anterior. Na safra 2014/ 15, eram esperados 118,94 milhões de fardos. As exportações mundiais de algodão foram estimadas em 34,26 milhões de fardos para 2015/16, ante 34,52 milhões no mês passado. A estimativa para o consumo mundial é de 113,44 milhões de fardos, ante 114,65 milhões de fardos indicados no mês anterior.

Os estoques finais foram projetados em 106,26 milhões de fardos, ante 105,19 milhões projetados no relatório passado.


MILHO

PREÇOS INTERNOS SEGUEM ELEVADOS COM BOM MOVIMENTO NA EXPORTAÇÃO

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho permanecia com um quadro de preços bastante favorável na segunda quinzena de setembro. A forte desvalorização do real frente ao dólar, diante da elevada falta de confiança do mercado internacional na solidez econômica brasileira, tem contribuído para um movimento bastante aquecido das exportações do cereal, o que acaba mantendo os preços internos bem elevados.

De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a boa perspectiva de exportação tem deixado o mercado interno bastante lento, pois os vendedores procuram reter a oferta projetando um aquecimento ainda maior das cotações. Os compradores, de outro lado, dispondo de poucos estoques, acabam se sujeitando a pagar preços maiores para o cereal, mas apenas para atender as necessidades mais pontuais. “Essa condição tem deixado o mercado bem travado”, afirma.

Outro fator de suporte ao cereal leva em conta o corte na estimativa de produção dos Estados Unidos promovida pelo Departamento de Agricultura (Usda), no relatório de oferta e demanda de setembro, estimando a safra em 345,07 milhões de toneladas. “Embora o corte tenha ficado aquém do esperado pelo mercado, essa redução também acabou contribuindo para uma recuperação das cotações no cenário internacional, o que gera reflexos no mercado doméstico”, analisa.

Molinari ressalta que outro ponto de atenção no momento é o início do cultivo da safra verão 2015/16 no Centro- Sul do Brasil. “A perspectiva é de que a área possa recuar frente aos 4,536 milhões de hectares plantados na safra verão 2014/15, ocupando 4,095 milhões de hectares. Esse fator também pode contribuir para manter os preços do cereal aquecidos”, finaliza.


TRIGO

PREÇOS SOBEM NO PARANÁ COM MAIOR LIQUIDEZ DO MERCADO INTERNO

Gabriel Nascimento – [email protected]

O mercado brasileiro de trigo vem apresentando maior volume de negócios, principalmente na Região Norte do Paraná. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, os preços apresentaram forte elevação na terceira semana de setembro. As cotações ficam entre R$ 700 e R$ 720 a tonelada de trigo de safra nova. Na semana anterior, os reportes estavam entre R$ 630 e R$ 640. “As chuvas das últimas semanas provocaram perdas na produção do cereal. Entretanto, o trigo que será colhido daqui para frente pode apresentar qualidade superior”, explica o analista. Na Região Centro-Sul do Paraná, o mercado segue travado, com poucos negócios sendo realizados e com preços estáveis, se mantendo nos mesmos patamares. “Também houve perda de qualidade do cereal devido às chuvas recorrentes das ultimas semanas”, disse.

No Rio Grande do Sul, a colheita de trigo deve começar em meados de outubro. No mercado internacional, a Bolsa de Chicago para o trigo tem sido pressionada por fatores técnicos, além de dados do cenário financeiro. A firmeza do dólar tira a competitividade do cereal americano. As chuvas que caíram recentemente na região das Grandes Planícies dos Estados Unidos favoreceram o plantio de inverno. O quadro otimista em relação às lavouras aliado às preocupações quanto à demanda pelo grão norte-americano e à força do dólar, pressionou os preços ao longo da semana que se encerrou em 18 de setembro.