Na Hora H

ONDE AS COISAS FUNCIONAM, ÀS VEZES ÀS AVESSAS, MAS PARA O INTERESSE DA SOCIEDADE

ALYSSON PAOLINELLI

Na última semana de setembro estive na Comunidade Europeia, com a Maizal, a Associação dos Produtores de Milho da Argentina, do Brasil e dos Estados Unidos, países que juntos produzem mais de 50% de todo o milho do planeta e que a soma de suas exportações passa de 70 a 80% de todo o cereal comercializado internacionalmente. Ainda não entendemos por que União Europeia se opõe tanto aos nossos milhos transgênicos. Por coincidência, esses três países consomem cerca de 80% do que produzem e alimentam bilhões de aves, milhões de suínos e bovinos, tanto na produção de leite quanto na de carne. E ainda alimentamos nossa família. Os milhos produzidos pelos nossos produtores, que não escondem e nem enganamos, são quase na totalidade transgênicos.

Nunca houve um caso sequer que provocou qualquer dúvida ou falta de segurança alimentar. Então, por que essa dúvida? Ela não pode existir na Europa, já que não permite o plantio dos transgênicos em suas terras, mas compra os nossos milhos transgênicos. E, na realidade, compra milho transgênico produzido na Europa também dos países que, de forma disfarçada, plantam e comercializam, o que não poderiam fazer. Produzir e comprar pode; só não pode revelar. As indústrias que o digam: “Usamos, mas não podemos falar”. Na realidade, os políticos têm de ficar em cima do muro. As ONGs europeias são muito fortes. Têm dinheiro que não acaba mais. Fazem pressão sobre os consumidores e apregoam mentiras vergonhosas que deixam a sociedade com medo.

Os políticos preferem, a não ser os dos Partidos Verdes, ignorar os verdadeiros fatos. Com isso, a legislação passa apenas a ser texto no papel e os sistemas de análises e julgamento dos produtos ficam para as calendas. Se a lei na Europa também determina que os produtos devam ser analisados em 18 meses, já temos diversos casos com mais de três anos e meio sem solução. No entanto, no interesse maior da sociedade ninguém fala, sendo que o produto está sendo usado de forma consciente, mas não informada. É o interesse maior de toda a comunidade.

Há muito tempo tenho ouvido falar no belíssimo e objetivo trabalho que na Europa fazem as federações das indústrias, dos produtores, dos mercadistas e até dos consumidores, que criaram uma instituição privada, a BLL, pela qual análises rápidas e objetivas informam a produtores industriais, comerciantes e consumidores a qualidade efetiva do produto, informando todas as suas condições para o uso da população. Inclusive resíduos ou qualquer outro produto que possa vir a contaminar quem deles fizer uso. Confesso que fiquei impressionado com a eficiência desse instituto rivado. Dele não escapa nada. O consumidor alemão ou qualquer seu vizinho poderá valer-se dele contando com a presteza, eficiência e qualidade dos seus serviços.

A BLL cumpre fielmente a sua função para evitar que o consumidor seja enganado com propagandas ou anúncios falsos. Depois de mais de uma hora de uma conversa animada, tomei coragem e perguntei: “E as mentiras e divulgações falaciosas das ONGs, quem cuida delas?” A resposta veio de imediato: “Mentiras e desinformações morrem aqui em nossos laboratórios. Não nos cabe investigar a origem delas”. Esse assunto, por definição dos nossos mantenedores, já está sendo tratado por uma comissão de especialistas que, com a nossa mesma experiência, está investigando a origem de tanto dinheiro que elas recebem para fazer a deformação e as mentiras que levam, a peso de ouro, a confundir consumidores incautos.

Se no Brasil não podemos ter uma BLL à altura das europeias, não seria possível pelo menos que fizéssemos uma varredura da origem dos recursos das ONGs brasileiras que, com tanto dinheiro, também espalham por aqui a intranquilidade da Europa?

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura