Cultivo de pastagens amplia sequestro de gases de efeito estufa

Após serem responsabilizados, especialmente em 2020, pelo desmatamento, pelas queimadas e pelo aquecimento global, os criadores brasileiros começaram a responder às críticas ambientais com resultados práticos. Um deles está na Liga do Araguaia, movimento de pecuaristas do médio Araguaia mato-grossense criado para materializar o conceito de sustentabilidade. Com base em uma agenda positiva, o grupo busca tornar áreas já abertas mais produtivas com boas práticas de produção, boa governança, gestão com base em dados, adoção de novas tecnologias, produção com biodiversidade, cumprimento estrito do Código Florestal Brasileiro e cooperação entre os produtores e os demais elos da cadeia.

Um dos projetos da Liga do Araguaia, que está em finalização, mostra que há potencial para a produção de uma carne carbono neutro por meio do sequestro de CO2 pelas pastagens cultivadas. O chamado Projeto Carbono Araguaia foi implantado em 2015 para contribuir na compensação das emissões causadas pelos Jogos Olímpicos Rio 2016, realizados no Brasil. E envolveu o balanço líquido de emissões ocorridas em 82 mil hectares de pastagens pertencentes a 24 fazendas ao longo de cinco anos. Na prática, as 24 fazendas participantes com uma área de 82 mil hectares investiram em reforma, restauração e integração de pastagens. Com isso, contribuíram para a maior fotossíntese e captação de carbono pelo meio ambiente, já que o combate à degradação dos pastos está intimamente ligado à redução da emissão de CO2.

O exemplo vai ao encontro dos últimos resultados do Plano ABC, Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. Lançado em 2010, o plano que tem como objetivo melhorar a eficiência no uso de recursos naturais, aumentando a resiliência de sistemas produtivos e de comunidades rurais e possibilitar a adaptação do setor agropecuário às mudanças climáticas através da redução das emissões de GEE (mitigação).

Segundo a Embrapa, de 2010 a 2020, mais de 4 milhões de hectares de pastagem degradada foram recuperados com ajuda de crédito oficial. Pelo menos, outros 7 milhões de há foram manejados com diferentes fontes de financiamento ou recursos dos próprios produtores, alcançando meta próxima de 14 milhões de ha. Em relação ao tratamento de dejetos, o programa alcançou 40 milhões de m³ de dejetos animais tratados, frente à meta de 4,4 milhões. Até 2017, a fixação de nitrogênio atingiu 10 milhões de hectares, ante a meta de 5,5 milhões. Já o plantio direto, que visava atingir 8 milhões de hectares, alcançou aproximadamente 13 milhões, superando a meta. E a adoção de ILPF atingiu 6 milhões de hectares, ultrapassando em 2 milhões na meta.

A matéria completa está na Revista AG de fevereiro. Confia!

Data: 22/02/2021
Fonte: Revista AG

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