O desafio de manter o protagonismo brasileiro no mercado mundial de carne bovina

A pecuária de corte está diante de uma grande oportunidade de crescimento nas próximas décadas, mas, para que o setor consiga aproveitar esse momento, deverá superar alguns desafios importantes: aumentar a produtividade, preservar o meio ambiente, o bem-estar animal, implantar a rastreabilidade de ponta a ponta na cadeia de produção, garantir a qualidade e segurança dos produtos finais, contribuir para a inclusão social e responder aos questionamentos dos formadores da opinião pública, minimizando preconceitos e desinformações instaladas na comunidade acadêmica e em organismos multilaterais.

A evolução da atividade esteve sempre calcada em ativos estratégicos encontrados no País (condições climáticas favoráveis, disponibilidade de terras a preços baixos, oferta abundante de mão de obra, tecnologia de produção adaptada às condições do país, entre outros), o que determinou, de certa forma, o impulso da competitividade desse setor produtivo. Entretanto, na última década houve um movimento crescente de deterioração desses ativos devido a uma forte pressão de custos, que, por sua vez, deriva de um grande aumento da remuneração e da escassez do fator de produção mão de obra, importante valorização das terras e crescentes restrições socioambientais.

Essa deterioração remete ao surgimento de uma terceira onda para a pecuária de corte para os próximos 20 anos, indicada no estudo intitulado “O Futuro da Cadeia Produtiva da Carne Bovina Brasileira: Uma Visão para 2040”, disponível em www.cicarne.com.br, elaborado pelo Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne) da Embrapa, em parceria com Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

De acordo com o pesquisador e coordenador do CiCarne, Guilherme Cunha Malafaia, que detalhou o tema no Guia do Criador 2021, movimentos importantes transformarão o setor nos próximos vinte anos. E, para o Brasil manter sua posição de liderança no cenário mundial – e mesmo para ampliá-la - alguns desafios serão enfrentados por toda a cadeia de produção de carne:

• O mercado consumidor se movimentará em duas direções. A primeira, mais óbvia, será a do crescimento, oriundo de novos mercados, em especial na Ásia. A segunda será a sofisticação: cortes diferenciados e produtos de origem denominada irão abrir novas oportunidades de geração de valor ao mercado. O maior grau de exigência do consumidor será um grande gatilho transformador da atividade. A concorrência com outras fontes de proteína também forçará toda a cadeia a produzir melhor. O bem-estar animal será mandatório, da cria ao abate, por questões econômicas.

• A inovação digital será uma das duas maiores forças disruptivas para o mercado nas próximas duas décadas, e servirá de força catalisadora no processo de transformação da cadeia, injetando gestão e inteligência na atividade. Esta aproximará o elo produtor do consumidor, e terá papel central na certificação, na rastreabilidade e na qualidade do produto carne.

• A busca por soluções sustentáveis será forte, transformando a indústria de insumos.

• Soluções biológicas irão ocupar espaço importante no manejo. A biotecnologia impactará desde o manejo na propriedade até a qualidade do produto final que chegará à mesa dos consumidores. Junto com o digital, a biotecnologia será a grande mola propulsora de transformações.

• O impacto social será muito relevante - muitos pecuaristas não conseguirão se adaptar e deixarão a atividade. A escala será um pilar importante no contexto produtivo. Haverá importante apagão de mão de obra, o qual será necessário formar e reter. Contar com profissionais qualificados na pecuária será um dos maiores desafios para todo o setor.

“Se a missão novamente for cumprida, surfaremos na crista da terceira onda. Ocuparemos espaço no cenário internacional, exportando desde genética até produtos altamente especializados e de elevado valor agregado. Seremos uma pecuária altamente tecnificada, profissional, competitiva e uma referência global não só pelo gigantismo, mas também por sua tecnologia e qualidade”, conclui Malafaia.

Data: 13/01/2021
Fonte: Guia do Criador 2021

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