Quais serão os mpactos da desvalorização do Real nas exportações de carne

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) projeta anualmente a
oferta e a demanda globais das principais commodities agrícolas para os próximos 10
anos por meio de modelos matemáticos. As projeções do USDA para 2019-28 –
divulgadas em fevereiro de 2019 – indicam crescimento contínuo na produção e nas
exportações brasileiras de soja, milho, carne bovina e aves. Estas projeções
consideraram a recessão brasileira de 2014-16, com crescimento real do PIB de 1% em
2017 e estimando 3% a.a. até 2024, menos do que outros países em desenvolvimento.

Cenários alternativos do USDA para o Brasil

Como o Brasil é um importante exportador agrícola, a análise das exportações
brasileiras e suas relações com a situação econômica do país e do mundo são objeto de especial interesse do USDA. Um segundo estudo do USDA publicado em setembro
investigou os possíveis efeitos da desvalorização do Real sobre o crescimento recente e projetado. Para isso, pesquisadores do USDA simularam impactos de dois cenários
macroeconômicos alternativos sobre o cenário base do USDA publicado em fevereiro:

- Desvalorização do Real em ritmo mais rápido: uma desvalorização abrupta de 31%
em 2019, seguida de desvalorização de 24% a.a. até 2028.

- Crescimento sustentável, supondo que o Brasil teria conseguido sustentar o
crescimento econômico estabelecido antes de 2014, não só nos anos futuros (2019-
28), mas também no período 2014-2016 em que de fato houve recessão.

A depreciação mais rápida do Real nos próximos anos levaria a um crescimento ainda mais rápido nas exportações brasileiras de milho, soja, carne suína e de frango, embora a produção de suínos e aves no Brasil seja afetada negativamente pelos preços mais altos de milho e soja para alimentação animal.

A exportação de carne bovina também é afetada pelo aumento de preços de grãos e
diminui por causa do efeito adicional da expansão da área de cultivo que reduz o uso
da terra por pastagens.

Comparando os cenários alternativos

A comparação dos cenários mostra que a desvalorização do Real favorece mais as exportações agrícolas do que o crescimento sustentado, exceto para a carne bovina, em que as exportações pouco variam ou até caem, tanto em cenários de desvalorização acelerada do Real, como em cenários de crescimento
sustentado.

O crescimento global de longo prazo leva ao aumento da demanda por commodities brasileiras e, com maiores incentivos econômicos internos para a expansão do setor, o Brasil deve continuar a aumentar sua competitividade agrícola na próxima década. No entanto, os bloqueios no mercado global e a turbulência financeira podem levar a economia brasileira a uma nova recessão severa. O efeito líquido das medidas
políticas para reanimar a economia e desvalorizar ainda mais a moeda pode ser contrabalançado pela redução da demanda global, uma situação diferente da experimentada durante a recessão brasileira de 2014-16.

Data: 26/10/2020
Fonte: Embrapa

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