A semente da pecuária

O touro está para o pecuarista assim como a semente está para o agricultor. Sua importância se equivale à da cultivar para a lavoura. Há quem o considere, ainda, mais importante do que o grão a ser plantado que será plantado. Afinal, a escolha dos reprodutores irá direcionar a produção pecuária da fazenda por mais de uma década. Além do tempo que permanece na propriedade, um touro deixa muitas filhas em vida reprodutiva. Se adquirido neste 2020, por exemplo, ficará na cria por uns sete ou oito anos, o que nos permite pensar que haverá filhas nascendo ainda em 2029. Assim, pode-se dizer que um touro comprado agora terá uma descendentes em produção até meados de 2035. E, se ainda levarmos em conta que um bom touro pode deixar um animal com diferença de desmame entre 5% a 10%, no acumulado de cinco ou seis anos, teremos grandes feitos cumulativos em outros índices como taxas de prenhez, peso de carcaça ou peso de entrada em confinamento, por exemplo.

Assim, da mesma forma como o agricultor dedica tempo para aprimorar seu conhecimento ou investir em orientação especializada, o pecuarista precisa pensar em longo prazo quando investir na ronovação da tourada. É necessário pensar o negócio de modo a segmentar as escolhas, seja em pista ou em compras diretas. Seja presencial ou virtualmente.

A tecnologia, que já colocou nossa genética a serviço da genômica, nos coloca frente a frente com a edição gênica. Já há experimentos no Brasil com animais geneticamente modificados para fins produtivos, como conta o professor da Unesp, José Fernando Garcia, na entrevista das próximas páginas. E, prevê que, daqui a dois anos, devemos ter animais Angus termotolerantes sendo criados no Brasil Central.

Frente a esse e a tantos outros avanços que, compulsoriamente, entram porteiras a dentro, não há mais espaço para o criador “nem nem”, que não é nem selecionador, nem produtor gado para corte. É preciso render-se ao novo mundo, às mudanças trazidas pela pandemia e à profissionalização crescente e constante. Quem sabe a próxima temporada de monta não seja uma boa oportunidade para começar?
Boa leitura!

Data: 31/07/2020
Fonte: Revista Ag

Últimas notícias