Dinossauros

O Coronavírus é um asteroide que veio do céu, caiu na Terra, explodiu e vai matar todos os dinossauros. Assim parafraseou o amigo Ernesto Coser Neto o presidente da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Maurício Velloso, ao falar da necessidade da reinvenção da pecuária na live que realizamos todas as terças e quintas no instagram @agranjaeag. Em enriquecedora e agradável conversa, ele foi muito preciso ao mencionar que, mais do que reinventar a pecuária, é preciso reinventar o pecuarista.
Para isso, cita o célebre pecuarista, político, diplomata e estadista brasileiro do final XIX e início do século XX que, à época, já tratava a agricultura e pecuária como irmãs inseparáveis. “Pecuária é a modalidade de agricultura cuja colhedora tem focinho, rabo, rumina e muge”, definiu Maurício, chegando, coincidentemente, ao tema central desta nossa edição da Revista AG, a nutrição. “Nossa lavoura é a forragem, que resulta na colheita de pastagem, que é feita da colheita da folha, que é muito mais exata que a do grão. Se você tiver que colocar o gado pra comer hoje, às 11h, é hoje, e não amanhã quando você já terá já perdido o ponto ótimo de consumo”, pontuou com exatidão.
Com as margens cada vez menores, será essa precisão, de agora em diante – e mais do que nunca – que fará toda diferença no desenvolvimento zootécnico dos animais, na preservação da saúde das pastagens, no consumo e no aproveitamento da suplementação, na preservação do meio ambiente, na rentabilidade do gado no frigorífico, na atividade pecuária. É preciso, portanto, quebrar o paradigma de que não há “vocação” para produção de grãos, mas a necessidade do pecuarista fazê-la, defendeu.
Tamanha precisão vem ao encontro do conteúdo dessa edição, que aborda, sob diversas formas, a necessidade de o criador ser detalhista, exato e certeiro na nutrição do rebanho. Porém, é urgente, também, que ele se nutra de conhecimento para que, de forma holística e rápida, possa conduzir sua atividade com foco no resultado. “Vamos ter que nos reinventar, vamos precisar de expertises, desenvolver capacidades e competências que não tínhamos, que não desenvolvíamos”, alertou.
Os novos tempos pedem pela reinvenção do pecuarista, das suas famílias, dos seus funcionários e de todos que fazem parte da cadeia pecuária. “Seus funcionários precisam saber que não se grita com vaca, não se bate em vaca, é preciso ser ‘light’ com a bezerrada, gado de cria precisa ser manso, temperamento é tudo em gado de cria”, exemplificou. Por fim, desejando uma aprazível leitura, deixamos a inquietação desse pecuarista que abrilhantou nosso Coffee Break de 19 de maio (disponível em nosso IGTV no @agranjaeag) e que serve para absolutamente todos os profissionais: você é um dinossauro?

Data: 05/06/2020
Fonte: Revista AG

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