Genômica: Mantando vários coelhos com uma cajadada só...

Antes de propor o título politicamente incorreto acima, fiquei pensando na melhor forma de expressar a sensação de resolver vários problemas, desafios ou missões de uma só vez, mas não consegui encontrar uma melhor. Uma sensação equivalente àquela de saírmos com uma lista de coisas para fazer, retornando, no final do dia, com todas as tarefas cumpridas. Assim é como vejo a genômica integrada ao melhoramento genético. Com uma diminuta amostra de pelo da cauda, faz-se a genotipagem (determinação de marcadores), descobrindo a combinação de letras que compõe o código genético de cada animal individualmente. Até aÍ trata-se de um problema simples que empresas como a Neogen e a Zoetis (no caso do Brasil) tem a capacidade de solucionar.

Os problemas começam a partir daí.
Quando pensamos em genoma, logo pensamos no “todo” (o sufixo “oma” significa isso). Não queremos estudar um só gene, uma só característica ou apenas determinar a paternidade. Queremos saber tudo de um animal, de preferência com 100% de certeza sobre as conclusões para fazer acasalamentos cada vez melhores.
Infelizmente, ainda não estamos nesse nível de informação, mas quase! Na minha opinião, um teste de DNA que custa, aproximadamente, R$ 100,00, composto por entre 30 e 50 mil marcadores genéticos, que por si só não oferece qualquer informação direta, pode ser utilizados para “matar” diversos coelhos de uma só vez.

Simultaneamente, se bem organizado dentro de um programa de melhoramento genético, uma associação de raça ou mesmo de uma empresa pecuária, essa abordagem pode permitir a determinação simultânea das seguintes informações: i. DEP genômica, ii. Marcadores funcionais, iii. Paternidade para registro genealógico, iv. Descoberta de marcadores para novos fenótipos, v. Certificação de origem, vi. Pureza racial, entre outras funcionalidades que estão por vir. Um exemplo desse tipo de “programa integrado” é o desenvolvido pela Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol), denominado PMGS (Programa de Melhoramento Genético Senepol).

A ABCB Senepol estruturou um sistema no qual, ao fazer o teste genômico do seu animal, o criador terá acesso a, pelo menos, três das informações acima listadas (paternidade para registro, DEP genômica, marcadores funcionais Slick – pelo curto e DM – dupla musculatura), além de contribuir para a construção do Arquivo Zootécnico Nacional da raça, que é constituído por pedigrees, fenótipos e genótipos que geram um acervo de valor inestimável para o desenvolvimento de pesquisas e outras aplicações.

Graças a esses esforços, a ABCB Senepol tem a possibilidade de procurar por marcadores para defeitos genéticos (manchas, resquícios de chifres, problemas de casco) e características de valor econômico (marmoreio/maciez, rendimento de carcaça, entre outras).
O modelo aplicado pela raça Senepol no Brasil tem a vantagem de, ao consolidar diversas aplicações num único teste, tornar o uso da genômica mais acessível e, consequentemente, permitir sua perpetuação como serviço prestado pela associação aos criadores.

Neste mês será divulgada a primeira avaliação genética genômica da raça, desenvolvida pela EMBRAPA/GenePlus em parceria com a ABCB Senepol, permitindo a melhoria das predições genéticas e o consequente desenvolvimento da raça no Brasil e no mundo. Para isso foram utilizados mais de 5.000 animais genotipados e fenotipados que constituíram o que se denomina população de referência.

Outras raças de menor tamanho populacional estão começando a se organizar para implantar a genômica em seu dia a dia aqui no Brasil, o que lhes trará um ganho importante em tecnologia e participação no mercado competitivo da genética bovina de corte.

Data: 09/09/2019
Fonte: Revista AG

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