INFLUÊNCIA DA TESTOSTERONA NO DESEMPENHO ANIMAL

Pela responsabilidade que tenho em transmitir informações confiáveis aos leitores, me debrucei sobre algumas teses referentes ao tema “castração em bovinos jovens e seus efeitos no desenvolvimento deles”, a fim de dirimir algumas dúvidas a respeito do assunto.

Encontrei algumas publicações sobre esse dilema vivido pelos produtores que fazem o ciclo completo, além de receber do pesquisador Gustavo Rezende Siqueira – a quem agradeço o desprendimento em me atender – duas teses de doutorado (de Aline Domingues Moreira e de Giulianna Zilochi Miguel) para maior aprofundamento do tema.

A questão sobre o momento ideal para castrar um animal F1 de corte abatido até os 14 meses de idade (superprecoce) é motivo de discussão em diversas reuniões técnicas das quais participo. Mesmo sabendo que, após a puberdade, animais inteiros são mais eficientes na produção de músculo que os machos castrados, devemos nos atentar para o fato de que os sistemas de produção de carne vermelha vêm se encaminhando para uma intensividade, tal qual ocorre nos suínos e nas aves. Ou seja, já temos alguns projetos que desmamam animais e os confinam logo após essa fase, suprimindo a fase de recria.

Dessa forma, na busca de uma resposta mais efetiva para o momento ideal de castrar, procurei estudos que relatassem a concentração sérica de testosterona em animais cruzados castrados e inteiros desde o momento da desmama até a puberdade. E encontrei na tese da zootecnista Aline Domingues Moreira, que estudou o desempenho e as demais características fisiológicas de três grupos de animais desmamados (imunocastração, castração cirúrgica e não castrados), medindo, entre outros aspectos, a concentração de testosterona no sangue dos três grupamentos, desde a desmama até o abate.

A testosterona é o hormônio que, após a puberdade, proporciona aos machos o desenvolvimento das características masculinas, propiciando incremento da musculatura e consequente melhora do rendimento de carcaça, fator que vem levando a decisão de muitos invernistas a não castrarem seus animais.

Na tese da zootecnista Aline, orientada pelo dr. Flavio Dutra de Resende, pesquisador da APTA de Colina, observou-se que tanto os bezerros F1 castrados como os inteiros apresentaram o mesmo nível sérico de testosterona na desmama, demonstrando que não há diferença entre se castrar no nascimento ou na desmama. Essa primeira conclusão demonstra por que muitas fazendas que castram bezerros no nascimento vêm obtendo o mesmo peso na desmama quando comparado com animais mantidos inteiros.

Aliás, a castração ao nascimento leva, ainda, a vantagem de não haver estresse pós-cirúrgico e problemas pós--castração.

No momento da desmama, os três grupamentos apresentaram concentração de testosterona na faixa de 0,66 ng/ml, demonstrando que animais inteiros F1 Angus x Nelore ainda não se diferenciam de animais castrados até essa idade. Veja tudo na coluna "Caindo na Braquiária", assinada pelo zootecnista Alexandre Zadra.

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Data: 12/04/2019
Fonte: Revista AG

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