O que fazer para a pista voltar a ter maior importância na genética zebu?

Olá amigos do agro, acabo de retornar do encontro de atualização do colegiado de jurados das raças zebuínas, organizado pela ABCZ. Além da oportunidade de encontrar amigos, o evento trouxe um conteúdo que nos faz pensar como encarar as limitações e buscar soluções para que a pista volte a ter maior importância na genética zebuína – e, consequentemente, maior influência direta na pecuária comercial.

A programação teve início com os jurados realizando um exercício prático de avaliação visual em um grupo de animais medidos por ultrassonografia para área de olho de lombo (AOL) e espessura de gordura subcutânea (EGS). Na sequência, o diretor técnico da entidade comentou um gado descendente da genética importada em 1962. Para finalizar o primeiro dia, tivemos um exercício de comentários com gado de cabresto/baia. Na manhã seguinte, tivemos uma série de três palestras excelentes. A primeira trouxe experiências riquíssimas do julgamento de gado leiteiro, com excelente material de imagens e referências de matriz; a segunda falou sobre perspectivas do mercado mundial de carne; e a terceira apresentou um verdadeiro raio-x do perfil das categorias e classificações de carcaças abatidas no Brasil.

No último período do encontro, houve a apresentação dos resultados gerais do exercício prático de avaliações visuais, conduzido pelos amigos especialistas em ultrassonografia, seguido da entrega dos resultados individuais de cada jurado. A estatística foi bem conduzida e explicada, porém, faltou base conceitual para coleta dos fenótipos dos escores visuais, já que parte do colegiado nunca havia participado de um treinamento/credenciamento para calibrar os olhos com a metodologia. Faltou também olharmos a referência do lote antes de iniciarmos as avaliações individuais, o que está previsto na metodologia EPMURAS e que garante maior grau de precisão do avaliador. Minha conclusão é que o exercício foi interessante, mas o resultado deve ser interpretado com cautela.

No início do evento, o diretor técnico foi aplaudido, ao assumirmos, enquanto colegiado, a responsabilidade da existência de um “muro” entre os universos de pistas de julgamento e avaliações genéticas. No entanto, ao final do encontro, foi aberta a palavra ao plenário, e dentre várias colocações importantes, um técnico e criador arrancou aplausos quando afirmou que a “sobrevivência da pista” depende de uma referência mais clara de modelo animal para que o jurado compreenda melhor como deve julgar e o criador tenha mais claro o que deve selecionar. Parece simples, mas é extremamente complexo, se pensarmos que mesmo que seja definido a referência de animal adulto, ainda temos que imaginá-lo nas idades julgadas. Saiba tudo na coluna BRASIL DE A a Z, escrita pelo zootecnista William Koury Filho.

Data: 08/03/2019
Fonte: Revista AG

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