A Genômica e as associações de criadores

Com a chegada das ferramentas genômicas ao setor da pecuária bovina de corte e de leite lá pelos idos de 2009, sendo as mais conhecidas os SNP chips e suas variações, todos os elos da cadeia de melhoramento genético animal começaram a se mover, desde então, no sentido de retirar o máximo proveito daquela tecnologia nascente.

A tradicional indústria farmacêutica animal foi, para surpresa de muitos, um dos primeiros elos a se mover, com o desenvolvimento de soluções genômicas que preconizavam testes desenhados para bovinos de leite e de corte, inicialmente de qualquer categoria (elite ou comercial) e mais adiante indicado, preferencialmente, para animais de rebanhos comerciais.

Essa iniciativa acabou gerando a reação de associações de criadores, em especial das raças Holandesa e Angus na América do Norte e Europa, que, vislumbrando o rumo que a tecnologia genômica poderia tomar, resolveram internalizar os processos de inteligência analítica (interpretação dos dados e geração de informação), criando respectivamente o Council of Dairy Cattle Breeding (CDCB) e a Angus Genetics Inc. (AGI).

Essas entidades privadas prestam serviços aos criadores por meio das associações respectivas, dando o dinamismo necessário ao processo de seleção genômica. Para se ter um ideia do seu papel, hoje, as avaliações genômicas são realizadas semanalmente por essas empresas, criando uma dinâmica de melhoramento nunca antes observada em bovinos.

Ao mesmo tempo, um terceiro elo da cadeia, os laboratórios de genotipagem (análise genômica através de SNP chips) começou a se fortalecer e criar condições para massificar o uso da genômica, graças à redução de preços e qualidade dos serviços, tornando-se provedores de parte fundamental do processo genômico: o processamento de amostras e testes de DNA.

Atualmente, todas as associações de criadores e grandes grupos pecuários estão utilizando, ou tratando de utilizar, de alguma forma, a genômica, diretamente através de programas de melhoramento genômico próprios ou indiretamente através da análise do DNA de animais utilizando bancos de dados internacionais de referência (por exemplo o CDCB e a AGI).

Existem ainda algumas raças consideradas “menores” (por conta do tamanho da população e inserção no mercado) que buscam avidamente incorporar essa nova ferramenta utilizando metodologias alternativas, porém, muito eficientes.

No Brasil existem iniciativas pioneiras na raça Nelore, vindas de grupos pecuários ou conjuntos de criadores, os quais têm utilizado de forma constante e crescente a informação química do DNA nas predições genéticas utilizadas para o melhoramento.

As associações brasileiras de criadores estão acordando para essa nova realidade e buscam modelos eficientes de implementar os mecanismos da genômica em seu dia a dia, com o intuito de competir com raças onde esse processo já foi totalmente incorporado. Leia a íntegra da coluna assinada pelo professor José Fernando Garcia, na edição de março da AG.

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Data: 08/03/2019
Fonte: Revista AG

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