Sobrevoando: os números da pecuária

Ah... os números...coisa mais brutal e dura...Os números não mentem jamais, porém, podem enganar, sem querer ou de propósito.
Muitos de nós gostamos de nos enganar com eles, principalmente, quando soam bonitos e grandes, quando favorecem o nosso trabalho.
“Tive 80% de prenhês na IATF!” Pode ser um número ótimo ou nem tanto. Temos de ter mais informações para avaliar. E se neste resultado foram utilizadas somente vacas falhadas que estavam rachando de gordas, folgadas num pasto novo e tiveram o seu toque realizado bem precoce, com pouquíssimos dias de gestação, via ultrassom? Será que é tão bom assim? E se estas mesmas vacas parem somente 70%? E se estes bezerros nascidos desmamam em percentual de apenas 65%? E se estes bezerros ao crescerem e se desenvolverem na fazenda viram somente 50% depois de serem alguns roubados, sumidos, mortos por doença das mais variadas, raio, picada de cobra etc. Será que este número continua tão bom assim?

E se o número de prenhez na IATF é de 60%? Parece não tão bom? E se foi obtido com vacas com cria ao pé, em toque realizado 60 dias depois da IA em pasto normal da fazenda, com condição corporal 3 e que pariram 58% e que os bezerros desmamados foram 55% e até chegar a vida adulta viraram em 50% do total de fêmeas? Será este número não tão bom assim?
Pois é, os números não mentem, mas podem enganar mesmo. Na ânsia por números maiores nas IATFs a fim de fazer a fama de algum protocolo, produto farmacêutico, veterinário, fazenda, raça ou de todos envolvidos, muitas vezes têm aparecido números bem vistosos, mas que muitas vezes não acompanham as devidas explicações. Leia mais na coluna "Sobrevoando".

Data: 08/02/2019
Fonte: Revista AG

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