O boi e as pessoas

Nosso boi é o nosso orgulho. Com paixão escolhemos a raça, pesquisando e conversando com os vizinhos definimos os processos do manejo do solo, pasto e do rebanho. Temos ideias claras sobre quando e como pesar os animais ao longo da sua estadia na fazenda e sobre quase todos os mais de dez elementos do processo produtivo que interagem em mais de 100 combinações possíveis. Na verdade, somos quase malabaristas do circo da produção bovina. Como resultado desse esforço, atingimos uma produtividade que é o dobro da média nacional, que oscila em torno de 3 a 4 @/ha.

Ou seja, estamos contentes, ou quase, pois observamos, nos vários eventos que frequentamos, que existem outros pecuaristas que apresentam números que equivalem ao dobro dos nossos, e, o que nos dói ainda mais, o triplo da nossa rentabilidade econômica. Se nós atingimos [email protected]/ha ao longo dos últimos anos e se eles ganham 1.200 R$/ha/ano, enquanto a média brasileira varia entre R$/150 e 200 ha/ano, o que nos está faltando para alcançarmos esses resultados?

Primeiro, temos de lembrar que uma boa produtividade não leva automaticamente à alta performance econômica. Às vezes caprichamos, por paixão, em detalhes físicos do boi ou da fazenda que somente representam custo adicional, sem trazer lucro. Segundo, será que sabemos de forma detalhada quanto é o nosso custo direto e indireto para podermos apurar o lucro real de cada exercício? Como tratamos as depreciações? O valor contábil do uso da terra está incluído no cálculo, ou fingimos que o custo da terra é zero? Pois, nós poderíamos vender a nossa fazenda, aplicar parte do dinheiro no banco e com o resto arrendar propriedades de pessoas que deixam de produzir. Com esse modelo alavancaríamos o lucro ao focar na operação e não na valorização da terra. Temos assim algum trabalho de casa a fazer para definir com mais clareza o estado das coisas do nosso negócio rural nesse ano que acabou de nascer com novas perspectivas e muitas esperanças.

Por que fazer esse exercício? A resposta é simples. Todos os dias recebemos informações sobre inovações em todas as áreas do nosso negócio. Novas máquinas, drones que substituem a aviação agrícola, aplicativos que medem a temperatura dos animais, fotos que substituem a balança para pesar o boi em tempo real etc. Com todas essas inovações na genética, na nutrição, nos produtos de sanidade e no manejo dos animais perdemos um pouco a noção daquilo que é realmente relevante para nosso caso. Saiba mais na coluna, "Na Varanda", assinada pelo economista Francisco Vila.

Data: 08/02/2019
Fonte: Revista AG

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