Classe C deseja carne melhor

Picanha, alcatra, contrafilé são disparados os cortes cárneos bovinos mais procurados no fim de semana. Quem come mosca e chega tarde ao açougue tem de ir longe para encontrar o melhores cortes para churrasco.
As carnes de grelha e gourmet sempre estiveram no prato dos consumidores das classes A e B. Tamanha é a demanda que até pouco tempo atrás varejistas e empresários do ramo da gastronomia recorriam frequentemente às importações argentinas e uruguaias.
Com aumento na oferta de bois providos de maior rendimento de carcaça e bom acabamento de gordura, mais e mais pedidos são atendidos pelos frigoríficos nacionais. Essa é uma carne proveniente de parcerias com pecuaristas mais organizados e melhor remunerados.
Até aqui não há segredo. A grande novidade é que o interesse por qualidade não parte somente da elite da sociedade brasileira como muitos imaginavam. A dona de casa brasileira está à procura de maciez, sabor, suculência, melhor coloração e gordura atrativa.
É bem verdade que muitas vezes a rainha do lar “desconhece” a qualidade, que, depois de apresentada, torna-se critério nas compras futuras. Desta forma, cortes de dianteiro têm alçado um novo patamar de valorização.
Essa carne não necessariamente deriva de bois cruzados, castrados e abatidos antes dos 20 meses de idade, mas também não é mais oriunda daquele Nelore tardio, criado toda a vida no pasto e morto aos cinco ou seis anos de idade.
Em outras palavras, trata-se de um boi Nelore, abatido aos 30 meses, que, em breve, deve cair para 24 meses, conforme apontam os especialistas; com peso de [email protected], alimentado por 100 dias no confinamento e capaz de acumular 4 mm ou mais de espessura de gordura subcutânea.
E essa gordura necessariamente deve ser branca, cor normalmente produzida pelo fornecimento de dietas à base de milho. Novilhos criados a pasto apresentam gordura mais amarelada, e pouco apreciada entre a nova faixa de consumidores do dia a dia.
A descrição do “novo boi nelore de qualidade” é desenhada de forma exclusiva à redação da Revista AG por Luciano Pascon, CEO do Frigorífico Frigol, que possui plantas nos estados de São Paulo, onde fica a matriz, Pará, Mato Grosso e Goiás. “Hoje, 35% das vendas do Frigol são de carne de qualidade”, constata.
Segundo informa, a Classe C - a qual define por aquele habitante com renda de até quatro salários mínimos - entrou oficialmente nas estatísticas do consumo de carne de qualidade, especialmente em supermercados de bairros onde há menor poder aquisitivo.
“E quando falo de qualidade, ela não se limita a cortes de preço alto. Envolve muitos cortes de dianteiro, a exemplo do miolo de paleta, miolo de acém, pescoço, peito, fraldinha, lagarto, coxão mole, coxão duro e uma gama de associações”, frisa o CEO do Frigol. A reportagem completa você encontra na edição de maio da AG.

Data: 10/05/2018
Fonte: Revista AG

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