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Preços ladeira abaixo em Santa Catarina

O preço do leite pago ao produtor caiu em média 12% de junho para agosto em Santa Catarina, de R$ 0,52 para R$ 0,46. Na região oeste, a queda foi superior a 20%. Muitos produtores do oeste aumentaram a produção, o que contribuiu para um excesso de oferta. De acordo com o analista do Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Icepa), Tabajara Marcondes, no Estado o crescimento no primeiro trimestre de 2005 foi de 18,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Isso porque a região oeste foi atingida por uma estiagem. Houve ainda um aumento de 51% nas importações e a exportação, apesar de crescente, foi inferior ao previsto. Marcondes avalia que é possível reverter a situação no segundo semestre, exportando mais do que importando. Mas uma reação nos preços vai depender também de uma melhoria no mercado interno. A gerência de produção de leite da Coopercentral Aurora confirmou que há um excesso de oferta e baixo consumo. A previsão é de continuidade de preços baixos com um equilíbrio somente dentro de dois meses. A queda no preço beneficiou o consumidor. Algumas marcas de leite Longa Vida que chegavam a R$ 1,40 tiveram promoções a R$ 0,99.


Disparate de preços gera protesto em MS

Produtores de leite fecharam um trevo na região de Itaquiraí, em Mato Grosso do Sul, para questionar a diferença de até 252% entre o preço que recebem dos laticínios e o que a população paga. Enquanto os produtores recebem R$ 0,34 pelo litro, no varejo custa de R$ 1,10 a R$ 1,20. Durante o protesto, os manifestantes distribuíram uma carta onde fazem várias considerações e apresentam as reivindicações. Eles lembram das perdas pelas secas consecutivas dos últimos dois anos e que a pecuária leiteira é fonte de renda de 70% dos agricultores familiares de Mato Grosso do Sul. A pauta fiscal do produto é incompatível ao preço do produto, assim como a alíquota de ICMS, que seria maior que a de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Rondônia. A importação do produto, principalmente da Argentina, foi outro ponto questionado.


Lançado Clube do Produtor Elegê

O Grupo Avipal lançou na Expointer o Clube do Produtor Elegê, um programa de relacionamento e fidelização para produtores do setor de laticínios. Programa único na Região Sul, o Clube do Produtor oferece benefícios para a compra de insumos, o treinamento e a transferência de tecnologia, qualificando e incrementando os negócios. Além disso, o Clube aproxima os produtores da empresa, promovendo a troca de experiências entre propriedades modelos, a disseminação do conhecimento e o desenvolvimento da tecnologia para toda a cadeia produtiva. Todos os produtores cadastrados na Elegê estão automaticamente inscritos no programa, que vai oferecer prêmios, conforme os pontos acumulados a cada litro de leite fornecido para a marca. A Avipal está investindo R$ 6 milhões nessa promoção que terá duração de um ano, envolvendo 15 mil produtores diretos. No total, mais de 60 mil pessoas, entre produtores e seus familiares, vão se beneficiar com o Clube do Produtor Elegê.


Frente contra os subsídios dos europeus

Os produtores de leite participantes da Aliança Láctea Global, formada por Brasil, Argentina, Austrália, Chile, Nova Zelândia e Uruguai, poderão solicitar à Organização Mundial de Comércio (OMC) a abertura de uma investigação sobre os subsídios da União Européia à produção e exportação de leite. O produto é a commodity agrícola que mais recebe ajudas governamentais no mundo, somando US$ 40 bilhões ao ano, seguido pelas carnes (US$ 27,4 bilhões) e pelo arroz (US$ 24,3 bilhões). O conhecimento técnico do Brasil, que venceu as disputas na OMC contra os subsídios ao algodão, dos Estados Unidos, e ao açúcar, da União Européia, pode ajudar no processo. “Caso as negociações de Doha não avancem, a alternativa é provar na OMC os danos dos subsídios”, disse o membro titular da Aliança no Brasil, Rodrigo Alvim. Em reunião em Brasília, os integrantes do grupo decidiram levantar em seus países os danos econômicos provocados pela obstrução da Rodada de Doha


Déficit da balança à vista

Apesar do esforço dos exportadores, o Brasil poderá não ser superavitário no comércio de lácteos neste ano, fato inédito alcançado em 2004. O otimismo do início do ano foi trocado por uma incógnita, diante dos números consolidados de janeiro a agosto. No acumulado de 2005, o País exportou US$ 75,1 milhões (alta de 52%), mas importou US$ 88,8 milhões (acréscimo de 63,8%). Ou seja, obteve um déficit de US$ 13,6 milhões. Diante desses números, os analistas de mercado e o próprio setor já não têm certeza se as vendas serão maiores que as compras neste ano. Na avaliação da Lafis Consultoria, as importações devem aumentar 90% e as exportações, 65%. Dessa forma, no fechamento do ano, o setor teria um déficit de US$ 2 milhões. No ano passado, o saldo foi positivo em US$ 11 milhões. Tradicionalmente, no segundo semestre, as exportações são mais elevadas devido à maior produção de leite. Em julho e agosto, considerando-se apenas os dados mensais, houve superávit. No mês passado, as exportações somaram US$ 13,8 milhões, enquanto as importações totalizaram US$ 10,6 milhões.