Cruzamento

SIMENTAL E A HETEROSE, UM CAMINHO SEM VOLTA

O panorama das raças na formação do rebanho bovino brasileiro é eclético. E, ao longo dos anos, vive de ciclos de modismos. As raças alternam-se na moda e nos seus avanços. Por sermos um País novo e em desenvolvimento, não temos uma forte tradição de pesquisas técnicas e completas para o setor e muitas vezes nos debatemos com os “achismos” e empirismos peculiares da falta de conclusões científicas e amparadas em dados consistentes.

Dessa forma, o rebanho brasileiro foi formado, no princípio da nossa colonização, por bovinos vindos do ‘‘Velho Mundo’’ e trazidos pelos colonizadores portugueses. Raças européias que se prestaram a uma minguada produção de carne, leite e utilizadas no trabalho de tração. Tiveram que primeiro sobreviver ao clima tropical hostil da nova terra. Depois vieram os zebuínos da Índia. Esses levaram a vantagem de já serem adaptados ao clima e encontraram aqui melhores condições de pastagens e se desenvolveram bem. Podemos dizer, sem medo de errar, que a pecuária brasileira foi feita com a braquiária africana e os cascos das raças zebuínas.

No início do século passado, já beirando a modernidade, entrou novamente com mais força a genética das raças européias no Brasil. E com elas a busca da produtividade. Entre essas várias raças que chegaram ao Brasil por volta de 1905, o simental foi a que teve grande destaque. Os touros importados e distribuídos a criadores do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espírito Santo, utilizados no rebanho zebuíno em cruzamentos absorventes, fixaram a raça simental no Brasil nestes últimos 100 anos.

Não foi nenhum milagre. A heterose se encarregou de mostrar que era o melhor caminho para a pecuária. Os produtos cruzados demonstraram- se extremamente produtivos. Esse fator, proporcionado através do cruzamento, elevou a produtividade e a precocidade do rebanho. E esse fato não ocorreu somente no Brasil. O gado simental expandiu-se da Europa para as Américas (Norte, Central e do Sul), África, Ásia e todos os continentes e explorada para os mais variados fins. Pois é uma raça de dupla aptidão com grande capacidade para produção de carne e leite.

Mas voltando ao nosso caso: o rebanho simental no Brasil iniciouse com os touros importados em cruzamento absorvente. Nos anos 70, recebeu a injeção de sangue importado de diversos países e se expandiu rapidamente por todas as regiões com absoluto sucesso. É a raça européia mais difundida na pecuária brasileira.

O simental provou no campo, sem os exageros das grandes campanhas de marketing, ser a melhor opção de cruzamento para a produção de carne em quantidade e qualidade a custos compatíveis, com redução de tempo no pasto, aumento no desfrute do rebanho e com mais lucro no bolso do pecuarista.

NO CAMINHO CERTO

Atualmente, temos mais de 800 criadores selecionando a raça pura em todos os Estados do País. Apesar da crise pela qual passa a pecuária com altos custos de produção e baixos preços da arroba do boi, todos temos a certeza de que estamos no caminho certo. Temos a raça européia mais adaptada às condições tropicais. Dados científicos de provas de ganho de peso e mensuração de produtividade, realizadas nos últimos anos, sempre colocaram a raça simental, seus cruzados e a raça sintética simbrasil (feita de sangue simental e zebu) na ponta da pecuária brasileira.

A Associação Brasileira de Criadores da Raça Simental e Simbrasil está publicando pelo sétimo ano consecutivo o sumário de touros da raça. Documento que é fruto de trabalho científico de acompanhamento do rebanho. Nele mostramos a evolução da raça simental e oferecemos aos pecuaristas brasileiros dados técnicos sobre o desempenho de mais de 50 mil animais analisados nos últimos anos. Estão catalogados no sumário mais de 600 touros que podem oferecer ganhos de produtividade através de suas DEPs (Diferença Esperada na Progênie) para várias características, como peso a desmama, ano, sobreano e habilidade materna.

E podemos salientar que todos os criadores da raça simental fizeram nos últimos anos uma criteriosa seleção de animais para a produção de carne e leite. Dessa forma, podem oferecer aos pecuaristas, que pretendem melhorar a produtividade de seus rebanhos, genética de grande qualidade através da venda de matrizes, reprodutores e sêmen. Na próxima estação de monta, creio que todos os pecuaristas interessados em aumentar a produtividade de seus rebanhos deveriam experimentar a força da heterose que o simental oferece em cruzamento com as matrizes zebuínas e azebuadas.

Ao longo destes anos, os criadores selecionaram genética eficiente para produzirem tourinhos puros de origem de pêlo fino, pigmentados e próprios para agüentarem o calor e andarem longas distâncias nas invernadas, trabalhando a campo em todas as regiões brasileiras na monta natural. Seguramente, vão produzir bezerros cruzados que na desmama apresentam ganho de peso médio de 225 kg, pelo menos uma arroba a mais que o gado zebu nas mesmas condições. Esses animais recriados e acabados em confinamento ou a campo chegam ao abate pelo menos um ano de antecipação se comparados aos animais que não vêm do cruzamento. A heterose proporciona este ganho adicional de pelo menos 25% a mais.

Por outro lado, o Brasil vem conquistando o mercado internacional. Mas, para valorizarmos a nossa carne, precisamos de animais que produzam carcaça de qualidade. Já temos um grande número de animais analisados pelo Genestar e podemos garantir, pelos resultados, que nossos reprodutores têm pelo menos uma estrela para maciez e marmoreio de carne para transmissão dessas características aos seus descendentes. É assim que vamos conquistar os mercados mais exigentes da Europa e garantiremos melhores preços aos nossos produtores.

No mercado interno, as fêmeas mais procuradas para servirem como receptoras nos programas de transferência de embriões são as meio sangue simental/nelore. Novilhas que valem tanto como os machos e estão em falta atualmente no mercado.

E na produção de leite, a raça vem provando que é uma ótima opção. Na última Expomilk – uma das mais importantes mostras da cadeia produtiva do leite, realizada em julho, em São Paulo/SP –, as vacas simental foram as melhores em produção de leite e sólidos. A grande campeã da Expomilk foi a vaca Aida, da raça simental, que produziu 55 kg de leite por dia. Hoje a raça é uma ótima opção tanto pura como em cruzamentos com outras raças leiteiras. São matrizes que produzem muito bem em qualquer sistema produtivo e a baixo custo, pois são menos exigentes em termos nutricionais e melhores em termos de sanidade de cascos, úberes e resistentes a todas as doenças. Ótimas em fertilidade e ainda produzem bezerros pesados e produtivos que agregam maior renda à atividade.

Quem conhece e já utilizou a raça simental sabe o que estou falando e quem ainda não usou deve experimentar a força produtiva do simental. É a raça mais adaptada e produtiva da pecuária, tanto é que está presente em mais de 100 países