Ag Na Fazenda

GUATAMBU, ALVORADA E CATY APRESENTAM A GESTÃO DA É

Todas as empresas competitivas têm um ponto comum: administração eficiente. O uso de ferramentas de gestão pela qualidade total (GQT) na agropecuária é vital e deve receber uma atenção cada vez maior por parte dos agroadministradores, a exemplo de outros setores empresariais organizados, como indústria, comércio e serviços. Isto se deve, basicamente, à necessidade de otimização e estabilização dos resultados, além do aperfeiçoamento contínuo exigido de todos os que atuam num mercado livre e cada vez mais competitivo.

Nesse cenário atual, que muito propagam e conceituam como crise, convidamos a uma reflexão com um pouco mais de profundidade. Quem sabe não são mudanças e megatendências que vieram para ficar e que temos que nos adaptar rapidamente a esse cenário?

Vejamos quais as atuais megatendências mundiais: globalização da economia (o que implica concorrência com as importações, por exemplo), evolução tecnológica (exemplo: padrão na produção de frango), consumidores mais exigentes (exemplo: rastreabilidade) e mudanças políticas estruturais (exemplo: governos socialistas). Essas megatendências levam a um contexto extremamente competitivo, ou seja, a uma acirrada guerra comercial.

A solução para sobreviver nos negócios é ser eficiente, adotando atitudes empresariais, como a gestão desenvolvida pelo “guru” da Qualidade Total, W. Edwards Deming.

Vejam a reação em cadeia que Deming constatou: mais qualidade nos processos resulta em mais produtividade, menor custo, mais rentabilidade e sucesso da empresa.

O primeiro passo para chegar lá é atender às seguintes premissas básicas:

1) Infra-estrutura racional: investimentos mínimos necessários.

2) Bom gerenciamento dos recursos de produção: recursos tecnológicos, econômicos e gerenciais bem aplicados.

3) Força de trabalho otimizada: equipe com treinamentos, rotinas, padrões operacionais, itens de controle, planos de melhoria, etc.

Uma vez contemplados esses requisitos, deve-se aplicar os importantes princípios de gestão pela qualidade total, listados a seguir:

A) Definição do negócio, da missão e dos valores.

B) Consolidação dos macroprocessos, dos processos específicos e das tarefas.

C) Estabelecimento dos padrões de operação, dos seus monitoramentos por fatos e dados e dos programas de melhoria contínua.

D) Progressivo desenvolvimento dos recursos humanos e gestão participativa.

E) Agir sempre em sintonia com a total satisfação do cliente.

Podemos dizer que os principais processos da pecuária de corte são: acasalamento, gestação, parição, lactação, desmame, terminação e comercialização. Aqui vamos demonstrar exemplos de padrões operacionais do processo de acasalamento.

Mas, antes disso, é importante lembrar que padronizar nada mais é do que definir a seqüência de tarefas necessárias para obter determinado resultado. E por que padronizar? Para garantir que a meta será atingida e manter o resultado constante. Recomenda-se começar a padronização por processos críticos, nos quais os problemas estejam ocorrendo no momento.

Veja os exemplos:

Descrição do Padrão Operacional para Recorrida de Matrizes em Serviço de Monta

Principais itens a serem observados:

1) Reunir o lote quando da entrada do potreiro, preferencialmente nos saleiros ou nos locais de sombra. Lotes de mais de 100 animais, reunir 2 a 3 vezes por semana; lotes menores reunir de 4 a 5 vezes por semana.

2) Sempre que houver vacas em cio, procurar orientar o serviço do touro, não permitindo excesso de coberturas na mesma vaca.

3) Observar o comportamento (interesse pela vaca) e a realização da monta pelo touro, conferindo a perfeita execução da cobertura.

4) Identificar e interferir (separando do lote) os touros dominantes, que não permitem aos demais a realização das coberturas.

5) Revisar sempre as condições do prepúcio, testículos e cascos dos touros em serviço.

Descrição do Padrão para Aquisição de Touros

Principais itens a serem observados:

1) Adquirir um reprodutor que atenda aos seus objetivos de produção.

2) O animal deve ter sido selecionado em um sistema de produção e ambiente semelhante ao que irá se estabelecer e reproduzir.

3) Adquirir reprodutores com características de adaptação e adequado tamanho corporal.

4) Todo o reprodutor tem de possuir um atestado andrológico e sanitário assinado por um veterinário, comprovando sua aptidão para reprodução.

5) O animal deve estar em ótimas condições físicas para desempenhar sua função, portanto deve estar bem nutrido, porém não obeso, para facilitar o seu desempenho.

6) Características funcionais devem ser observadas, por exemplo, aprumos, prepúcio muito longo e pigmentação ocular.

7) Valorizar as informações das DEPs dos touros, pois são ferramentas de alta tecnologia que proporcionam grande segurança à sua escolha entre os reprodutores disponíveis:

a. Usar DEPs conforme seus objetivos de produção e a genética de seu rebanho.

b. Para facilidade de partos em novilhas, usar touros com baixa DEP para peso ao nascer.

c. Para produção de terneiros, usar touros com precocidade em dias para atingir 160 kg.

d. Para produção de novilhos, usar touros com precocidade em dias para atingir 400 kg e altas DEPs para conformação, precocidade e musculatura.

e. Para incrementar a fertilidade, usar touros com alta DEP para perímetro escrotal.

8) Procurar adquirir touros provenientes de programas de melhoramento que envolvam vários rebanhos e um grande número de matrizes, como o da Guatambu, Alvorada e Caty (Conexão Delta G).

E assim todos os processos críticos devem ser padronizados, os funcionários treinados e os resultados monitorados. Não há dúvida de que essa forma de trabalho e de se organizar apresenta um custo baixíssimo e com grandes resultados de retorno em produção e, por que não, econômicos.

Finalizamos com a conclusão do argentino Alejandro Lotti:

“O êxito de uma empresa não passa pela sua escala, pela atividade, nem pela especialização; passa pela qualidade de sua gestão, baseada no conhecimento do processo produtivo, da administração, do manejo dos recursos humanos e da comercialização”.