Entrevista do Mês

Equilíbrio e planejamento

Apesar de a carne brasileira voar baixo no mercado internacional, de modo geral, a maioria dos pecuaristas ainda não termina o gado em menos de 30 meses nem com mais de 20 arrobas. No entanto, segundo o pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) Flávio Dutra de Resende, que, juntamente com o também pesquisador da APTA Gustavo Rezende Siqueira, idealizou o projeto do Boi 777, realizar a tarefa de casa não é mais opção. Ao menos ao criador que, minimamente, quiser lucrar na desfavorável relação de troca com o escasso bezerro, atender às exigências do consumidor e sair da pressão ambiental que recai sobre a atividade

Thaise Teixeira
[email protected]

Revista AG – Onde está o maior gargalo da pecuária brasileira atualmente?

Flávio Dutra de Resende - Hoje, o peso médio de abate no Brasil, para macho, está em 19,5 arrobas (ou 293 quilos de carcaça). Vamos arredondar para o peso de [email protected] para uma carcaça limpa no gancho do frigorífico. Se você pegar o valor da arroba atual e dividir pelo valor do bezerro, vai ver que essa relação de troca está abaixo de 2 para 1. Não posso mais matar boi com esse peso, preciso matar mais pesado e, para atender à exigência do mercado, mais jovem..

Revista AG – Por que o projeto do Boi 777 atende justamente a este gargalo?

Flávio Dutra de Resende - O modelo do Boi 777 sempre vai ser atual. Primeiramente, precisamos olhar o passado para entender o presente e pensar no futuro. Na década de 1970, o produtor tinha o animal como reserva de capital frente a um cenário de inflação muito grande. Houve, então, uma expansão muito grande da atividade no Brasil, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte. Quando entrou o Plano Real, as coisas começaram a mudar. Passamos a ter inflação mínima. O criador vendia um boi go...

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