A Voz do Criador

Recordes à vista

Este início de ano começou com perspectivas de um mercado firme e aquecido para a pecuária. Para quem achou que a arroba não mais voltaria ao patamar de R$ 300,00 o indicador CEPEA/B3 provou que pode surpreender. Aos 26 dias de janeiro, a arroba bateu o recorde real da série histórica iniciada em 1994, e fechou em R$ 298,00. Um dia antes, foi a vez do bezerro (Nelore de 8 a 12 meses), que atingiu R$ 2.811,77/cabeça, também valor recorde para o levantamento. No mercado internacional, de 16/11 a 15/1, a arroba brasileira fechou em US$ 51,19 segundo apuração da Scot Consultoria adaptada pela Boviplan, comentada, nesta edição pelo consultor Antony Swell, na coluna Mercado. A alta foi de 4,71% para o produto brasileiro com relação aos 30 dias imediatamente anteriores US$ (48,89).

Em princípio, tudo parece andar bem. Vemos também retomada nos preços da soja e do milho após breve queda ao final do ano passado, devolvendo, porém, a dor de cabeça aos confinadores que lutam diariamente para diminuir a diária da engorda intensiva. Preocupação também têm criadores que se preparam para o descarte de matrizes, afinal, com um mercado tão promissor e aquecido, como minimizar a margem de erro no descarte, lucrar e ainda melhorar a eficiência do rebanho? É hora de o produtor mostrar sua capacidade de ampliar a produtividade para aproveitar os bons ventos. Por isso, o entrevistado do mês, coautor do conceito Boi 777 e pesquisador Flávio Dutra de Resende explica porque o projeto, iniciado em 2008, está mais atual do que nunca. É hora de aprender a planejar a atividade, de diminuir o tempo de recria e a idade ao abate. É preciso ampliar a média de peso no gancho, mas entender que, para isso, um bezerro mais pesado na desmama é a base do caminho. É necessário descartar as matrizes criteriosamente e sob a luz de índices produtivos e zootécnicos para aliar o processo à reposição e ampliar a pressão de seleção.

É preciso fazer contas. Comparar. Planejar. Executar. Corrigir. Ensinar. Refazer. É preciso recomeçar quantas vezes necessário for e enfrentar a nova realidade: só os eficientes sobreviverão. Boa leitura!