Sobrevoando

Bombeiros

Toninho Carancho

Como é bom ter ministros que entendem do que estão falando e agem de acordo com as suas convicções. E que sorte a nossa termos dois ministros em áreas fundamentais para o desenvolvimento das nossas atividades rurais como a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Talvez não tenha sido sorte, e sim a nova orientação do governo Bolsonaro, bom para todos nós.

Esses dias, o grande debate “ecológico” era sobre as queimadas no Pantanal e em outros pontos. E tanto a ministra quanto o ministro falaram nos “bois bombeiros”, e muita gente não entendeu – ou não quis entender – ou fez graça. Mas os ministros estão certíssimos. O boi e a vaca, entre outras coisas excelentes – como produzir carne, leite, couro e seus derivados –, também agem como bombeiros, sim, senhores, senhoras e outros que não se enquadrem nessas qualificações.

Quando o capim não é pastoreado, fica alto e seco naturalmente, pois tem o seu período de maturação, floresce, larga semente e, por fim, fica fibroso e seco. E isso nada tem a ver com seca ou chuva, ou algo assim. É um processo normal, natural do ciclo dos pastos. Então, se uma pastagem, nativa ou não, ficar sem pastoreio (e este pastoreio pode ser feito por bois, capivaras, gnus, elefantes etc.), o capim vai se tornar cada vez mais alto, mais seco e mais perigoso. Por que perigoso? Imagina um capim ralo e bem seco pegando fogo. Não faz muito fogo, porque não tem muito material para ser queimado; então, faz um fogo rápido, que não esquenta o solo, não mata os animais, não queima as árvores, as casas, as cercas etc. Agora, imagina um capim “preservado”, com uns dois ou três anos (ou mais) sem pastoreio algum, com uma massa enorme de matéria seca só esperando para uma igniçãozinha acontecer. Soma-se a essa “pólvora” toda uma seca bastante forte e está feita a bomba, só esperando para ser detonada. E é claro que vai ser detonada, é uma questão de tempo (vide porto do Líbano). Seja por um raio, uma fagulha de cigarro, um vidro no chão fazendo vezes de lente, seja por fogo de acampamento, de limpeza de pátio, intencional ou não. Uma hora vai pegar fogo, e aí, meu amigo, vai acontecer o que está acontecendo agora, não tem quem segure.

Porém, agora, depois de queimado, vai ficar uma pastagem linda bem rápido. É só cair umas chuvas. Então larguem uns bois lá, aproveitem esse pasto e não deixem mais ele ficar alto, velho, seco e perigoso. Coloquem os bois bombeiros por lá, e não teremos mais esses problemas. Escutem nossos ministros. Esses dois sabem das coisas, são do batente.

Na Serra Gaúcha, aconteceu coisa semelhante. Proibiram o fogo normalmente usado, nos meses de julho e agosto, para queimar a pastagem velha e seca. Os “experts” em ecologia proibiram a prática do fogo no campo, prática centenária naqueles locais, e acabaram por colocar toda uma região em ponto de ter grandes problemas de incêndios, coisa que nunca tinha acontecido. Por sorte e competência de alguns, essas regras foram modificadas, e, agora, podemos continuar colocando fogo nas pastagens, de forma ordenada, racional e realmente ecológica. E com zero incêndios. Quem é do campo sabe o que funciona e o que não funciona. Para o bem do Pantanal e de outras regiões, deixem os bois bombeiros entrarem.