Santo Capim

O nitrogênio na adubação de pastagens NO PERÍODO DAS ÁGUAS
Parte I

Adílson de Paula Aguiar
Zootecnista, professor de pós-graduação na REHAGRO e na FAZU, consultor associado da CONSUPEC e investidor na pecuária de corte e de leite

Na adubação da pastagem, independentemente do nutriente que será aplicado, é preciso que as etapas básicas de um programa de manejo da fertilidade do solo sejam executadas na íntegra. Esse programa tem início com a escolha da área que terá seu solo corrigido e adubado. Em seguida, é realizada a medição e o mapeamento dessa área, seguidos pelo envio da sua amostragem para análise, da análise laboratorial propriamente dita, da interpretação dos seus resultados e das recomendações de correção e adubação. Depois, é feito um planejamento do programa para os próximos 12 meses, contemplando as etapas e as práticas corretivas e de adubação necessárias, com a escolha das fontes de fertilizantes, com a definição dos métodos de aplicação dos corretivos e adubos, finalizando com um orçamento e uma análise da sua viabilidade técnica e econômica.

O elemento nitrogênio (N) deve ser o último a ser aplicado, porque é o modulador da produção da pastagem. Numa linguagem figurada, é o “acelerador” do processo. Assim, ao recomendar a adubação com N, o responsável pela orientação deve estar seguro de que as deficiências de outros nutrientes já foram corrigidas. Isso porque o N é o elemento mais caro em um programa de adubação, o que mais se perde sob várias formas, e o que deixa efeito residual no solo. Primeiro, é preciso corrigir a acidez do solo, já que a máxima assimilação de N ocorre em pH acima de 6 (em H2O) ou 5,5 (em CaCl2). Depois, garantir o suprimento de fósforo (P), potássio (K) e enxofre (S), os quais têm efeitos sinérgicos com o N, ou seja, sua disponibilidade potencializa a resposta ao N. Para a máxima resposta ao N, as relações N:P, N:K e N:S devem estar em 10:1, 1:1 e 12:1, respectivamente.

Passo a passo para adubação nitrogenada:

• O técnico deve assessorar o produtor na definição da meta de produtividade da pastagem, quer seja em produção de forragem (kg de matéria seca/ha), quer seja em produção de carne (kg de peso corporal ou arrobas/ ha) ou em produção de leite (litros ou kg de leite/ha). Essa meta deve ser “pé no chão”, baseada nas condições climáticas da região em questão (volume e distribuição de chuvas, temperatura ambiente e balanço hídrico). A definição da meta de produtividade possibilita o cálculo do nível de extração de N do solo (kg de N/ha/ano) com base na composição dos tecidos da planta (parte aérea e subterrânea);

• Definido o nível de extração de N do solo, calculam-se as entradas de N no sistema, as quais são provenientes da atmosfera (carreado pelas chuvas), da matéria orgânica e do N mineral do solo, da morte e decomposição de tecidos mortos da planta e da excreta animal (fezes e urina). Assim, é possível calcular o balanço de N no sistema e, então, a dose de N que deverá ser aplicada por meio de adubação (kg/ ha/ano) para alcançar uma meta específica;

• Após o cálculo da dose de N total que será aplicada, é preciso definir o número de parcelas de adubação e a dose de N por parcela. A maior recuperação do N aplicado, pela planta, está na faixa de doses entre 40 kg a 60 kg de N/ha/aplicação, com média na dose de 50 kg. Assim, se a dose total anual for de 100 kg de N/ha, planejam-se duas aplicações de 50 kg cada, enquanto que, para uma dose total anual de 400 kg de N/ha, planejam-se oito aplicações de 50 kg cada;

• Na sequência, é preciso definir qual a fonte de N que será usada para então prever o percentual de perdas da fonte escolhida e quanto ao manejo de aplicação. Mas esses são temas para a segunda parte deste artigo. Aguarde!