Brasil de A a Z

“CORONEIS” ou “ABRAÇA-ÁRVORES”
Quem está certo quando o assunto é sustentabilidade?

Gestão sanitária e nutricional sob o foco do Bem-Estar eleva eficiência reprodutiva das matrizes e estabelece círculo virtuoso contínuo entre evolução zootécnica e lucratividade

William Koury Filho Zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z – Zootecnia Tropical

Olá amigos ligados à produção agropecuária, estamos no final de outubro e, embora o verde ainda não esteja pleno, já não se vê mais toda aquela fumaça no ar. Breve, teremos lavouras plantadas, capim crescendo e as matas, o Pantanal, o Cerrado e os campos que sofreram com as queimadas se regenerando para mais um ciclo natural ou de produção. Pois é, amigos leitores, como o assunto fogo foi abordado de maneira tão equivocada nas diferentes mídias, impactando a compreensão da realidade de muita gente, principalmente os mais urbanos! Mas é sempre assim quando há interesses políticos ou financeiros, camuflados de protetores do planeta cheios de soldados idealistas, no front de batalha. Os agropecuaristas, na sua grande maioria produzem com responsabilidade, e certamente gostariam de não ter secas prolongadas que prejudicam a produção e trazem imensa preocupação com incêndios.

No entanto, outras secas e ameaças distintas continuarão a acontecer, e nós, os produtores rurais, continuaremos enfrentando tudo isso com muito trabalho e dignidade. Para mudar esse cenário com relação à veiculação e à interpretação dos fatos, é necessário engajamento de pessoas competentes e ponderadas atuando na política e à frente de eficientes veículos de comunicação. Na pecuária, o boi sumiu. Os frigoríficos estão com escalas reduzidas, o que leva os preços a seguir a lógica de mercado quando a demanda supera a oferta. Não sabemos ainda onde isso vai parar, com projeções de valores expressivos para este final de ano quando o consumo aumenta, mas parece que a tendência é que siga nessa toada com boas cotações da carne para 2021.

Claro que os insumos também estão em alta, não só os grãos, para alegria dos agricultores, mas, também, o sal mineral, vacinas, adubos etc. Portanto, não nos acomodemos e continuemos em busca da melhor eficiência possível na produção. Bom, seguindo o rumo dessa prosa, vamos para o tema sustentabilidade, palavra que não é simplesmente moda, mas necessidade urgente para que a humanidade siga um desenvolvimento saudável. Desde que o homo sapiens dominou o planeta Terra, deixando de ser caçador e coletor, e passou a se organizar em comunidades, surgiu a necessidade de produzir e estocar quantidades proporcionais de alimentos. A manutenção de aglomerações cada vez maiores só foi possível com a revolução agrícola – domesticação de animais e vegetais. Isso mesmo, impérios antigos ou grandes metrópoles contemporâneas só existem porque há uma eficiência em se produzir e distribuir alimentos. E essa organização permitiu que o homo sapiens fosse “melhorando” em segurança, medicina, nutrição etc. Com isso, aumentaram as populações, bem como o incentivo à economia, que necessita diretamente do crescimento demográfico e do consumo, ou seja, da prosperidade. Mas crescer e “prosperar” até que limite?

O tema não é novidade, mas tive vontade de abordá-lo em razão do inconformismo ao acompanhar bombardeios de notícias distorcidas sobre o produtor rural nas mídias televisivas e digitais. São acusações que o colocam na posição de vilão e até de monstro, como em vídeo recente de uma das maiores ONGs de defesa da natureza, em que uma criancinha se depara com o bicho- -papão, na sua casa, ao abrir a geladeira com alimentos “do mal”. Notícias completamente tendenciosas com objetivos políticos têm feito um desserviço enorme para nosso País, responsabilizando produtores por agressões à natureza ou a outros seres humanos. Pois é, parece difícil enxergar a realidade de que cada vez mais lixo será produzido pelos humanos, e de que, quanto mais ricos, mais tendem a consumir recursos naturais. E quem não quer mais conforto? Isso porque alimentação básica nem é conforto, mas necessidade vital. Tenho visto um verdadeiro milagre de multiplicação do trigo, arroz, feijão, milho, carnes etc. A população mundial cresce e precisa comer, equação que tem sido resolvida até então pela pujança e melhora na eficiência do agro.

Atualmente, o agronegócio brasileiro vem dando um show em aumento de produtividade e menor impacto ambiental com práticas como o plantio direto, cultivares superprodutivos, recuperação de áreas de pastagens degradadas e genética animal mais eficiente em converter seu alimento em proteína animal. É uma ilusão enorme de boas práticas um europeu colocar seu carro para carregar na tomada utilizando energia que é gerada por gigantescas termoelétricas. Muita hipocrisia permanece nessa peleja entre Coronéis e a tribo dos abraça-árvores, onde ninguém abre mão de suas convicções extremadas. Precisamos dialogar com conhecimento científico e sem a inocência de não considerar que existem interesses econômicos de ambas as partes.

Não tem jeito, não, se os recursos naturais são finitos, parece óbvio que a única forma de darmos mais longevidade a este lindo planeta é com mudança nos hábitos em geral e produzirmos alimentos com eficiência. Que venha a ciência e nos auxilie na busca inteligente de cuidarmos de nós e de nossa casa. Com tudo isso, não podemos esquecer a base, pois, como diz o velho ditado popular: “em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”. Hoje, o papo ficou muito filosófico, sentimentos de final de ano, ainda mais com a tal pandemia. Vamos que Vamos.