Sala de Ordenha

ATENÇÃO à produção e à demanda no curto prazo

Os preços do leite pagos ao produtor registraram mais um mês de valorização, o terceiro consecutivo. Na média dos 18 estados pesquisados pela Scot Consultoria, o aumento foi de 4,8% no pagamento realizado em agosto, frente ao mês anterior. O preço médio ao produtor ficou em R$ 1,487 por litro, sem o frete. Os fatores de alta são a maior concorrência pela matéria-prima (leite cru), os estoques mais enxutos nas indústrias e a melhoria nas vendas na ponta final da cadeia. Do lado da produção, o volume captado (média nacional) é crescente desde maio último, mas está abaixo, na comparação com igual período do ano passado. Com relação ao consumo de produtos lácteos, a flexibilização da abertura gradual do comércio – principalmente bares, restaurantes e lanchonetes (food service) –, aliada ao pagamento dos auxílios emergenciais, tem colaborado com uma demanda melhor nos últimos meses, comparativamente com março, abril e maio, quando as medidas de isolamento (quarentena e fechamento de estabelecimentos) prejudicaram o consumo interno. Outro ponto é que as altas do leite no campo têm sido repassadas e, por ora, absorvidas pelo atacado e pelo varejo, o que permite os reajustes aos produtores.

Expectativas

Para o pagamento a ser realizado em setembro de 2020, referente à produção entregue em agosto de 2020, a expectativa é de alta nos preços do leite ao produtor em 83% dos laticínios pesquisados pela Scot Consultoria, enquanto 15% das indústrias falam em manutenção dos preços do leite e os 2% restantes estimam em queda. Já para o pagamento a ser realizado em outubro, o viés de alta sobre os preços do leite ao produtor deverá perder força. Além de a produção ganhar força com a retomada das chuvas em setembro, outubro e novembro no Brasil Central e na região Sudeste, os patamares mais altos de preços dos produtos lácteos poderão impactar o consumo na ponta final da cadeia, bem como incentivar as importações, como vimos nos últimos meses. Há preocupação também com relação à redução do valor pago por meio do auxílio emergencial, que poderá impactar no consumo doméstico de leite e derivados.

No mercado spot – ou seja, o leite comercializado entre as indústrias –, o preço subiu, em média, 1,1% na primeira quinzena de setembro, em relação à quinzena anterior, considerando São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. A alta corrobora o cenário de concorrência entre os laticínios pela matéria-prima (leite cru), porém destacamos que os aumentos foram menores em setembro, comparativamente com as quinzenas anteriores, com o peso da produção em recuperação nas principais bacias leiteiras do País e de preocupações/incertezas com relação à demanda. No atacado, os preços dos lácteos subiram 1,5% na primeira quinzena de setembro, na comparação semanal, considerando todos os produtos pesquisados pela Scot Consultoria. No mercado varejista, a alta foi de 0,8% na média de todos os lácteos pesquisados. Tanto no atacado como no varejo, os reajustes foram menores em setembro, em relação às variações observadas nas quinzenas anteriores.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista msc Scot Consultoria